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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 823 / 2015

09/06/2015 - 16:51:00

Falta prender os outros

JORGE MORAIS Jornalista

Um grande exemplo deu a Justiça americana ao mandar prender dirigentes da FIFA e de confederações de futebol de alguns continentes, entre eles, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, pela polícia de Zurique, na Suíça. Eles foram detidos por acusação de corrupção de mais de 150 milhões de dólares, envolvendo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro em negócios ligados a campeonatos na América do Norte, Central e do Caribe.

Fico feliz que isso tenha ocorrido, porque não é de hoje que escrevo e falo dos esquemas que são montados dentro do futebol, em especial, no Brasil. Acho que esse exemplo da Justiça dos Estados Unidos poderia muito bem ser seguido pela Justiça brasileira, mandando prender mais gente da CBF e de federações de futebol. É inaceitável que tanta gente ganhe dinheiro fácil em clubes e entidades e fique por isso mesmo.

Está na hora de algum juiz entrar fundo nesse assunto e mandar investigar a grana altíssima que entra na CBF, fruto de contratos com publicidades, empresas de marketing e patrocínios de televisão para cobertura de seus campeonatos, com pagamentos de propinas e comissões. Como entre as acusações existe alguma coisa relacionada à Copa do Brasil, é importante que a Justiça brasileira faça valer da sua condição e autoridade para isso.

Nada do que está ocorrendo é novidade. Em qualquer parte do mundo, principalmente no Brasil, tem empresário bandido e ladrão, envolvido com falcatruas dentro do futebol. É por isso que o futebol está falido, clubes estão quebrando, administrações desastrosas e pessoas ficando ricas, com toda essa situação. Lamento apenas que, somente agora, depois de mais de 20 anos, a Justiça tenha agido como manda a Lei, colocando essa gente na cadeia.

Lamento, também, que as autoridades brasileiras não apurem com profundidade essas questões que hoje estão sendo mundialmente conhecidas. Acho que faltaria cadeia para tanta gente. E olhe que essa corrupção no futebol vem desde a época de João Havelange, passando por Joseph Blatter e seus asseclas, na FIFA, e no Brasil, por Ricardo Teixeira e todos os outros mais recentes. 

A FIFA, enquanto durar o processo de investigação da justiça americana, suspendeu os direitos de seus dirigentes na entidade, como manda seu estatuto, e suas atuações em qualquer parte do mundo. Mas, será que só isso é o suficiente? Claro que não, até porque alguns dos envolvidos presos já confirmaram e falam em devolução do dinheiro surrupiado.

Gente, por favor, está na hora da Justiça brasileira produzir outro juiz como o Sergio Moro, da Operação Lava Jato, porque em casa de espeto, ferreiro de pau.Com certeza, na administração da Confederação Brasileira de Futebol e suas federações estaduais afiliadas, tem muitos Marins soltos e ricos.

Nos Estados Unidos, onde reside, J. Hawilla, jornalista e empresário de sucesso, dono da Traffic, principal empresa de marketing esportivo do Brasil, já assumiu esse esquema nojento e se comprometeu com a Justiça em devolver os 150 milhões de dólares e vai responder o processo em liberdade.A Justiça americana conseguindo a extradição dos presos, e se forem condenados, a pena pode chegar a 20 anos na jaula. O senador do PDT de Minas Gerais, Zezé Perrela,  ex-presidente do Cruzeiro, já está colhendo assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, para investigar a CBF.

Pergunto: Essa investigação vai se entender aos presidentes de federações e clubes ou vai ficar apenas com os graúdos da CBF?Nessa hora não vale somente o José Maria Marin. E os outros vão ser presos também?

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