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Edição nº 822 / 2015

28/05/2015 - 11:28:00

Antes ele do que eu

JORGE MORAIS Jornalista

Os últimos acontecimentos envolvendo o BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais – passa a impressão para todos nós que o título deste artigo é o lema da corporação. Claramente, não estamos nos referindo diretamente ao fato registrado recentemente, quando um policial atirou e matou um agente penitenciário em um bar, entre os muitos localizados no Centro de Maceió.Fatalidade ou não, alguém perdeu a vida. Certo ou errado não estou aqui para julgar a ação e seu resultado triste e lamentável, onde um cidadão perdeu a vida de uma maneira inesperada. Dos momentos alegres e descontraídos de minutos antes, para a realidade cruel e definitiva de uma tragédia.

Poderia lembrar, por exemplo, mais dois ou muitos casos que ocorrem constantemente com a presença do BOPE.Há pouco tempo, durante uma partida de futebol entre CRB e CSA, no estádio Rei Pelé, uma corporação foi chamada para apaziguar os ânimos entre as torcidas, mas que terminou inflamando ainda mais o ambiente.O resultado todo mundo já sabe, pois, ao serem recebidos com xingamentos e objetos jogados a distância, os policiais responderam com bala de borracha, sem a menor preocupação se estavam ali pessoas inocentes, velhos, mulheres e crianças.

Até porque aquele era o local reservado para todos, torcedores do bem e do mal.Dias antes, nos bloqueios promovidos na Avenida Fernandes Lima, o grupo de gerenciamento de crise da Polícia Militar e os manifestantes, trabalhadores de uma empresa de segurança e jovens estudantes, entre eles, crianças, colocadas como escudos do movimento, foram atacados pelos policiais do BOPE, praticamente atropelados, sob o efeito de bomba de gás lacrimogênio, spray de pimenta, balas de borracha, etc. etc. e etc.

Passaria a vida toda trazendo exemplos que são vistos todo santo dia.E isso é coisa de Brasil. A ideia que a gente tem é que o pessoal é treinado e preparado para isso mesmo: atacar. Se você estiver em aglomerações, protestando e reivindicando, quando ouvir falar da chegada do BOPE, quer um conselho, saia rápido, desapareça, se proteja, porque não está chegando coisa boa.Com uma triste realidade, esse é o quadro que temos e observamos em relação ao trabalho desses homens. Para eles, não interessa o que está pela frente. Chegou para resolver o problema que não foi solucionado pelas partes diretamente interessadas naquele momento: manifestantes e autoridades civis (governo) e militares (força pública).

Lamentando que seja assim, mas apesar de tudo, o que fazer numa hora como essas? O diálogo não foi suficiente; as palavras não sensibilizaram as pessoas; o direito de ir e vir da população como um todo, que não têm nada a vê com os problemas ocorridos, não são respeitados; o caos toma conta do ambiente; a baderna passa a ser generalizada; pessoas se aproveitam disso para fazer política e outras arruaças. Como resolver? Nessa hora, chega-se com flores ou balas?Repito: o comentário não é dirigido ao caso mais recente, mas precisa ser cuidadosamente discutido por todo mundo.

Brincadeira ou não, por sinal de muito mau gosto, em São Paulo, a ROTA é o grupamento temido pela população e pelos bandidos, e as pessoas costumam dizer que o slogan deles é: “Deus te ama, nós não”. Claro que isso não passa de uma frase construída no calor da emoção e do medo. Não acredito que chegue a tanto, mas precisa ser pensada.Cabe-nos nessa hora discutir os problemas, mudar os conceitos, cobrar e chamar pessoas a responsabilidade. É assim que o BOPE tem que atuar?Não sei. O povo só entende essa linguagem? Também não sei. Só sei que do jeito que vai, não pode continuar.

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