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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 824 / 2015

09/06/2015 - 20:39:00

A fantástica experiência de pedalar em Paris

Jorge Oliveira

Paris/Brasília–Chegar ao Brasil e falar sobre bicicleta é um momento mágico. Este artigo foi escrito quando percorri a cidade de Paris durante duas semanas em bons dias assolarados pedalando aquelas verdadeiras Ferrari de duas rodas. Mas, ao contrário do que ocorre no Brasil, não vi nenhum ciclista ser morto a facadas e nem trombadinhas roubando bicicletas com armas na mão.  Eis aqui o meu relato, depois da experiência saudável de andar centenas de quilômetros montado na magricela: A bicicleta está integrada ao transporte de Paris assim como estão o metrô, o ônibus, o trem e o barco.

Não se surpreenda, portanto, com mulheres e homens bem vestidos; jovens e executivos de terno e gravata – alguns bem agasalhados por causa do frio – percorrendo as ruas da cidade pedalando entre os carros nos movimentados boulevards.  Em Paris, as bicicletas ocupam a mesma faixa dos  confortáveisônibus, uma forma de conscientizar o motorista a conviver harmoniosamente com o ciclista.

Nessas ciclovias, esses condutores já se acostumaram com os ciclistas nas suas faixas exclusivas. Como não existem bueiros entre a calçada e o meio-fio nas faixas bem sinalizadas, é pequeno o risco de ocorrer acidentes.Mas a prefeitura de Paris quer mais: pretende investir a partir deste ano 490 milhões de reais para ampliar as estações das bicicletas, aumentar o número de adeptos, hoje é mais de 250 mil com aceso às bicicletas alugadas, criar estacionamentos nos grandes terminais do metrô e ocupar as grandes avenidas parisienses por onde circulam carros, e expandir dos 700 quilômetros de faixa exclusiva de ciclovias para 1,4 mil em cinco anos. A proposta é aumentar dos 5% para 15% o transporte de bicicleta na cidade com a limitação da velocidade dos carros para 30 quilômetros em áreas de grande movimento.

O novo projeto surgiu depois das 7 mil consultas à população que prefere às bicicletas aos carros como medida para despoluir a cidade e facilitar a locomoção casa/trabalho.Andar de bike pelas ruas de Paris é muito simples, não chega ser um desafio. As mais de 20 mil robustas magricelas de três marchas estão espalhadas pelas 1400 estações a cada 300 metros da cidade, principalmente nas ruas transversais, desde 2007 quando a prefeitura instalou o sistema.

O custo do serviço é de 1,70 euro por dia, mais uma taxa pelo tempo de utilização, sendo grátis a primeira meia hora.Durante esse tempo em que usei o transporte público e as bicicletas nessa cidade observei apenas um acidente entre um ciclista (turista) e um táxi, que exigia ser indenizado pelos arranhões no seu carro provocado pela bicicleta. Ambos discutiam, sem a interferência da polícia, a culpa pela infração.

O motorista do táxi era o mais exaltado. O  número pequeno de acidentes deve-se hoje a forma civilizada de convivência entre o motorista e o ciclista que se respeitam no trânsito que, mesmo abarrotado de carros, flui  com certa tranquilidade, sem a interferência ostensiva dos guardas. Estes só aparecem nos grandes problemas ou são vistos em cruzamentos de movimento mais intenso, sempre próximos aos locais turísticos.

Trafegar de bicicleta pelas ruas da cidade é muito tranquilo, mas você precisa estar atento aos sinais de trânsito, obedecer com muita disciplina as faixas das ciclovias e ficar atento ao movimento das faixas de pedestre para evitar atropelamentos. Em algumas ruas a sinalização da faixa de ciclista é na contramão.  

Mas se você não tem o hábito de pedalar em grandes cidades, procure conhecer melhor as regras de trânsito para bicicletas antes de se aventurar no trânsito de Paris. Para estimular a rotatividade e garantir a bike para as milhares de pessoas, a primeira meia hora é de graça. Antes de fazer qualquer percurso, recorra ao Google maps e trace o caminho que vai percorrer. Ele vai mostrar pra você todas as ruas e avenidas onde existem as ciclo faixas. Não é difícil – nem muito perigoso – você pedalar por Paris, mas também não é tão simples. A cidade é relativamente pequena se comparado com Rio e São Paulo, onde o movimento de bicicleta ainda é pequeno, mas o fluxo de bicicleta na cidade luz é grande.

Se você, por exemplo, preferir circular em Paris com o mínimo de risco margeie o Senna que corta toda cidade. Seguindo-o pelo calçadão você chega pedalando a qualquer lugar da cidade, inclusive aos pontos turísticos mais importantes sem precisar fazer muito malabarismo. Ah, tem mais: você ainda pode dispor de bebedouros com água gelada e, em alguns pontos, até mineral, e desfrutar de uma bela paisagem dos grandes monumentos da cidade e da agradável cena dos barcos navegando pelo Sena cheio de turistas. Muita gente prefere pedalar à noite. Ah, mas aí é outra história. Descubra essa magia e pedale!

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