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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 827 / 2015

01/07/2015 - 10:13:00

Quem vai escapar?

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Quanto mais ouço notícias de empresários presos, mais me convenço de que pouca gente escapará das garras da Justiça.De início pensei que os taturanas assombrariam o Brasil inteiro.

Aí vêm mensaleiros, lava-jato, fiscais de prefeituras, funcionários da Previdência. Em todas as áreas estouram escândalos de corrupção e nós vamos caminhando para um clima de terror.Há vários anos denunciamos ilegalidades cometidas por parlamentares alagoanos e até agora ninguém foi preso. Já cansei de repetir os absurdos cometidos pelo Legislativo alagoano, sou perseguida, alguns companheiros se assustam e me pedem mais cautela, mas os sabidos políticos continuam praticando arbitrariedades.Não me arrependo de nada que fiz e continuarei denunciando até morrer.

Se, a nível de Alagoas nada se resolve, no país as denúncias estão surtindo efeito. O ex-presidente Lula já demonstra çlaros sinais de preocupação. Critica o PT, ataca o governo da Dilma, percebendo o fechamento do cerco da Polícia Federal e o belo trabalho exercido pelo jovem juiz Moro em torno dele.Eis a resposta ao exagero usado nas campanhas eleitorais. Uma pergunta intrigante: De onde vem tanto dinheiro? Se em Alagoas foram gastos R$ 45 milhões na campanha do Renan Filho, quanto a Dilma gastou para se reeleger?

Não consigo enxergar quem foi candidato e não usou dinheiro público legal ou ilegalmente. Já houve alguns progressos depois da proibição de comícios eleitorais, onde os candidatos gastavam rios de reais para contratarem cantores famosos. Hoje, as despesas correm por conta de gastos com cabos eleitorais, material de campanha, programas de rádio e TV. Fora alguns atos praticados por candidatos na compra de áreas dominadas por determinados tipos de políticos. Aí, os sabidos vão perguntar como se pode provar tal ¨negociata¨.Acabou-se o idealismo no Brasil. Lembro-me de excelentes políticos que chegaram ao Senado Federal sem comprar votos, sem usar meios escusos. Para não correr o risco de errar, citarei apenas um alagoano idealista: senador Aurélio Viana, nos idos de 1950/60, eleito em final de carreira pelo Rio de Janeiro.

Fui vizinha dele na Avenida Fernandes Lima e apesar de muito jovem, ouvia meu pai comentar os métodos usados por ele nas suas campanhas.Atualmente é difícil saber quem é de direita ou de esquerda, quem se elege por programa de campanha ou se reelege pelo trabalho realizado. E o pior: vivemos em tempos de capitanias hereditárias. O filho é candidato tomando por base as compras de voto do pai ou o trabalho não realizado. Os cabos eleitorais, se o moço for deputado, são os comissionados do Legislativo, pagos com o dinheiro público. Se o candidato não estiver exercendo mandato, vai ter que pagar a eles.Do lado das empresas o jogo é difícil. A campanha é financiada pelos donos delas que se baseiam no ¨é dando que se recebe¨.

Eleito, o parlamentar, o Governador, o Presidente ou o Senador terá obrigação de retribuir o favor. Há empresas grandes que financiam vários partidos para não correrem o risco de não receberem de volta tudo gasto, com juros e correção monetária.Em Alagoas havia dois candidatos ao Senado com chances de vitória. E eu sempre dizia como piada: um anda de helicóptero e a outra anda de bicicleta. Claro que o mais gastador ganhou a eleição. Perdeu o idealismo!De ponta a ponta do país inteiro acontece a mesma coisa. Vence quem consegue mais dinheiro. Perde quem tenta convencer o eleitor com um bom discurso. Os currais eleitorais existem: são vendidos, loteados ou trocados por algo vantajoso.

Graças a Deus, a Justiça Eleitoral está abrindo os olhos e punindo alguns mais sabidos. Ainda falta muito, mas Prefeitos já foram afastados. Não imaginávamos jamais ver dezenas de empresários bem sucedidos, sendo presos, algemados e na cadeia. A corda está esticando e assustando muita gente boa, pois ainda não chegou a vez dos políticos na Operação Lava-Jato. Lula e seus comparsas devem estar tomando muito lexotan.

Passa por minha cabeça um filme bem longo que ainda não chegou ao fim. Dos políticos eleitos em 2014, poucos ou quase nenhum tinham condições de serem eleitos com recursos próprios ou verba legal de campanha. Vários já foram citados pela Polícia Federal e outros, nervosos, aguardam sua vez.Daí a nossa preocupação em imaginar o que sobrará no fim de tudo. Empresas castigadas, obras paradas, a inflação subindo, o governo perdido, a crise aumentando e os políticos amedrontados. Um verdadeiro caos!Em 2016 haverá eleições municipais e vai ser difícil conseguir financiamentos. Quero ver como os políticos que sobrarem desse terremoto se elegerão por puro idealismo. Isto é, se escapar alguém!   

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