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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 820 / 2015

14/05/2015 - 18:26:00

Perdi uma grande amiga

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Ainda não consegui entender os mistérios da morte. Não sei para onde vamos, nem se voltamos um dia. A primeira vez que senti a perda de um ente querido tinha 14 anos, quando faleceu minha avó paterna; percebi uma escuridão infinita pela frente.Nos idos de 50/60 conheci Elaine, quando começamos a trabalhar na Assembleia Legislativa de Alagoas. Íamos juntas ao trabalho e sempre tínhamos assuntos para debater.

Já em 60 começamos a falar em casamento. Namorávamos de longe; ela com Abel e eu com Rubião e fazíamos planos grandiosos para o nosso futuro.  Por força da profissão de meu marido, saí de Alagoas durante anos, sempre cedida a órgãos estaduais e federais. Mas quando voltava a Maceió mantínhamos contato e procurávamos saber da vida, uma da outra.Fomos caminhando pelo mundo, os filhos nascendo, alegrias e tristezas sendo administradas.

Depois de alguns anos, voltei a morar em Maceió e regressei ao trabalho na ALE. E lá estava a velha amiga, sempre presente, aconselhando-me, se me achava arisca demais : “Calma, Lara (como me chamava carinhosamente), o ambiente é perigoso, pise devagar!”Éramos um grupo forte de verdadeiras amigas, ao invés de simples colegas de trabalho.Os filhos foram crescendo, trazendo os netos para alegria nossa.

De vez em quando, uma das duas enfrentava algum problema sério e, automaticamente, nos encontrávamos e conversávamos abertamente sobre o assunto.Lembro-me de que, quando voltei definitivamente para Alagoas, fui ver o novo apartamento que o filho Eraldo havia decorado. Foi uma tarde maravilhosa e ela me dizia: “Está vendo, Lara, como Deus é bondoso comigo?” E eu dizia loucuras; ríamos as duas como verdadeiras amigas!Com a Constituição de 89 podemos fundar o nosso sindicato. E lá vou eu para a luta de classe, já com quase 50 anos.

Quando precisava descansar, ia procurá-la no seu cantinho, para ouvir seus conselhos baseados nos fatos ocorridos na agitada Assembleia, por causa das atribulações trazidas pela vinda do duodécimo para as mãos dos deputados.E nas eleições, lá estavam ela, Selma, Clotildes, Dione, Marinete, Lícia e outras, tentando ajudar ao grupo que resistia ao autoritarismo dos dirigentes.Comecei a escrever nos jornais, mostrando à sociedade alagoana os absurdos cometidos pelas Mesas Diretoras que se sucediam e de vez em quando, parava para conversar com minha amiga.

Aposentamo-nos! Ela inaugurou o Alecrim e eu continuei minhas lutas tentando abrir as cabeças dos dirigentes. Meu refúgio passou a ser o Restaurante da Elaine. Fazíamos nossas reuniões festivas lá e almoçávamos também no Alecrim, pois além da boa comida, encontrávamos, com certeza, um bom papo.

Vieram as lutas na Justiça: os deputados cortavam nossos salários, retiravam gratificações e lá íamos nós atrás de advogados para recuperar o quinhão surrupiado pela Mesa Diretora. Em todas as ações judiciais estávamos juntas, ganhávamos juntas; ela, eu e mais trinta e tantas vítimas da política suja deste nosso pequeno Estado.Num determinado dia, soube da notícia: Elaine está doente e é grave.

Tomei um susto, chorei e minha primeira reação foi ir vê-la. Surpreendi-me! Sempre otimista, falando dos velhos tempos em que descíamos a Ladeira dos Martírios rumo ao trabalho na Praça da Catedral.Deve ter lutado com a doença durante um ano, pouco mais. Quando ia visitá-la, encontrava-a vendo o  mar da janela do seu quarto e repetia: “Viu Lara, Deus é muito bom comigo; estou doente, com todo o conforto, junto com minha família”.

Eu engolia as lágrimas e retribuía o que ela sempre me deu: um bom papo e boas gargalhadas.Por certo, Deus reservará para a querida “Laine” um bom lugar, cheio de anjos, que a façam recordar  seus quatro filhos e  seu fiel escudeiro Abel.Grande amiga: eu gosto muito de você.

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