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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 824 / 2015

10/06/2015 - 22:27:00

Um dia a casa cai

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Dizia um grande advogado, meu amigo: “É melhor um mau acordo do que uma boa briga”. Foi esse moço o autor dos tão falados precatórios que estão proporcionando renda extra a milhares de servidores.Quando o duodécimo passou a ser administrado pelas Mesas Diretoras da ALE, começamos a sofrer penalidades injustas e, com a fundação do nosso Sindicato, tivemos o direito de procurar ajuda na Justiça, quando sofríamos perdas salariais inesperadas ou cortes de direitos adquiridos.

 

Essa luta desigual vem se desenrolando há mais de 30 anos, Lembro-me da ciranda financeira que levou nossas vidas a um verdadeiro inferno no governo Sarney. Enquanto servidores federais acompanhavam a inflação de 80% ao mês, nós perdíamos nosso poder de compra, pois os dirigentes congelavam nossa renda mensal.Abrimos os olhos e fomos procurar advogados.

 

O Governador que substituiu Collor tentou pagar os reajustes aprovados no governo anterior sem nenhuma correção. Foi uma esmola que revoltou os integrantes do serviço público.As injustiças foram surgindo. Não adiantava estar escrito na constituição que a gratificação de serviços extraordinários não poderia ser concedida abaixo de 50%. O Legislativo só pagava 33,3%.

 

Reclamamos judicialmente e ganhamos mais uma vez.Alguns anos mais tarde o Estado entrou num processo miserável de decadência e os pobres sofredores públicos acumularam sete meses sem salário.Era uma loucura: companheiros vendiam casa, carro, telefone e até objetos da família para sobreviverem, Como Presidente do Sindicato da ALE assisti o sofrimento da categoria. A entidade, também, não recebia as consignações porque os salários não eram pagos. Época horrível, jamais esquecida.

 

A cada injustiça cometida entrávamos na Justiça, pagávamos advogados e caminhávamos para uma honrosa saída.Outra paulada bem dada: os deputados da Mesa entenderam que poderiam criar centenas de cargos comissionados e usar e abusar do famoso enxerto na folha de pagamento. E lá se ia nosso suado salário para outras finalidades. Os comissionados foram crescendo, ganhando mais, até se criou uma tal de GDE – Gratificação de Dedicação Exclusiva – fato que levava os salários dos afilhados a dobrar, isto é, o valor recebido mais 100% de vantagem.

 

 Pronto. Chegamos a um verdadeiro terremoto. O Fernandinho e sua turma criaram mecanismos de se perpetuarem no poder. Foi um caos. Tomávamos cada susto incrível. Quando abríamos o jornal víamos notícias ameaçadoras. O “Fantástico” da Rede Globo veio a Alagoas, surgiu a figura da “Vassoura de Ouro”, um sobrinho do presidente morava na Austrália e recebia salário, além de outras distorções. Chegamos a ficar com medo do futuro.Para jogar água na fervura, a Mesa do Fernandinho aprovou um processo de enquadramento em 2009 e até hoje não o cumpriu na íntegra. Os aposentados nunca foram enquadrados. Há seis anos esperam pelo procedimento que seria normal.

 

Em 2015 assume nova Mesa Diretora e a primeira atitude tomada foi nomear mais de 500 comissionados com salários dobrados. As dívidas deixadas por Fernandinho, reclamadas pela atual direção, não foram auditadas, nem foi apresentado nenhum relatório.Para os servidores ativos e inativos o dinheiro é curto: a metade do 13º  salário dos inativos foi dividido em 4 vezes, sem juros e correção; dezembro de 2014 foi parcelado em 14 vezes, também sem juros e correção; terço de férias é palavrão.

 

Para completar o aperto financeiro, a Mesa contratou uma auditoria na folha de pagamento por um milhão e meio de reais.Ao invés de chamar os servidores para um acordo, a Mesa deixa os processos estourarem. Ganhamos o direito de receber o teto constitucional, receberemos três meses e meio de salários não pagos e vamos perseguir os valores retirados indevidamente de nossos contracheques.É impossível que as autoridades constituídas de nosso Estado não percebam os desajustes ocorridos no Legislativo durante 30 anos!Um dia a casa cai e as Mesas Diretoras passarão a obedecer às leis vigentes.

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