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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 825 / 2015

17/06/2015 - 08:54:00

A culpa é da serpente

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Adão comeu a maçã porque Eva mandou. A mulher disse ter obedecido à serpente. Ninguém assume a responsabilidade por atos praticados. Isso que acabamos de contar aconteceu há milhares de anos atrás, mas continua ocorrendo até os dias de hoje.   

Assisti à entrevista de Paulo Maluf na TV e fiquei impressionada com tanta mentira e tanta ironia, partindo de um político indiciado em vários processos, que pouco permaneceu na cadeia. Ele está sempre zombando de todos nós e se dizendo amigo de políticos importantes há várias décadas. O pior é que, vez em quando, o matreiro político tem razão: eleições no Brasil viraram uma mina de ouro e o Congresso não tem interesse em mudar nada.     

Gostaria de saber a diferença entre propina e verba de campanha. No dicionário, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Mas, na vida real é bem diferente: as empresas ajudam os políticos durante as eleições e fora delas, porque se assim não o fizerem ficarão sem os contratos das obras públicas. É uma mão lavando a outra ou é dando que se recebe.     

Estamos vendo então, empresários presos, obras paralisadas, crimes que acontecem no Brasil há vários anos, todos sabem e ninguém faz nada. O país está praticamente parado, a Presidente andando de bicicleta e digerindo os milhões que foram doados à campanha de sua reeleição.     

Lembro-me de um moço que foi candidato à Presidência da República, recebeu tanto dinheiro que sobrou. Ainda hoje os amigos da época tentam justificar para onde foi o tal resto da milionária campanha. E ninguém foi preso!   

 No mensalão foi comprovada uma enorme variedade de favores ilícitos alimentados pelo dinheiro público. O autor intelectual do crime está solto, salvou-se da fogueira de denúncias e quer voltar a ser Presidente. E ainda se faz de vítima.     

Os “taturanas” continuam soltos! Houve vários escândalos muito bem elaborados, mas ninguém teve culpa. Faziam empréstimos consignados para pessoas ricas e pobres que eram pagos com o dinheiro público. O processo vai prá lá, vem prá cá e nenhum político foi  julgado. Se alguém sabe de quem é a culpa “fale agora ou cale-se para sempre”.     

O Ministério Público quis punir alguns culpados e a resposta veio a galope: Cortaram o duodécimo do MP para mostrar a força dos “taturanas” e seus associados. Amigos do MP: Não desistam!     Imposto de renda, excesso de funcionários comissionados, previdência social, empréstimos consignados: tudo serve de fonte de renda para alguns e desgaste para outros.     

O Estado vai de mal a pior: já começaram a tocar fogo em ônibus no Jacintinho, as escolas estão semifechadas pela greve dos professores, as delegacias de polícia funcionando em ritmo lento, o Hospital Geral em crise, o novo Secretário da Fazenda não consegue convencer povo e políticos, o Príncipe Renan Filho, que se elegeu com uma campanha milionária, pensou que receberia ajuda da Dilma e o tiro saiu pela culatra, luta contra a ganância de aliados.       

Para piorar a situação, os maus feitos começam a surgir na área privada. Uma sociedade sem fins lucrativos, que cresceu muito nos últimos vinte anos, está sendo vítima de má gestão. Ainda não consegui pegar o fio da meada, mas parece que o caso vai ser gravíssimo. Uma pena! Estamos torcendo para que haja uma saída digna.     

O lado político do Estado virou uma versão moderna das Capitanias Hereditárias. O Governador é filho do Presidente do Senado; alguns dos novos eleitos,  são filhos de políticos famosos com mandatos antigos e viciados . Nada vai mudar. A mentalidade permanece a mesma. E o povo sofrendo!     

Viramos assunto do “Fantástico”, o Brasil inteiro conheceu novamente as mazelas do nosso Estado. Por onde passamos sentimos rizadas maldosas e piadas irônicas. De Collor a Renan somos vítimas de comentários negativos.     

Famílias inteiras de Alagoas recebem de duas fontes: a pública e a privada. Donas de boutique, parentes próximos de políticos, são servidores do Estado emuitos nem comparecem ao local de trabalho. Pessoas indiciadas pela Justiça exercem altos cargos públicos. Encontro-me com gente que nem conheço na igreja, no shopping, na rua. Depois descubro que são funcionários “fantasmas” de um dos Poderes do Estado.     É intrigante ver um pedaço do Brasil tão pequeno, de natureza tão rica,  lindas fazendas, belíssimas praias, uma orla maravilhosa, lutando por dias melhores.    

 Aí me pergunto: De quem é a culpa? Uma voz interior me responde: Da serpente, que somos nós, povo das Alagoas, pelas escolhas erradas feitas através do voto.     Só Deus na causa!

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