Acompanhe nas redes sociais:

19 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 821 / 2015

21/05/2015 - 10:35:00

Eletrobras faz mistério sobre venda da distribuidora de Alagoas

Oferta de controle acionário deve ser oficializada até agosto, segundo noticiado pela mídia nacional

José Martins Especial para o EXTRA

A Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras S.A) já conta os dias para vender o controle de sete distribuidoras espalhadas pelo país, incluindo a de Alagoas. Pelo menos é o que revelaram fontes não reveladas a dois sites de notícias nacionais. Conforme a agência Reuters, a estatal começaria as negociações pela Celd D, distribuidora localizada em Goiás.“Queremos começar o processo esse ano, após a renovação das concessões”, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato. Porém, o jornal “O Estado de S.Paulo” antecipou algumas informações. O periódico apurou que a Eletrobras prepara uma oferta única para concessão das distribuidoras controladas pelo grupo.O plano seria de passar para as mãos da iniciativa privada um pacote fechado, englobando as quatro distribuidoras responsáveis pela entrega de energia no Piauí (Cepisa), Alagoas (Ceal), Rondônia (Ceron) e Acre (Eletroacre).

A oferta será oficializada entre 30 e 60 dias.Além das citadas, a Eletrobras estaria com o intuito ainda de vender a participação majoritária que possui nas distribuidoras do Amazonas e Roraima.No caso da goiana Celg D, o primeiro passo já foi dado com a publicação no Diário Oficial de recomendação do Conselho Nacional de Desestatização (CND) para que a presidente Dilma Rousseff aprove a inclusão da distribuidora de energia no Programa Nacional de Desestatização (PND).A transação foi confirmada pelo site institucional da empresa.Enquanto isso, tanto o Ministério de Minas e Energia quanto a Eletrobras preferem não dar muito alarde ao assunto. De acordo com a assessoria de comunicação do ministério, o trâmite da venda do controle da distribuidora passa diretamente pela Eletrobras, sendo assim, não pode se declarar sobre o assunto.

Questionada, a matriz da estatal, no Rio de Janeiro, por meio de nota, destacou que “o Conselho de Administração da Eletrobras está avaliando a situação de todas as suas distribuidoras. Assim que tiver decidido sobre o futuro dessas empresas, comunicará ao mercado pelos canais institucionais pertinentes”.Já a assessoria em Alagoas informou que ainda não foi notificada sobre o tema. E assegurou que, por enquanto, as notícias da concessão ainda não amedrontam os funcionários.Segundo o diretor do Sindicato dos trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Alagoas (Urbanitários), José Cícero da Silva, a venda da Eletrobras é antiga. “Isso se fala há muito tempo. Em governos anteriores fizeram de tudo para a Ceal ficar sucateada e ser vendida”, desabafou.“Pelo menos a ‘deram’ para o governo federal.

Não sei nada sobre a venda, o que sei é que estão fazendo uma reformulação para que a empresa recomece a caminhar com suas próprias pernas. É uma meta para os próximos dois anos”, disse Silva.Os contratos de concessão do sistema Eletrobras devem vencer em julho deste ano.  Há dezoito anos, no auge da crise no Governo Divaldo Suruagy, a companhia foi entregue a Eletrobras como garantia de socorro financeiro a Alagoas.


PARALISAÇÃO

Esta semana, funcionários da Eletrobras em Alagoas e da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) fizeram, a partir da segunda-feira, 11, uma suspensão das atividades de 72 horas. De acordo com os Urbanitários, a reivindicação é nacional em protesto contra o não pagamento da Participação nos Lucros e Resultado (PLR) de 2014. O sindicato informou à imprensa que a Eletrobras solicitou prazo até a próxima semana negociar uma proposta com os trabalhadores.Cerca de 30% dos serviços foram preservados durante a paralisação.


NOVAS CONCESSÕES

A renovação das concessões de distribuição de energia não vai prever a cobrança de outorga, como queria o Ministério da Fazenda. O plano do ministro Joaquim Levy era usar a renovação dos contratos, que vencem a partir de julho, para melhorar as contas do governo.

No entanto, a cúpula do setor elétrico e os agentes de mercado conseguiram manter o plano original. Como a outorga seria repassada ao consumidor, isso geraria um novo aumento nas tarifas.Um decreto que trata das renovações de 41 distribuidoras prevê que sejam exigidas das empresas apenas as metas de qualidade e melhoria dos serviços prestados à população, bem como as metas que resultem na melhoria da situação financeira das empresas.A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) poderá exigir até que os sócios das empresas façam aportes financeiros para atingir esses indicadores. As distribuidoras terão cinco anos para se adequarem.

Aquelas que não se enquadrarem nas regras podem perder a concessão.A decisão agrada a agentes de distribuição e também ao Grupo Eletrobras, ao abrir espaço para a estatal vender suas distribuidoras de energia. Isso porque as empresas que não conseguirem cumprir os objetivos traçados pela Aneel não perderão a concessão, desde que apresentem um plano de troca de controle societário.Com isso, o decreto livra o Tesouro de fazer um aporte de capital na Eletrobras para sanar as distribuidoras e, de quebra, a União pode ser beneficiada com os dividendos da venda das empresas.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia