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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 829 / 2015

15/07/2015 - 15:04:00

De igual para igual

Irineu Torres Diretor do Sindifisco Conselheiro Emérito da Fenafisco

O cavalo rufião é o frustrado de sempre. Quando o criador de cavalos decide fazer um rufião, o pobre macho não tem idéia do quanto vai sofrer. O rufião tem o pênis artificialmente torcido e quebrado; não é castrado, mas não copula; fica incapaz para o coito natural; o pênis do rufião quando ereto fica torto, na forma de sovela curva; resvala, nunca entra; ejacula fora; a esterilização mecânica o impede de penetrar; mesmo “de bandinha”, fazendo “anzol”, tenta e não consegue dar “uma” dentro; jamais procriará.

A sina do cavalo rufião é poupar outro cavalo, poupar o cavalo reprodutor, poupar o garanhão de esforço ou avaria durante o ato sexual. A zootecnia utiliza o rufião em etapas. Primeiro o rufião entra no estábulo onde se encontra a égua no cio. Em vão tenta o coito, cansa e excita a égua que, como é próprio das fêmeas, fica indócil, valoriza-se, dá uns coices na cara do infeliz e até morde. Contudo, estando o casal muito cansado, o criador retira o rufião. Ato seguinte, o reprodutor entra no estábulo.

A égua, previamente cansada e excitada pelo rufião, é coberta pelo reprodutor, o garanhão, que, sem esforço, vai direto ao “assunto”; sem prévias; sem chavecar; sem risco de tomar coices na cara, nas partes baixas e dentadas nas orelhas. Terceiro ato: - a linhagem está garantida.O rufianismo também é utilizado na política eleitoral, pelos criadores de governos. Mas, nesse caso, o rufião pode ser macho, fêmea, homossexual, bissexual ou total flex, não importa, contando que esteja em dia com as suas obrigações eleitorais e filiado a um partido político, vale.Assim, a governocultura imita a equinocultura. Lança mão do rufianismo. Talqualmente, em etapas: - Primeiro, os caciques partidários ou governocultores se reúnem.

À mesma mesa, inimigos declarados e falsos amigos, ou, como são mais bem definidos: “Embaixadores da hipocrisia”. Alegremente maquinam. Algumas reuniões ocorrem em São Paulo, outras na Barra de São Miguel. Nunca são em Brasília: - “dá na vista dos colegas”. Em seguida, os caciques deliberam qual dos partidos apresentará o candidato garanhão; quais partidos o apoiarão por sobre e por baixo da mesa e, qual partido deverá concorrer com o candidato rufião. Havendo divergência, esta, certamente, será contornada pelos “empreiteiros” amigos e simpatizantes da governocultura. 

Tudo ajeitado, feito o esquema, abotoado o negócio, cumpre ao candidato rufião obter votos necessários para subdividir o total dos votos contidos no eleitorado de modo a alijar os reais concorrentes da disputa, ou seja, alcovitar a vitória do candidato garanhão. Nesses termos, as convenções partidárias sacramentam o conchavo. Ao rufião eleitoral, de maneira alguma, poderão ser atribuídos votos suficientes para elegê-lo ou provocar um segundo turno, só o candidato garanhão pode ser eleito.

Em primeiro turno. É “antiético” rufião por “chifres” em garanhão.Além do mais, o rufião eleitoral, ao contrário do cavalo rufião, sabe para que e a quem servir; em regra geral, não é mutilado eleitoralmente; é bem pago e ainda abiscoita a vantagem de anunciar antecipadamente o seu nome para concorrer nas futuras eleições. No entanto, acaso o rufião eleitoral seja eleito ou cause um segundo turno – “corneie o garanhão” - será uma irredimível traição, o rufião deve ser imediatamente substituído ou, ao contrário, pode até dar em mortes.

Muitos outros já foram assassinados por isso. Também, a governocultura utiliza rufião eleitoral do tipo “inocente útil”, incauto, que sonha sozinho ser governador ou prefeito e, só tardiamente, percebe que o seu líder correligionário torceu até quebrar a sua virilidade política. Bem, de qualquer maneira, enfim, nas eleições brasileiras e alagoanas prevalece o postulado pemedebista: - “Direita e esquerda unidas jamais serão vencidas”! Enquanto houver rufião na linha, o eleitorado continuará inerme, impotente, uma touceira de guzerás.

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