Acompanhe nas redes sociais:

20 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 820 / 2015

14/05/2015 - 11:42:00

JORGE OLIVEIRA

Lula é investigado pelo MP

Roma, Itália - Afirmei em artigo durante as eleições do ano passado que Lula, em algum momento, teria deixado a Dilma sozinha na campanha quando ela achou que teria condição de ganhar sozinha, sem precisar do  prestígio do ex-presidente junto ao povão do Bolsa Família. Arrisquei a dizer aqui, inclusive, que Lula estaria torcendo pela vitória do Aécio para voltar ao governo depois nos braços do povo. Ele achava que o tucano não iria administrar o caos da herança maldita. O fracasso do Aécio seria, portanto, a porta de entrada de Lula na presidência novamente. Pois bem, Lula abandonou a estratégia quando foi aconselhado a não deixar o PT perder o poder, risco que poderia levar ele e seus companheiros para a cadeia. Assim, a Dilma desceu goela abaixo do ex-presidente e agora amarga um isolamento político jamais visto na história do país.

A matéria da revista Época desta semana de que o núcleo de combate à corrupção da Procuradoria da República de Brasília abriu investigação contra Lula por tráfico de influência internacional e no Brasil joga o ex-presidente nas cordas e enfraquece o seu sonho do terceiro mandato. O MP quer provar que Lula beneficiou a Odebrecht quando virou seu lobista de luxo ao deixar o governo. Viajou em jatos particular da empresa para países que depois receberam financiamentos do BNDES para obras públicas.

O MP cita como exemplos Cuba, Venezuela, Gama, Angola e República Dominicana como beneficiados. Os governos desses países, dominados por déspotas sanguinários, de regime fechado, receberam US$ 4,1 bilhões do banco enquanto a Odebrecht manteve Lula como seu principal intermediário nos negócios.O BNDES escancarou as portas para esses países. Luciano Coutinho, presidente do banco, tinha receio de perder o cargo. Além disso, sabia que no governo da Dilma quem manda é Lula & Companhia.

As viagens do ex-presidente para os países beneficiados eram disfarçadas por convites para palestras, artifício usado na lavagem de dinheiro. Em alguns deles – imagine! – Lula chegou a receber títulos de Doutor Honoris Causa só oferecido a personagens que se destacaram no mundo da ciência e da educação. As empreiteiras viram no ex-presidente a chance de encher os cofres de dinheiro sem que para isso precisassem prestar contas do serviço, já que o BNDES decidiu que esses empréstimos estariam protegidos por sigilo bancário.

Enquanto Lula abria as comportas do dinheiro público para obras no exterior, no Brasil fazia discurso demagogo em defesa do povão, dos desprotegidos, levando-os a adorá-lo como protetor dos mais pobres e desvalidos.Para encobrir esse lado obscuro da sua conduta de ajudante de capitalista, Lula sempre se serviu dos seus áulicos na imprensa pusilânime, bajulatória e submissa.

Cooptação

No governo, cooptou alguns dos principais cronistas políticos dos jornais e da televisão. Os que ensaiavam críticas curvavam-se depois aos empregos milionários. Criou e ainda financia blogs com dinheiro de estatais para ocultar suas trapaças e enaltecer sua personalidade. Controla com mão de ferro toda verba publicitária do governo e, em alguns momentos, chegou ameaçar a mídia com a instalação de um conselho que iria castrar a liberdade de imprensa, a exemplo do que fez seu amigo Hugo Chávez na Venezuela, numa afronta as leis vigentes do país. Foi assim, com uma parte da imprensa paga ao seu lado, que Lula vendeu a imagem de salvador da pátria. Personalista, egocêntrico, enquanto deixava seus parceiros apodrecerem na cadeia,  dava entrevista tentando convencer à população a acreditar que roubar nada mais era do que um ato de rotina dos políticos brasileiros, jogando no lixo a defesa da ética que tanto propagou antes de chegar ao governo. 

Não se bicam

Por mais que se esforcem para mostrar um relacionamento harmonioso, Lula e Dilma não se bicam. As investigações em torno do ex-presidente lava a alma da presidente que enxerga nisso um desprestígio do seu chefe, o que lhe permite sair da letargia no papel de marionete. Mesmo assim, não conseguirá controlar a bagunça do seu governo. Refém dos líderes no parlamento, Dilma não consegue se articular para sair da crise, mas por obra e graça ainda do seu chefe Lula deu, por incrível que pareça, um nó no PMDB ao transformar Michel Temer, o vice, em chefe de departamento pessoal. Temer, agora, deixa de pensar politicamente o país para tentar salvar a massa falida oferecendo cargos a militantes de partidos.


Incompetência

Dilma ri à-toa ao ver Temer agarrado à folha de pagamento em vez de pensar o país como um estadista. O PT mais cedo ou mais tarde vai espalhar que o impeachment de Dilma é uma solução perigosa porque o vice não tem competência nem para chefe de DP. Diante desse imbróglio só existe uma certeza: o Brasil, como já acusaram os ministros do STF, está sendo chefiado por uma quadrilha que se alimenta do dinheiro público como urubus na carniça. Resta, portanto, aos brasileiros ir às ruas e pedir o impeachment da presidente antes que o Brasil descambe para uma convulsão social de consequências imprevisíveis.Em tempo: em Portugal, o ex- Primeiro- Ministro José Sócrates, amigo do peito de Lula e Zé Dirceu, está na cadeia. O país agora está menos corrupto.  


Lupi, o falastrão

A declaração de Carlos Lupi, presidente do PDT, de que o “PT rouba muito” é, no mínimo, ousada para quem foi banido do Ministério do Trabalho com pesadas acusações de corrupção. A demissão ocorreu pouco depois da patética cena em que Lupi aparecia curvando-se para beijar a mão da Dilma numa solenidade no Palácio do Planalto, uma demonstração de subserviência, submissão e versão moderna da vassalagem do “Socialismo Moreno” do Brizola. Agora, o chefe do PDT, que entregou o tempo do partido para ajudar a Dilma a se reeleger em troca de favores e da manutenção de Manoel Dias no Ministério do Trabalho, ataca a jugular do PT, acusando a cúpula de roubar o país.


Rapinagem

Não resta dúvida que nesse assunto de rapinagem Lupi é uma testemunha qualificada. E quando diz que o PT é um partido de larápios, ele fala de cadeira. Afinal de contas, o PDT convive muito intimamente com a cúpula do partido do Lula e conhece bem como são feitas as trapaças e as negociatas nos ministérios e nas empresas estatais. Não faz muito tempo, a Polícia Federal invadiu o Ministério do Trabalho e arrancou de lá vários funcionários graduados envolvidos em corrupção. Até a mulher do ministro Manoel Dias foi envolvida em atos de gatunagem. Mas como a Dilma precisava reforçar com mais alguns minutinhos o seu programa eleitoral e queria desidratar o tempo de TV dos outros candidatos, não deu muita bola para o desvio das verbas públicas e manteve o PDT na maracutaia dentro do ministério.

Político menor

O Lupi nunca foi digerido por alguns parlamentares do partido. Os senadores Reguffe e Cristovam Buarque não engolem o líder. Já tentaram mudar a regra do jogo, mas Lupi mantém a hegemonia lá dentro. Para isso, ele garante Manoel Dias no ministério, de onde saem os favores para seus apaniguados do PDT. O senador Buarque reage às práticas fisiológicas do Lupi, mas continua ciscando pra dentro. É incapaz, por exemplo, de tomar uma decisão cívica como a do deputado Miro Teixeira que deixou o PDT de Lupi para não manchar sua biografia de político sério e honrado dentro do Congresso Nacional.


Beijoqueiro

O Lupi, como todos sabem, é uma figura politicamente menor dentro do PDT. No governo do PT, de quem é aliado, foi humilhado pela Dilma que, ao assumir o primeiro mandato, tentou limpar os ministros envolvidos em corrupção durante o governo do Lula. Lupi foi um dos primeiros e a ser expurgado do Ministério do Trabalho. A limpeza ética não demorou muito tempo. Menos de três meses depois, os mesmos partidos banidos do governo, voltaram a ocupar os ministérios com outros personagens por determinação de Lula que não gostou nem um pouco da atitude da Dilma e trouxe os amigos de volta ao poder. 


Degola

Os petistas já estão acostumados com os rompantes de Lupi. Mas dessa vez, ele foi longe demais, quando acusou o partido de “roubar muito” e defendeu a sua extinção. Na verdade, o presidente do PDT não está gostando nem um pouco do privilégio do PMDB no governo e quer dar um chega pra lá na Dilma. Mas, na verdade, ao fazer essas acusações aos aliados, Lupi pretende também acalmar os dissidentes pedetistas que querem se afastar da base do governo no parlamento, aliando-se ao grupo oposicionista . Ele teme ser degolado e perder a liderança dentro do seu próprio partido que ainda lhe dá sustentação financeira e o mantém vivo na política porque transformou o PDT em uma legenda de aluguel. Se levar uma rasteira e perder a boquinha, Lupi, que não tem voto, está predestinado a voltar ao mercado editorial. Ou seja: retomar a banca de revista em Copacabana onde foi descoberto por Leonel Brizola, o político que gostava de personagens folclóricos no seu “Socialismo Moreno”. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia