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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 824 / 2015

11/06/2015 - 10:56:00

Ratos se acomodam em processos no Juizado de Rio Largo

Serventuários da Justiça usam luvas para evitar contaminação por fezes e urina

Vera Alves [email protected]

Ofício encaminhado no último dia 27 ao presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Washington Luiz, cobra imediatas e urgentes providência para o verdadeiro atentado à saúde em que se transformaram as dependências de duas varas cíveis da Comarca de Rio Largo: os processos estão infestados de urina e fezes de ratos e os serventuários estão trabalhando com luvas para evitarem a contaminação

O ofício é assinado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL), Thiago Bonfim, informado do fato através de advogados com processos nas 1ª e 2ª Vara Cíveis e vem sendo comentado pelos profissionais nas redes sociais. O mais grave é que ninguém foi previamente avisado: os advogados só ficaram sabendo do que ocorria depois de indagarem aos servidores o por quê de estarem usando luvas.A resposta foi imediata.

Todos os dias as bancadas e mesas das varas amanhecem cobertas de fezes e urina dos roedores. A maior parte dos processos físicos, inclusive, está manchada por dejetos, colocando em risco a saúde de qualquer pessoa que tenha contato com os mesmos, inclusive os juízes e advogados que ainda não fazem uso das luvas.


LEPTOSPIROSE E HANTAVÍRUS

A urina do rato é fonte de contaminação para uma doença medieval, da época em que os cuidados com higiene e esgotamento sanitário eram rudimentares. É através dela, por exemplo, que o ser humano pode ser contaminado pela bactéria Leptospirainterrogans, causadora da leptospirose, uma infecção que tem sintomas semelhantes aos de uma forte gripe e que, se não devidamente tratada, pode levar à morte.Como ocorre em várias outras doenças infecciosas, o quadro clínico da leptospirose varia muito de indivíduo para indivíduo.

O paciente pode apresentar desde quase nenhum sintoma até um quadro grave com risco de morte.O período de incubação pode variar de 2 a 30 dias. A média é 10 dias de intervalo entre a contaminação e o início dos sintomas da leptospirose.

Mais de 75% dos pacientes apresentam febre alta com calafrios, dor de cabeça e dor muscular. 50% apresentam náuseas, vômitos e diarreia. Um achado típico da leptospirose é a hiperemia conjuntival (olhos acentuadamente avermelhados).

Outros sintomas possíveis incluem tosse, faringite, dor articular, dor abdominal, sinais de meningite, manchas pelo corpo e aumento dos linfonodos, baço e fígado.Mais preocupante ainda é a possibilidade de infecção por hantavírus, doença viral transmitida dos roedores ao ser humano e que provoca graves infecções pulmonares e renais. Ela é contraída no contato com roedores e as suas dejecções ou possivelmente ao inalar partículas de vírus presentes no ar. Segundo especialistas, não existe evidência de contágio entre pessoas, mas uma coisam é certa: se a infecção atingir os pulmões ela é mortal na maioria dos casos.

Já a renal pode ser ligeira ou grave. O processo pulmonar por hantavírus inicia-se com febre e dor muscular. Podem surgir dor abdominal, diarreia e vómitos. Depois de 4 a 5 dias, podem manifestar-se tosse e dificuldades respiratórias, um estado que pode piorar após algumas horas. Em consequência de uma perda de líquido para os pulmões pode verificar-se uma queda drástica da tensão arterial (choque), que pode pôr a vida em perigo. Quase invariavelmente depois do choque, produz-se a morte.

De acordo com o portal do Ministério da Saúde, nas Américas há duas linhagens do vírus do gênero Hantavirus, uma patogênica, que está associada à ocorrência de casos de SCPH, pois foram identificadas em roedores e em pacientes, e outra, que, até o momento, só foi detectada em roedores silvestres, ainda sem evidências de causar a doença em seres humanos.  

 No continente, a hantavirose se caracterizava pelo extenso comprometimento pulmonar, razão pela qual recebeu a denominação de síndrome pulmonar por hantavírus (SPH). A partir dos primeiros casos detectados na América do Sul, foi observado o comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).

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