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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 819 / 2015

06/05/2015 - 21:48:00

PF e OAB apertam cerco ao juiz de Marechal por suspeita de corrupção

Corregedoria-geral de Justiça abre sindicância para investigar o caso e magistrado deve ser afastado de suas funções

FERNANDO ARAUJO [email protected]

A Polícia Federal ainda não fechou o inquérito que apura denúncias de corrupção contra o juiz Léo Denisson Bezerra de Almeida, titular da Comarca de Marechal Deodoro, que estaria envolvido na venda de sentenças. As investigações já foram concluídas e há fortes indícios do envolvimento do magistrado com os advogados do casal de gaúchos acusados de assassinato. Mas o inquérito só será encerrado com autorização do Tribunal de Justiça de Alagoas porque o juiz foi interceptado nas conversas gravadas pela PF, que culminaram na prisão dos advogados Júlio César Castro e Augusto Jorge Granjeiro Carnaúba.

Para investigar o caso, a PF pediu autorização judicial para quebrar o sigilo telefônico dos advogados e do casal Janadaris e Sérgio Sfredo, concedido pelo juiz Geraldo Amorim, da 17ª Vara Criminal da Capital. Durante as escutas telefônicas, o juiz Léo Denisson foi interceptado em conversas com os acusados, o que caracteriza sua participação na negociata para encerrar o processo criminal em favor de Janadaris e do marido Sérgio Sfredo, acusados de assassinato.

Pela lei, só o Tribunal de Justiça pode autorizar a quebra de sigilo telefônico de magistrados. Por isso, a PF pediu autorização ao TJ para degravar as conversas entre Léo Denisson e os acusados, e encerrar o inquérito sobre o caso, que pode culminar com a condenação do juiz, cuja pena maior é a perda do cargo.

O pedido da Polícia Federal já passou pelas mãos dos desembargadores Otávio Leão Praxedes e João Luiz Azevedo Lessa, que se averbaram suspeitos para atuar no processo, por questões de foro íntimo. Com isso a incumbência caiu no colo do desembargador Sebastião Costa Filho, que deverá descascar o abacaxi. Se também não alegar impedimento, Costa Filho deve negar o pedido da PF ou autorizar o fechamento do inquérito que revela o envolvimento do juiz Léo Denisson nesse caso de venda de sentença.


Tramóia 

Segundo apurou o jornal EXTRA, a primeira interceptação das conversas entre o juiz e os acusados ocorreu no momento em que os advogados Júlio César e Jorge Augusto Carnaúba se preparavam para receber R$ 100 mil como parte da primeira parcela dos R$ 200 mil supostamente exigidos pelo juiz para livrar o casal gaúcho de possível condenação por homicídio.  O fato ocorreu em um posto de combustíveis situado no trevo do Francês.

Antes de entregar o dinheiro, o filho do casal, Pedro, pediu a um dos advogados que ligasse para o juiz, na frente dele e em viva voz. Ele queria se certificar se o “acerto de contas” com o juiz era verdadeiro ou uma armação dos advogados para extorquir dinheiro dos acusados.  A conversa foi em códigos, mas a PF não tem dúvida do envolvimento do magistrado na tramoia. 

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