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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 825 / 2015

17/06/2015 - 19:08:00

Inverno prenuncia tragédia na área

Obra de contenção foi interditada pela prefeitura até empresa apresentar novo projeto

José Fernando Martins Especial para o EXTRA

O desabamento de taludes de contenção que cercam o antigo vazadouro do bairro Cruz das Almas, mais conhecido como lixão, pôs em xeque a seguridade da obra, o trabalho da empresa responsável e a estabilidade do solo que abrigou durante quase quatro décadas toneladas de lixo do município. Para prevenir acidentes, o andamento da contenção foi interditado pela Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente de Maceió (Sempma). Conforme anunciado pela pasta, o embargo foi devido à falta de segurança técnica para o término do trabalho desenvolvido pela AGM Geotécnica Ldta.

A decisão foi lavrada no dia 5 deste mês após o desmoronamento das barreiras que aconteceram no começo do mês, sendo que ocorrência semelhante também foi registrada no início de maio. Embora o volume de chuvas em Alagoas em 2015 esteja menor do que no ano passado, a obra não suportou a ação ainda fraca das águas pluviais.

Agora cabe à empresa apresentar à Sempma um estudo que comprove a segurança em continuar a construir no terreno antes que aconteça alguma tragédia. A finalidade é identificar possíveis erros no projeto. A informação é do assessor jurídico da secretaria, Hugo Felipe Rodrigues. No momento, a única obra permitida no local é o reparo da parte danificada.

“Também pedimos um relatório para o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL) e acionamos a Delegacia Regional do Trabalho (DRT-AL) para checar a segurança dos trabalhadores envolvidos”, disse. Segundo Rodrigues, a instabilidade do solo causada pelo lixo não removido e a chuva fizeram com que as barreiras cedessem à pressão. Construir os taludes de contenção na área é necessário para que os terrenos adjacentes do antigo lixão possam ser comercializados pela Litoral Norte Empreendimentos.

“Essa foi a empresa que participou da reunião sobre a contenção”, lembrou. O destino desses terrenos está selado: a construção de uma zona comercial, além de edifício residencial. A área ganhou um novo respiro com desde a construção do Parque Shopping Maceió e novos empreendimentos. O resultado foi a valorização do terreno. “Quando nos apresentaram o projeto, tudo estava dentro da conformidade da legislação, mas quando a obra sai do papel é outra coisa.

Foi o mesmo que ocorreu com o desmoronamento do metrô em São Paulo. Tudo estava certo e com bom andamento, mas aconteceu o pior”, comparou Rodrigues.O caso citado pelo assessor é do canteiro de obras da estação Pinheiros da linha 4-amarela do metrô, na zona oeste de São Paulo, que desabou em janeiro de 2007.

O acidente, de acordo com as construtoras responsáveis pela obra, ocorreu devido à instabilidade do solo da região, agravada pelas fortes chuvas que haviam atingido a capital paulista dias antes.Sobre os riscos à população, o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, informou que a obra, por enquanto, não apresenta perigos e sua fiscalização é de responsabilidade da Sempma.

Dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) estimam que seja grande a possibilidade das chuvas no estado se tornarem diárias até o fim do mês, o que pode piorar a situação. Em conversa com o EXTRA Alagoas, o ambientalista Alder Flores contou que a instabilidade das áreas circunvizinhas a do antigo vazadouro pode ter sido causada por outro desmoronamento: o de lixo. Mas, isso, de acordo com ele, teria acontecido há mais de uma década. “Um desmoronamento de lixo atingiu os terrenos laterais que, com o tempo, foi coberto pela vegetação”, destacou como uma das teorias para a instabilidade do solo.Antigo defensor de que construções que entornam lixão deveriam ser proibidas, hoje, Flores tem uma nova visão.

“O lixão foi encerrado no dia 30 de abril de 2010 e foram feitos projetos para recuperação do terreno”. Conforme o ambientalista, o chorume, por exemplo, é encanado até uma lagoa também no bairro Cruz das Almas. De lá, segue para o emissário da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). A compactação da massa de lixo e drenagem de gases também estariam dentro dos trâmites ambientais. O EXTRA foi conferir de perto o desmoronamento. Devido às chuvas se pôde notar um solo lamoso, faixas de isolamento e nenhum funcionário no local.

A reportagem também conversou com o engenheiro civil Abel Galindo Marques, que foi contratado para realizar o serviço de contenção por meio da empresa AGM Geotécnica. “No momento estamos discutindo como resolver estas questões e darmos andamento à obra. Mas o deslizamento aconteceu devido às águas da chuva e não por causa do lixo”, garante.

Marques ainda destacou que se reunirá com a empresa contratante de seus serviços para discutir os próximos procedimentos.Enquanto isso, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE-AL), por meio da 4ª Promotoria de Justiça da Capital, aguarda relatório da Sempma com mais detalhes sobre o desmoronamento. “Passei pelo local e vi o que aconteceu. Ainda espero informações do poder público porque caso aquela área esteja sofrendo um processo de erosão, isso pode culminar na poluição do ambiente, pois estamos falando de toneladas de lixo acumulado”, considerou o promotor Alberto Fonseca.

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