Acompanhe nas redes sociais:

22 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 829 / 2015

15/07/2015 - 15:01:00

Somos todos misturados

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Esta semana fomos surpreendidos nas redes sociais com comentários maldosos e preconceituosos a respeito de uma artista da Rede Globo, que apresenta as mudanças do tempo nos telejornais: a Maria Júlia. De repente, sentimos vergonha por nossos conterrâneos.Pelo que nos consta, nós brasileiros, somos o resultado de três raças: preto, branco e índio.

Basta viajarmos para outros estados e veremos todo o tipo de pele, mas o preconceito ainda é muito forte nessa terra tão bonita.Havia uma revista muito boa chamada “Realidade” e não sei por que acabou. Pois bem, foi realizada uma pesquisa, lá pelos anos 70/80, para avaliar a existência de preconceito em parte do território nacional. Um casal de negros com dois filhos e um casal bem claro, também com duas crianças.

Chegavam numa capital como se estivessem de mudança e iam procurar colégio para os rebentos. Na Bahia aconteceu um fato chocante: nunca havia vaga para os negros, mas havia para os brancos.O ano passado, num colégio de Maceió, uma jovem bem moreninha não participou de uma dança porque o moço escolhido para ela não aceitou ser seu par. O assunto foi motivo de reunião com os pais. Sou casada com um homem moreno, cuja mãe era preta. Meus filhos são louros e minhas filhas são morenas.

Os netos são coloridos. Quando me casei, o preconceito estava na própria família. Uma velha tia de meu marido, quando me conheceu, disse: “Case com ele, mas depois não reclame”. Do meu lado, toda vez que eu engravidava, afirmavam: “Vai nascer um escurinho”. Hoje, entendo tudo como preconceito.Tivemos um negro como presidente do Supremo Tribunal Federal e sempre ouvi e vi na imprensa: “É o primeiro negro a ser presidente do Supremo”.

Mas o grande mérito do cidadão era ser competente e honesto. Em várias entrevistas dele, sentia não ser de seu agrado o comentário a respeito de sua pele.Uma das minhas netas é moreninha como a mãe e as outras três são loiras. Brincava muito com a escurinha, chamando-a de “minha neguinha”. Quando a irmã nasceu loira, ela me pediu para não brincar dessa maneira.Voltando ao caso da Maria Júlia ou Maju. A moça que se apresenta com competência e dedicação numa das redes mais sintonizadas do país não pode ser negra? Pessoas que a criticam preconceituosamente deveriam ser penalizadas.    

A Maju deve ter estudado e ter sido bem treinada para chegar a  tal posição de destaque. Antigamente, poucos negros eram escolhidos. Lembro-me agora da Glória Maria e de um Eraldo que são apresentadores da Rede Globo há mais de vinte anos. Hoje já existem vários e todos muito bons.

Nas novelas os negros faziam papéis de empregados domésticos, escravos, garçons. Acabou-se esse tipo de preconceito e eles já se apresentam como principais artistas. Outro fato que chama a atenção de todos são os cabelos. O crespo bem tratado é muito bonito. Com a chegada das caríssimas escovas definitivas não existe mais cabelo enrolado. Tudo fica bem liso, tratado com produtos químicos. E não precisa ser crespo, basta ter pequenas ondas.Querem exemplo mais gritante de preconceito contra ele próprio do que o Michael Jackson? Segundo a imprensa ele tinha “vitiligo” e fez com que os médicos clareassem a sua pele. As sucessivas plásticas no rosto tornaram-no um horroroso boneco sem expressão.

O cabelo que era black-power alisou totalmente. Finalmente, morreu com depressão porque queria ser outra pessoa.No nosso querido Brasil há muito preconceito. Lá pelo Sul e Sudeste existem pessoas que se acham totalmente brancas, organizadas em quadrilhas para perseguirem pretos, pobres e nordestinos. De vez em quando, um ou outro vai preso.A luta contra o preconceito deve começar em casa: os pais ensinando aos filhos que nenhum brasileiro é de raça pura, todos somos misturados, porque vive por aqui uma enorme quantidade pretos, brancos, índios e muitos estrangeiros.E somos todos irmãos.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia