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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 828 / 2015

08/07/2015 - 16:36:00

Sindicalista traça raio-x da crise do setor sucroalcooleiro em Alagoas

Presidente do STIA/AL, Jackson de Lima Neto, diz que os investimentos públicos na indústria não acontecem no volume necessário

João Mousinho [email protected]

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Açúcar do Estado de Alagoas (STIA/AL), Jackson de Lima Neto, realizou um balanço da atual situação da crise do setor sucroalcooleiro de Alagoas e avaliou a situação econômica do País, que não vem contribuindo para o crescimento da economia como ocorreu na última década. Há pelo menos cinco safras, os produtores nacionais sofrem com a queda de preços no mercado internacional, com as dificuldades internas decorrentes do preço do etanol, um produto do setor sucroalcooleiro nacional que vem perdendo competitividade ao concorrer em condições desiguais com a gasolina de preço administrado.

Os preços da gasolina artificialmente mais baixos que o do etanol, com a justificativa de segurar a inflação, prejudicaram os setores produtores da energia renovável e limpa, como a do etanol.Jackson destacou que a produção nacional de etanol caiu 16 bilhões de litros, em 2009, para 13 bilhões no ano passado; acarretando no fechamento de algumas unidades menos competitivas em um setor que emprega mais de um milhão de trabalhadores no País.

Esse é o cenário nacional, mas o Nordeste, e principalmente Alagoas, sofre mais com este cenário de dificuldades no setor sucroalcooleiro. Em Alagoas, o setor emprega mais de 50 mil cortadores de cana e mais de 15 mil trabalhadores na indústria. “Nestes últimos anos, estamos assistindo uma queda na produção de cana, açúcar e álcool.

Essa queda ocorre em simultâneo, na parte agrícola, com a mecanização de atividades de plantio e corte da cana, e, na parte industrial, com a automação, que vão dispensando mão de obra. Como decorrência, assistimos a uma diminuição do emprego agrícola e uma retração no emprego industrial, que afetam o salário e a estabilidade dos trabalhadores no setor”, colocou o presidente do STIA/AL.

O fechamento de quatro unidades industriais alagoanas em um curto período – Roçadinho, Guaxuma, Laginha e Uruba – revela este quadro de dificuldades. A Associação dos Plantadores de Cana (Asplana) informa que são mais de R$200 milhões em débitos de usinas e destilarias aos fornecedores de vários municípios. Por outro lado, o atraso no pagamento do subsídio a cana-de-açúcar, referente a safra 2014/2015, também penalizou parte do setor produtor canavieiro de Alagoas, responsável por quase 30% das canas moídas no Estado.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Açúcar no Estado de Alagoas afirma que vem se empenhado na defesa de seus representados. “Sabemos que o fechamento de uma usina ou destilaria significa mais desemprego e mais dificuldades para centenas de operários e de técnicos que fazem essa fábrica, além de mais dificuldades para a economia dos municípios”, enfatizou Jackson de Lima Neto.

 O presidente do STIA/AL defende, com urgência, que o Poder Judiciário resolva as pendências legais que permitam a volta do funcionamento das três unidades industriais do Grupo João Lyra – Laginha, Guaxuma e Uruba. Hoje são milhares de famílias à espera da solução de um impasse que se arrasta há mais de três anos.

 “Propomos que, a exemplo da Usina Pumaty, no município de Joaquim Nabuco, em Pernambuco, reativada por uma Cooperativa de Trabalhadores, e da Usina Cruangi, no município pernambucano de Timbaúba, reaberta pela Associação de Fornecedores de Cana, as unidades alagoanas também possam ser objeto de estudos e que o governo de Alagoas, a exemplo do Estado de Pernambuco, aposte nesta saída para que a produção, o emprego, a renda do município e seus impostos sejam preservados em Alagoas. A vitoriosa experiência da Cooperativa Pindorama aponta que esta pode ser uma das soluções concretas para estas unidades recentemente fechadas”, finalizou Jackson de Lima Neto. 

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