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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 821 / 2015

20/05/2015 - 20:25:00

A Democracia e a Democracia à brasileira

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

A palavra Democracia é daquelas mais usadas mundialmente desde as Revoluções Francesa e Americana do século XVIII, principalmente nos momentos de crises, e disso a humanidade tem tido bastante. No Brasil não tem sido diferente, e o termo tem se vulgarizado, por dá cá minha palha utilizado a propósito de tudo, às vezes inapropriada ou insinceramente.

Mas, será que temos a exata percepção do que seja Democracia?A palavra é de etimologia grega, mas não é a origem do termo que move esta crônica, e sim a substância do seu significado. Então vamos perquirir um pouco sobre isso. Antes dos gregos não se conhecia a forma democrática de governo, portanto a Democracia e uma criação helênica, esquecida na Idade Média e efetivamente restabelecida no já referido Sec. XVIII. Malgrado criação e modus vivendi gregos, não pensemos que sua aceitação tenha sido pacífica pelos Pensadores clássicos, Aristóteles foi o seu maior crítico naquele período, considerando-a desaconselhável por ser, junto com a tirania, uma forma má de governo, pois acabava por submeter o povo à manipulação dos demagogos.

De sua origem até os dias atuais tem sofrido modificações profundas, ao ponto de podermos assinalar que da forma original hoje resta apenas o sentido etimológico, ou seja, ainda é entendida como sendo o governo do povo, bem como, em maus governos, acaba por permitir a manipulação desse mesmo povo por maus políticos.

Talvez por isso, Churchill não a tenha poupado de ácida crítica, considerando-a “a pior forma de governo, com exceção das demais que se tem tentado de vez em quando.” Abstraindo-nos da ironia churchilliana, e aceitando, então, a Democracia como a melhor forma de governo, ainda que seja dentre as piores, vamos encontrar em Lincoln, então presidente americano (1861 a 1865), em o famoso discurso de Gettysburg (19/11/1863), o seu mais apropriado conceito: governo do povo, pelo povo e para o povo.

Essas três singelas e singulares frases deveriam estar grafadas a cinzel nas mentes de todos os cidadãos e, também necessária e prioritariamente, nas daqueles que nos representam como integrantes dos Poderes da República. Lamentavelmente, e os renitentes fatos políticos brasileiros atuais o comprovam, o que menos é considerado na Democracia brasileira é o Povo, os governantes e demais políticos atuando alheados de vinculação com os interesses e necessidades dos cidadãos.

Como pode servir ao Povo e à cidadania a espetacular, por exagerada, criação de ministérios, órgãos, cargos e funções sob os auspícios de mal enjambrada coalisão que serve apenas às negociatas? Ou os embates entre os detentores do poder político movidos tão só por interesses pessoais, subalternos e espúrios? Ou as mentiras pespegadas aos incautos eleitores, notadamente nos períodos eleitorais, mas também durante todo o exercício do poder? Ou ainda os discursos vazios, insinceros, recheados de demagogias travestidas de belas frases e pensamentos, como soem ser produzidos por nossos políticos?Todavia, tudo de humano é dinâmico, vive em eterna ebulição evolutiva.

Assim, essa democracia à brasileira, embora os políticos estultamente insistam nas mesmas práticas enganosas, vem sendo reformulada pelo povo nas ruas, nos apartamentos ou nos barracos dos menos favorecidos, por silêncios constrangidos ou pela voz rouca dos insatisfeitos e pelos panelaços incômodos. Que essas manifestações permaneçam ativas e evoluam para o voto cidadão consciente e verdadeiramente livre, quando o governo do povo será efetivamente exercido pelo povo e para o povo.

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