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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 828 / 2015

08/07/2015 - 07:46:00

Para inglês ver

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

Intrigado com o provérbio que agora me serve de título, certa feita indaguei ao meu Pai o que ali era dito. A curiosidade adolescente não queria apenas entender o significado do dito popular, mas conhecer a sua origem, o porquê do mesmo. Lembro, ainda, do sorriso alvar do meu “Velho” ao responder: “nós usamos esse ditado, mas deveríamos nos envergonhar dele”.

E explicou-me que, durante a Primeira Guerra, a Inglaterra, por falta de tecido para a confecção de roupas, uma vez que sua indústria estava empenhada na produção bélica, firmou contrato com o Brasil para a compra da nossa produção de cotonifício, de razoável qualidade e estamparia atraente. Após iniciais remessas íntegras, a indústria brasileira passou a enviar as bobinas de tecidos com estampas apenas nos primeiros metros, enquanto os demais seguiam sem a apreciada estamparia.

Assim, aquele colorido “era para inglês ver”, ou seja, para enganar o comprador. Isso teria levado ao descrédito a nossa indústria no pós-guerra,Há muitas outras explicações para o provérbio, algumas até elaboradas por literatos brasileiros, mas a do meu Pai parece-me mais prosaica e até mais conforme aquela malandragem tão apregoada pelos narradores e comentaristas do nosso futebol, constantemente divulgada pela equipe global do Galvão Bueno.

Pensando nesse “ufanismo” futebolístico e no incidente fabril, fico pensando que de tanta “malandragem” a nossa seleção tornou-se a piada internacional. Constato que a tal da malandragem-sabedoria está presente também no dia a  dia da política nacional. Semana passada escrevi sobre o tratamento desrespeitoso que o governo venezuelano, disfarçado em manifestantes bolivarianos, dera à comitiva oficial de senadores brasileiros, ante um silente governo Dilma. Hoje, pensando melhor, vejo que o governo brasileiro saiu do silêncio obsequioso e reverencial e para demonstrar que a Venezuela bolivarista jamais pretendera obstar a comitiva oficial brasileira, enviou àquele País uma outra comitiva oficial, desta feita formada de quatro políticos governistas capitaneadas por determinado senador paranaense, conhecido por seu destempero e por suas diatribes.

Vendo a presepada, veio-me ao pensamento que, se vivo fosse, ao cineasta americano Jules White dita comitiva talvez inspirasse à feitura de um filme cômico. Até apropriado título considerei como sugestão: “Maria Louca e os três patetas”.O fato é que, ao engendrar essa genial comitiva “chapa branca”, o governo Dilma-PT deu nova interpretação ao aforisma-título: “para brasileiro ver”. Uma tolice, pois a malfadada ideia não repara a ofensa do governo venezuelano, vizinho e amigo dos petistas que continuam formando um governo sem brios.    

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