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Edição nº 828 / 2015

08/07/2015 - 16:34:00

Maceió na rota do tráfico internacional de drogas

Entorpecentes percorrem mais de três mil quilômetros até chegarem ao estado

José Fernando Martins Especial para o EXTRA

No último sábado, 27 de junho, uma caminhonete foi abandonada em um milharal na cidade de Amambai, localizada a 332 Km da capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande. Dentro do automóvel, a polícia encontrou 1,5 tonelada de maconha. O motorista desobedeceu à ordem de parada, perdeu o controle do automóvel e conseguiu fugir plantação adentro.

 Um dia antes, 87 quilos de maconha prensada vinda do Paraguai haviam sido apreendidos pela Polícia Civil na BR-101, em Cristinápolis, estado de Sergipe. A droga foi encontrada durante uma operação do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) em um dos bloqueios preventivos montados pela corporação.Embora o tráfico de drogas seja comum no Brasil, as duas apreensões citadas apresentam similaridades. No primeiro caso, que aconteceu a 3.188 km de Alagoas, a caminhonete encontrada no milharal tinha placa de Maceió.

O mesmo foi registrado com o Fiat Uno Vivace parado na blitz em Sergipe e conduzido pelo alagoano José Carlos Santos Barbosa, 42. Em depoimento prestado às autoridades, José Carlos confessou que estaria vindo do estado do Mato Grosso do Sul. Trajetos diferentes para transportar drogas da mesma procedência para um único destino: Alagoas. A droga seria encaminhada para o distribuidor, em Maceió, para ser comercializada na capital alagoana e Grande Aracaju durante os festejos juninos. 

Toneladas de maconha e cocaína saem de países como Paraguai e Bolívia para abastecer o território brasileiro. A longa viagem, às vezes, é interrompida pela ação da polícia, mas o fato de o Brasil ter como fronteira diversos países produtores de entorpecentes faz com que a fiscalização se torne difícil. 

Em entrevista ao EXTRA, o delegado da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, Fabrício Rocha, afirmou ser difícil  mensurar a quantidade de droga apreendida com destino às terras alagoanas. “Registramos casos de traficantes que mentem a destinação da droga para proteger o esquema de tráfico.

Podem dizer que o destino é Maceió, mas na realidade, ser Curitiba. Os derivados da cocaína e maconha que vêm do Paraguai e da Bolívia, como a pasta base, crack e haxixe, que saem daqui (MS) abastecem todo o Brasil”, declarou.Em março deste ano, a Polícia Federal de Alagoas apreendeu 400 Kg de Maconha em uma carreta carregada de madeira na cidade de Delmiro Gouveia. O veículo de placa, KKB-4616 de Itabaina (SE), conduzia a droga de Ponta Porã (MS) para Arapiraca, onde seria distribuída. Os policiais encontraram caixas com maconha encomendadas do Mato Grosso do Sul. Quatro pessoas foram presas.Quantia similar também foi apreendida em agosto do ano passado, mas ainda em Mato Grosso do Sul.

Uma quadrilha foi detida antes de enviar cerca de meia tonelada de maconha para Maceió dentro de uma carga de ração. “A divisa do país é enorme com rios, serras, florestas. Não acredito que o trabalho nas fronteiras seja ineficiente, pois a geografia brasileira acaba por beneficiar os traficantes”, analisou Gustavo Barros, da Delegacia de Repreensão de Narcotráfico (DRN).Alagoas está inserida no Polígono da Maconha, região do Sertão Nordestino que produz a erva nas divisas entre Pernambuco e Bahia.

Em Pernambuco, as plantações estão espalhadas pelas cidades de Salgueiro, Floresta, Belém de São Francisco, Cabrobó, Orocó, Santa Maria da Boa Vista e Petrolina, região quente e seca banhada pelas águas do rio São Francisco. Carnaubeira da Penha e Betânia, mesmo distantes do Velho Chico, também fazem parte deste mapa. Ao norte da Bahia, completam a linha imaginária que delimita o monitoramento da Polícia Federal as cidades fronteiriças Juazeiro, Curaçá, Glória e Paulo Afonso.“A quantidade de maconha que Alagoas produz nas redondezas do Vale do São Francisco é bem inferior à que vem do Paraguai, por exemplo.

A maior parte do entorpecente comercializado no estado vem do estrangeiro. E tanto a maconha quanto a cocaína chegam via terrestre, diferentemente do que é registrado no Ceará, onde os traficantes usam avião para o tráfico”. Em sua experiência frente à DRN, Barros explicou que traficantes contratam as chamadas “mulas” para transportarem drogas de Mato Grosso do Sul a Alagoas. Quando detidos pela polícia, muitas vezes assumem a autoria do crime para preservarem os nomes dos grandes traficantes.

Mesmo sem dispor de números exatos, o delegado afirma que a quantidade de drogas apreendidas no primeiro semestre de 2015 é superior ao mesmo período do ano passado.Conforme o delegado da Polícia Federal em Alagoas, Fábio Maia, do Departamento de Repreensão do Crime Organizado (DRCOR), é mais vantajoso ao traficante importar a maconha do Paraguai, além de mais seguro. “A planta produzida lá é de melhor qualidade sendo que cresce igual a uma árvore. A produzida em Alagoas nem passa da cintura de uma pessoa. Isso reflete no preço. Um quilo de maconha paraguaia, se comprada por R$ 150, chega a ser vendida por R$ 1.500”.

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