Acompanhe nas redes sociais:

13 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 826 / 2015

24/06/2015 - 18:58:00

MP entra na polêmica da ideologia de gênero

Alagoanos se manifestam a favor da família e são contra inclusão de cartilha de orientação sexual como parte do Plano Municipal de Educação

Maria Salésia [email protected]

O tema ideologia de gênero tem acirrado os ânimos nos mais variados segmentos da sociedade alagoana. Quando se trata da possível inclusão do assunto nos planos de educação que estão sendo elaborados nos municípios e no Estado a discussão vai além. Até o Ministério Público Estadual já entrou na polêmica e em alguns municípios os promotores recomendaram a exclusão da ideologia de gênero no Plano de Educação.

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira, negou que houvesse qualquer pretensão de distribuição de uma cartilha sobre o tema nas escolas da rede municipal e o Sinteal (Sindicato dos Trabalhadores da Educação)pediu ao Ministério Público Federal que investigue a procedência da mesma.As Casas legislativas nos mais diversos municípios também se movimentam a ponto de a Câmara de Maceió emitir nota esclarecendo que o projeto do Executivo sobre o Plano Municipal de Educação ainda não foi concluído e que não tramita na Casa.

E mais: nesta sexta, 19, às 9h, vai realizar Audiência Pública para discutir o ensino da Ideologia de Gênero.  Em uma rede social, o vereador por Paulo Jacinto, Fabrício Faustino, diz ser importante a participação da sociedade pela “luta dos valores e princípios da família” e aconselha que todos os representantes da Câmara Municipal sejam favoráveis à retirada dos termos relacionados à Ideologia de gênero no Plano Municipal de Educação daquele município.

A discussão está mais acirrada em alguns municípios. É o caso de Santana do Ipanema, onde o promotor da Comarca, Hamilton Carneiro Júnior, diz que o Plano Municipal de Educação não pode incluir tais diretrizes por irem de encontro ao que já foi discutido e aprovado no Congresso Nacional. Ele se refere à derrota que este conteúdo sofreu no Congresso porque os parlamentares entenderam que esse assunto pertence à formação que crianças e jovens recebem em casa.

Atitude semelhante teve o promotor de Justiça da Comarca de Capela, Edelzito Santos Andrade,  ao recomendar a supressão de termos relacionados à “ideologia de gênero” no projeto de lei que trata do Plano Municipal de Educação elaborado pela prefeitura, sob orientação do Ministério da Educação (MEC), para o período de 2015 a 2025.Para o representante do MPE/AL, o debate sobre identidade de gênero é pertinente, mas destaca que não cabe ao Estado promovê-lo nas redes estaduais e municipais de ensino.

Na Secretaria de Educação de Maceió a informação é de que não há nada em andamento que não esteja dentro da lei e que não existe discussão sobre ideologia de gênero ou adoção de qualquer cartilha sobre o tema para o Plano Municipal de Educação. A discussão de gênero também está presente na versão preliminar do Plano Estadual de Educação (PEE) 2015 - 2025, ainda em desenvolvimento.

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (SEE) esclareceu que não existe nenhuma cartilha de ideologia de gênero no PEE. “O plano não deve apontar orientações sexuais a serem seguidas nem deve trazer qualquer menção sobre como se exercer a sexualidade. À escola, cabe tão somente combater todo e qualquer tipo de preconceito, discriminação ou intolerância entre as pessoas”, diz trecho da nota.

Em artigo, o promotor de Justiça e professor da Ufal, Maurício Pitta, diz que é estúpido querer implantar uma política educacional que pais e mães não querem ou admitir. A “ideologia de gênero e diversidade sexual é tão estúpida que já gerou movimentos opostos dos mais diversos e contribuiu para o acirramento do preconceito nos grupos mais retrógrados. Aos que pregam a ideologia de gênero, proponho a ideologia da inteligência, que, além de produtiva, não tem contraindicação”, criticou Pita.


ESPECULAÇÕES VULGARES

A professora da Ufal Universidade Federal de Alagoas), mestre em Serviço Social e doutora em Comunicação Social, Elvira Simões Barreto, disse que diante de tanta discussão ficou assustada com a instalação de uma histeria coletiva em torno do assunto. Segundo ela, o que vem circulando na internet, no whatsapp e outras mídias não passa de especulações vulgares para confundir o que realmente está posto para debate e análise, ou seja, a versão preliminar do Plano Estadual de Educação (PEE), encaminhado para a Assembleia Legislativa, aberto para apreciação até o momento de aprovação no parlamento. 

Ela argumenta que temas como gênero e diversidade, entre outros, tratados no PEE, trazem a possibilidade de delinear processos educativos que rompam com a cultura da violência. “O ponto central do debate é a contribuição que poderia ser dada para o tema que trata a questão de gênero e da diversidade- cultural, religiosa, sexual-, no Plano Estadual de Educação de Alagoas. Essa é uma excelente oportunidade para o diálogo sem radicalismo.Todos/as podem contribuir com o debate”.Para Barreto, é lamentável que um assunto tão sério, como a questão das relações de gênero e da diversidade, esteja sendo tratado vulgarmente.

“Disseminam mentiras- não sabemos a fonte-, divulgando nas mídias as chamadas ‘cartilhas’ da ideologia de gênero, a serem usadas obrigatoriamente como materiais didáticos, nas escolas. Os conteúdos são pornográficos com a utilização de desenhos que retratam corpos de crianças e jovens. Se eu estivesse desprovida de esclarecimentos sobre o assunto, é claro que eu como mãe, também estaria em pânico. Vejo como uma grande irresponsabilidade e desrespeito à sociedade alagoana. Um verdadeiro desprezo à capacidade de reflexão da população”, comentou.

A professora diz que há motivo para preocupação, mas “vamos juntos desmascarar essa farsa e promover um debate promissor com a sociedade do nosso Estado, propiciando a recuperação da confiança de todos em  um processo educativo ético que viabilize o respeito, a responsabilidade e a autoconfiança de que a diferença, que habita cada ser, não ameaça, mas oportuniza nosso crescimento enquanto sujeito social e afetivo.”


CARTILHAS DO MEC

No blog “diariodebiologia.com”, Karlla Patrícia fala que no caso das cartilhas, o MEC  fez várias tentativas de educar crianças de 6 a 12 anos sexualmente, exemplificando e explicando sobre o ato sexual, prazer e masturbação através delas. Ela questiona se realmente funciona, se faz bem para uma criança tão pequena conviver com imagens como as apresentadas nas cartilhas, saber desde cedo que o sexo é um ato natural, entre outros questionamentos.E para ilustrar sua fala, Patrícia apresenta três cartilhas que foram aprovadas pelo Ministério da Educação.

Coleção Educação Sexual- perguntas e respostas; Tô Crescendo- para crianças de 6 a 9 anos- que foi criada em 1997 pelo Governo Federal e distribuídas nas escolas- mas foram recolhidas devido oposição dos pais ao conteúdo. E a Mamãe, como eu nasci?, de Marcos Ribeiro- que explica a diferença entre o corpo masculino e feminino, como acontece a relação sexual, gravidez e tipos de partos. Já em  2010, o Ministério da Saúde publicou a cartilha Diversidades Sexuais. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia