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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 828 / 2015

08/07/2015 - 07:15:00

JORGE OLIVEIRA

Lula não queria reeleição

Vitória - O país virou um hospício ou eu enlouqueci de vez? Senão vejamos: a Dilma vai a Palmas e diz um monte de besteira para os índios que participam de um campeonato mundial; o Lula desce a pua no governo e chama a presidente de mentirosa quando diz uma coisa na campanha e faz outra; o Levy não consegue articular nada com nada quando fala da economia do país em recessão e descendo ladeira abaixo; o Zé Dirceu acha normal um lobista participar com 400 mil reais da compra do seu escritório em São Paulo; os senadores petistas fazem um desagravo (desagravo de quê?) e chamam o Lula de  “Grande líder”; e os empreiteiros continuam negando que deram dinheiro a ele para evitar que o juiz Sergio Moro mande a Polícia Federal prendê-lo.

A Dilma e o Lula transformaram o Brasil numa bagunça, o país está uma zona. Ninguém sabe quem manda em quem. O Lula, que antes fazia um governo paralelo, agora está na oposição criticando a sua obra mais espetacular, a Dilma, que chegou ao poder depois de lhe apresentar um laptop,  uma engenhoca que até então ele não conhecia. Abandonado pela criatura que gerou, o ex-presidente vive momentos de tensão depois que a CPI da Petrobras decidiu convocar seu assessor financeiro Paulo Okamoto para depor.

O “Grande Líder”, versão tupiniquim do stalinismo, que se achava até então intocável e inalcançável, vociferou contra seus liderados ao saber da notícia. Sobrou até para o vice Michel Temer – chefe do departamento de pessoal da Dilma – que se desgasta na articulação política de um governo caótico, fragilizado e corrupto, rejeitado por quase 70% da população.

A animosidade dos dois vem desde a última campanha. Vou repetir aqui o que escrevi antes das eleições. Lula não queria a reeleição da Dilma, mas teve que engolir a sua candidatura depois que ela decidiu enfrentar novamente as urnas e espalhou que seria golpe se fosse impedida de disputar mais um mandato. Lula encolheu-se e mandou seus áulicos, um deles o ex-deputado André Vargas, em cana, esfriar o “Volta Lula”. Ele monitorou o primeiro mandato de sua sucessora e constatou o óbvio, a sua incompetência para administrar o país. Sabia que a sua popularidade alta ao sair da presidência iria para o brejo no segundo mandato de Dilma.

Além disso, tinha consciência de que o crescimento do país devia-se, entre outras coisas, aos preços das commodities no mercado internacional. Entendia que o fracasso do governo tucano, que administraria uma economia destroçada, o traria de volta nos braços do povo. Só se empenhou de verdade na reeleição da Dilma quando foi avisado que os tucanos não eram confiáveis e que ele ficaria fragilizado sem o PT no poder.

A Dilma, que vivia a experiência de uma segunda campanha, entregou os programas à equipe dos marqueteiros. Não atentou para o perigo de fazer promessas mirabolantes e mentirosas no momento em que o pais já dava sinais claros de que entraria numa estagnação econômica com inflação alta e desemprego. Queria ganhar a todo custo, mesmo que para isso tivesse que iludir os eleitores. 

Experiência

Sem o traquejo dos políticos mais experientes, ao ganhar a eleição tentou voo solo. Achou que os brasileiros teriam votado nela independente do Lula ou do apoio dos petistas. Começou logo cedo a mostrar sinais de que trairia o “Grande Líder”. Expulsou do Planalto todos os seus homens de confiança, escolheu o ministro da Fazenda sem consultar o chefe e alojou no Gabinete Civil, Aloizio Mercadante, de quem Lula tem ojeriza. Para Lula, que queria continuar mandando, a casa desabou. Começou a se sentir ainda mais traído quando observou que a Dilma não movia uma palha para protegê-lo das denúncias que sofria de ser lobista de luxo das empreiteiras. E a gota d’água para o racha foi a convocação do Okamoto por uma CPI dominada por peemedebistas e petistas, partidos da base aliada.

 Enganados

Para os brasileiros que foram enganados na campanha essa briga entre criador e criatura é muito boa, pois, mais cedo ou mais tarde, vamos saber da podridão que rolou e rola no país até hoje. SugestãoO ex-governador Tarso Genro, rejeitado pelos gaúchos na reeleição, manifestou a intenção de escrever uma “Carta aos Brasileiros” para posicionar sua facção dentro do PT em relação aos escândalos que contaminam o Palácio do Planalto, os principais ministros do governo, a presidente Dilma, o Lula e toda quadrilha envolvida no roubo da Petrobras, segundo as últimas delações premiadas do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, publicadas pela Veja.

Roubalheira

Se o ex-governador dos pampas me permite, faço aqui uma sugestão de carta (na verdade, um rascunho) para que ele se dirija aos brasileiros, hoje profundamente decepcionados com o seu partido diante da descoberta de tanta roubalheira nas empresas públicas e do caos político e econômico em que se encontra o Brasil.


Vamos lá:Brasileiros e brasileiras:

A nossa facção, entre as dezenas que existem dentro do PT, dirige-se a todos vocês, minhas senhoras e meus senhores, para dissipar algumas dúvidas quanto à honestidade da nossa agremiação e de seus honrados dirigentes que tão bem vêm servindo o nosso país nesses últimos doze anos.

Imprensa

Estamos sendo injustiçados por essa imprensa venal e submissa ao capitalismo selvagem. O nosso “Grande Líder”, que tanto defendeu os mais carentes, é vítima dessa elite atrasada e golpista que não gosta de pobre.MeliantesO desvio de quase 6 bilhões da Petrobras para as  campanhas políticas do PT não é um privilégio apenas do nosso partido. Antes, tudo isso ocorria, mas só no governo petista é que a Polícia Federal atua com mais liberdade para prender os meliantes que agora amargam os dias na cadeia, a exemplo do senhor João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do nosso partido.

A líder

O juiz Sergio Moro e a sua equipe estão vazando informações “seletivas” para prejudicar os ministros da nossa líder Dilma Roussef. O próprio Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha, nosso mestre em Comunicação Social, já confessou que embolsou mais de 7 milhões de reais da UTC, mas tudo dentro da legalidade.Ele nega com veemência que era dinheiro roubado da Petrobras.

Empréstimos

As viagens do nosso “Grande Líder” para o exterior eram financiadas pelas empreiteiras, mas ele sempre disse que estava se sacrificando para que essas empresas pudessem se fortalecer lá fora com os empréstimos do BNDES. O nosso partido não enxerga nisso nenhuma ilegalidade. Afinal de contas, estávamos ajudando os nossos irmãos africanos, mesmo que em alguns países o povo estivesse submetido a regimes ditatoriais e sanguinários.

Pasadena

A presidente Dilma quando aprovou a compra de Pasadena, que deu um prejuízo de mais de 1 bilhão de reais a Petrobras, estava bem intencionada. Ela queria que a nossa empresa fosse competitiva também no exterior. Como estadista, a nossa líder sempre pensou em um Brasil mais forte que não se subjugasse aos interesses estrangeiros.O nosso “Grande Líder” sempre alertou que a elite não deixaria que nosso partido transformasse o Brasil em um país igualitário, com justiça social. O resultado é o que estamos assistindo diariamente: perseguição da Polícia Federal aos nossos companheiros, uma Justiça que condena antes do julgamento e ameaça de prender o nosso “Grande Líder”.

Compreensão

Por todo isso que foi exposto, gostaria de pedir a compreensão dos brasileiros e brasileiras para que não exagerem nas manifestações de rua contra a nossa líder, não se deixem levar por essa oposição irresponsável e inconsequente. Deem um voto de confiança à presidente Dilma que ela, com certeza, vai tirar o Brasil desse atoleiro econômico nos próximos quatro anos. Acreditem: a inflação alta, o arrocho salarial,  o ajuste fiscal, o sacrifício que ora impomos aos aposentados e a corrupção são coisas passageiras.

Lucidez

O nosso partido, que salvou o pais da maldição da fome com o Bolsa Família, um dia ainda vai dar muito alegria a todos nós brasileiros e brasileiras. Por isso, queremos a sua compreensão e um voto de confiança na nossa presidente, que lidera o país com lucidez, seriedade e honestidade.

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