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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 827 / 2015

01/07/2015 - 10:16:00

Somos nós um País sem brios?

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

Há quase dois anos, entre a atuação como Advogado, o estudo de línguas e o escrever crônicas e artigos, tenho dedicado espaço significativo do meu tempo ao estudo da ciência política e à pesquisa. Três são os meus objetivos: manter a mente ocupada, o que por certo espantará o “alemão”, digo jocosamente; através do estudo e da pesquisa, aprender mais sobre a mais significativa criação política humana, o Estado; sendo-me concedido tempo, produzir livro sobre os dois últimos temas acima relacionados. A ambiciosa tarefa não é fácil, e a cada dia, a cada estudo, conscientizo-me daquela verdade socrática: o que sei é que nada sei.

Não desisto, todavia!Ao estudo muito ajuda a observação da dinâmica da vida, e por isso inicio os meus dias com a leitura de jornais e o acompanhamento do noticiário nacional, ultimamente tão pródigos na revelação de fatos nem sempre airosos à cidadania. Recente fato chamou-me a atenção, causando-me inquietação e desalento: as agruras porque passaram senadores brasileiros na Venezuela. Aquela comitiva, queiramos ou não, aprovemos ou não os seus objetivos, representava o Brasil, e até agora ninguém disse o contrário ou atribuiu-lhe oficiosidade.

Considerando que o deslocamento dos senadores deu-se em avião da FAB, devo concluir ter sido atividade oficial do Senado brasileiro, com o pleno conhecimento dos Governos brasileiro e venezuelano. Mesmo assim, mesmo sendo uma representação brasileira, a comitiva foi hostilizada, brutalmente impedida, em última instância, de desembarcar em solo venezuelano. E não se diga que os manifestantes nada tinham como o governo venezuelano.

O simples fato da inércia estatal é desmentiroso. A ocorrência envolve sérias questões de Direito Internacional. Era uma comitiva oficial de um país soberano, em missão humanitária e, por esses dois motivos, merecedora de respeito e proteção das autoridades locais. Ao contrário, viram-se os senadores desprotegidos até, pasmemos, por um governo brasileiro fraco que, subserviente, já recebera com pompas e circunstâncias políticos daquela mesma Venezuela, enrolados em desrespeitos aos direitos humanos e até com o narcotráfico. Lamentavelmente, do episódio surge um Brasil apequenado, reverencial, incapaz de indignação, um Gigante leniente, apático, acovardado. Um País sem brios.

O Brasil? O País? O Estado? A Nação? Não, corrijo-me. Um governo, isso sim. O Brasil, o País, o Estado, a Nação são instituições permanentes, duradouras. O governo é transitório, e a sua fraqueza não conseguirá amiudar-nos, malgrado sejamos nós os culpados finais, como em responsabilidade objetiva, pois não soubemos utilizar os nossos votos, entregando o País a políticos, de qualquer dos Poderes, sem brios.Os brios do País, esses estão intocáveis!

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