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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 822 / 2015

27/05/2015 - 19:58:00

REPÓRTER ECONÔMICO

JAIR PIMENTEL - [email protected]

Confisco, nunca mais!

Em 1989, trabalhava como repórter econômico no Jornal Gazeta de Alagoas, exatamente o período da hiperinflação que chegou a 84% ao mês, em fevereiro de 1990,  com Fernando Collor eleito presidente da República, anunciando o fim dela, mas garantindo que jamais mexeria na caderneta de poupança, o investimento mais seguro e rentável da época. Assim, acreditava não apenas como jornalista, mas também como poupador. No dia da posse, reunido com seus ministros da área econômica, decretou o Plano Collor com o confisco do mercado financeiro, inclusive a poupança.

“O país virou de cabeça para baixo.” Meses depois, com o bolso vazio, a inflação de 84% sem ter sido repassada para a poupança e os salários, procurei o presidente do Sindicato dos Bancos para uma entrevista. Um outro cliente se encontrava conversando com ele, e ao ver o exemplar do dia do jornal, mostrou minha coluna (não existia foto) nem ele me conhecia. E aí desabafou: “Esse jornalista é um mentiroso. Acreditei nele, sempre dizendo que não iria existir mudança na poupança. Perdi tudo e estou aqui minguando um empréstimo”. Fez o desabafo e saiu. Momentos de total constrangimento entre eu e o gerente. Mas a entrevista foi feita e publicada no dia seguinte. A inflação sumiu, mas voltou logo depois, até que dois anos depois, no governo Itamar Franco, foi adotado o Plano Real, sem confisco, sem congelamento e inflação zero. 

Os planos

1986, governo José Sarney, com a inflação disparada, é adotado o Plano Cruzado, saindo o Cruzeiro, moeda criada na década de 1940, no governo Getúlio Vargas. Congelamento de preços e salários, mas nenhuma mudança na caderneta de poupança e demais investimentos do mercado financeiro. A classe média aplaudiu, já que seu dinheiro vinha rendendo juros e correção monetária, permitindo carro novo, viagens, mudança de móveis e utensílios e outros benefícios.

Ninguém se preocupava com preços, porque eles estavam congelados, assim como os salários. Só que tinha o rendimento certo da poupança. Só durou pouco mais de um ano. Os preços voltaram a subir, exatamente porque começou a falta mercadorias nos supermercados. 1987, entra o Plano Bresser, alusão ao então ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser. Novo congelamento de preços e salários, mas ninguém acreditando mais. A bagunça começou, com a falta de produtos e só se vendia com preços acima dos tabelados.

Não se repassa a inflação para os salários. E o País continuou em crise, desemprego e claro, recessão. Mas  a poupança continuava rendendo. E a pobreza aumentando, pois pobre não tinha como possuir caderneta de poupança, já que tudo que ganhava usava na compra de alimentos. 1989, Plano Verão, com o novo ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega. Novo congelamento de preços e salários e o mesmo problema do anterior.

Os jornalistas econômicos não tinham mais como dar dicas de  economia. Ninguém acreditava no governo. Chegam as eleições presidenciais e claro, que o candidato do Sarney perdeu feio para a esperança dos brasileiros, Fernando Collor de Mello, o mais jovem entre todos os presidentes da República. E o resultado, foi o que se leu no início da coluna. Assim, esperamos que confisco, nunca mais!

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