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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 823 / 2015

09/06/2015 - 16:45:00

Toada de pouca música

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

A operação Lava-a-jato já havia batido às portas de Alagoas envolvendo os senadores e alguns deputados federais alagoanos. Mercê da delação premiada – ou colaboração espontânea, pouco importa – de um dos empreiteiros corruptores, agora corruptor confesso ou, como parece ser a estratégia da sua defesa, vítima de extorsão, tal Operação instalou-se de vez entre nós.

Conforme a especulação da mídia nacional, a chegada definitiva da Lava-a-jato a Alagoas resulta de contribuição do UTC, no valor de alguns milhões de Reais, à campanha do atual Governador de Alagoas, Renan Filho. Comenta-se, também, que outras empreiteiras, sabidamente envolvidas na operação da PF, teriam contribuído com tal campanha, todas perfazendo um total de quase oito milhões de Reais, ou 40% dos incríveis dispêndios de campanha do jovem Governador.

Esse é o quadro revelado por revista de circulação nacional. Não votei no ilustre governador, mas aceito-o governante, malgrado tenha sido eleito pela minoria dos eleitores alagoanos. Nele não votei por acreditar – e nisso fui crítico durante a campanha - que sua toada tinha muita letra para pouca música.

De fato, relembro que o jovem candidato dizia, meio sem-cerimônia juvenil, que, na busca de recursos financeiros para governar o Estado, conseguiria dobrar o Governo Federal com a mesma lábia com que conquistava os eleitores. Abstraindo a falácia, torço pelo seu sucesso, pois Alagoas precisa de sucessos, embora até o momento não tenha visto – nem o Estado – grandes resultados da parolagem governamental. Tem-lhe faltado, ao mandatário, criatividade para superar o tradicional “cuia na mão” com que Alagoas tem sobrevivido desde há muito tempo.

Aliás, se Sua Excelência não se importa de manter essa dependência, aos alagoanos isso certamente incomoda. Talvez aproveitasse mais a sua Excelência, ao invés de infrutíferas viagens a Brasília, pedinte contumaz, refletir sobre o dístico que ilustra o brasão do Estado de São Paulo, o velho e proverbial latim ensinando: NON DUCOR DUCO ou seja, NÃO SOU CONDUZIDO, CONDUZO. Penso que a partir dessa aprendizagem, deveriam, Governador e equipe, imaginar e criar condições domésticas para o desenvolvimento do Estado, libertando-o dos humores federais.  

No tocante às recentes notícias de que sua campanha teria sido financiada por empreiteiras dadas agora como corruptoras, ou extorquidas, devemos, se críticos, separar o joio do trigo, pois, se no cerne das acusações está o Presidente do Senado, não se deve imputar ao filho os erros do pai – ou vice-versa - embora seja difícil, mas não impossível, dissociá-los no caso em foco.  Não me parece, porém, ser esta a questão.

O real problema está na origem espúria dos recursos alocados à campanha: corrupção ou extorsão. Mesmo que o governante alagoano alegue o seu desconhecimento do fato – estratégia rudimentar, mas usual em tempos de PT, PMDB e quejandos -  a espuriedade das contribuições permanece intocada. Ademais, considerando-se a informação sobre as contribuições “petrolonas” é difícil ao senso comum aceitar que um candidato, a qualquer cargo eletivo, dispenda tantos milhões de Reais para eleger-se, remanescendo daí as clássicas perguntas: de onde tirou esse dinheiro todo? E como vai pagá-lo?

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