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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 819 / 2015

06/05/2015 - 19:58:00

JORGE OLIVEIRA

A cara de pau de Palocci

Cannes, França - O ex-Ministro Antonio Palocci, que comandou a economia no governo de Lula, já foi três vezes banido da vida pública por improbidade administrativa. Dos petistas envolvidos em falcatruas, Palocci é o que mais faz pose de honesto. Pose, apenas. Esconde-se sob a fachada de bom moço e de profissional competente, herança da bajulação da mídia à época em que foi ministro da economia. O tempo mostrou que Palocci não passa de mais um petista que chafurda na lama da corrupção. 

Agora, por exemplo, foi denunciado pela revista Época como responsável pela arrecadação de 12 milhões de reais para a campanha da Dilma em 2010. Indignado, escreveu uma carta aos amigos e correligionários para tentar desmentir a revista de que teria arrecadado essa dinheirama de empresas a quem ele presta serviço e que teriam sido beneficiadas depois pelo governo como a JBS, Pão de Açúcar e CAOA. Tentou desmentir os fatos mas não conseguiu esclarecer nada. Falou em “legítimas relações comerciais” com esses clientes, quando se sabe que Zé Dirceu também prestou esse tipo de consultoria às empreiteiras cujos proprietários já declararam que o dinheiro pago foi fruto do roubo da Petrobras.Essa não é a primeira vez que Palocci tenta se safar de acusações escrevendo carta.

Ele acha que o simples fato de se dirigir à população por missivas o isenta das tramoias em que se envolve. Quando foi acusado de  ter aumentado em 20 vezes seu patrimônio entre os anos de  2006 e 2010 durante o governo Lula,  o ex-ministro também usou o mesmo expediente e mais uma vez a mídia submissa curvou-se diante da explicação vazia e mentirosa dele. Nessa última carta, o ex-ministro procura esclarecer com argumentos vazios e levianos a sua relação com a CAOA.

Diz ter “prestado “serviço técnico de avaliar, esboçar plano de execução de associação com montadoras de automóveis, estudar tendências do mercado mundial do setor, oportunidades e estratégias de novos negócios”. É incrível como esses petistas viraram gênios de uma hora para outra.

O Zé Dirceu e outros comparsas também justificam como de consultoria as transferências milionárias para  suas contas o dinheiro roubado da Petrobras pelo diretor Renato Duque, seu protegido lá dentro.O método é o mesmo: eles escrevem algumas bobagens para justificar a bolada que entra nas suas contas. Paga-se o imposto sobre as notas frias emitidas e assim tentam legalizar o dinheiro da propina. Palocci antes de chegar ao Ministério da Fazenda foi prefeito de Ribeirão Preto, cidade paulista.

A sua gestão à frente do município foi permeada por escândalos, acusado de receber  à época um mensalinho de 50 mil reais da máfia do lixo. Safou-se dos processos quando virou ministro e o homem importante do governo Lula.A cara de pau de Palocci é a mesma dos seus companheiros petistas.

Na carta, ele se resguarda de revelar detalhes dos seus negócios de consultorias alegando sigilo comercial. Pede desculpas à população por não dar mais detalhes sobre os contratos alegando a existência de cláusulas de confidencialidade, mesmo argumento que usou em 2011, quando da revelação da movimentação financeira da Projeto, sua empresa, que o levou a ser demitido da chefia da Casa Civil. 

Gênios

A empresa do super Palocci age em todas as áreas. Ela é capaz de orientar ao mesmo tempo o mercado de automóveis e até o de boi. Para a JBS, a Projeto realizou “estudo de avaliação da oportunidade” para a compra da Pilgrim, maior empresa de carne processada dos EUA, “muito tempo antes” do empréstimo bilionário do BNDES à empresa. Esse pagamento à sua consultoria milionária é alvo de processo na Justiça Federal do DF.


Trapaças

Como é um dos raros escudeiros de Lula ainda solto, Palocci acha que as cartas que escreve servem de salvo conduto às suas trapaças. E revela o truque para ganhar dinheiro na maior cara de pau. Diz que a passagem por cargos importantes no governo, como o de ministro da fazenda e do Banco Central, proporciona uma grande valorização no mercado para quem os assume”. Ou seja: vende-se a preço de banana segredos de estado, principalmente aqueles que orientam a economia do país. 


Contratação da Kroll

Diante dos escândalos bilionários do PT, está passando desapercebido dos brasileiros uma decisão da Câmara dos Deputados que se pode chamar de aperitivo dentro do banquete de escândalos no Brasil. Por decisão do presidente da Casa, Eduardo Cunha, a empresa Kroll foi contratada, sem licitação, por R$ 1 milhão de reais para prestar serviço à CPI da Petrobras. A missão é vasculhar as contas dos diretores da empresa e seus intermediários envolvidos nos escândalos da corrupção. Essa empresa foi a mesma que atuou na CPI do PC Farias. Não se sabe até hoje qual foi a conclusão do seu trabalho e a contribuição dela às investigações da comissão. Sabe-se, entretanto, que na época surgiu a suspeita de que a empresa teria “molhado” a mão de alguns parlamentares para fechar o contrato.

Malandragem

O argumento do presidente da câmara para fechar o contrato com a Kroll é frágil, insustentável. A empresa vai rastrear as contas dos diretores corruptos da Petrobras e dos petistas envolvidos no escândalo durante os seis meses de trabalho da CPI. Como é especializada nesse tipo de trabalho, argumenta Eduardo Cunha, não houve necessidade de fazer licitação. Não é verdade, no Brasil existem inúmeras empresas semelhantes que poderiam fazer esse trabalho, mas pelo que se sabe nenhuma delas foi consultada. Além disso, nenhuma empresa de investigação tem acesso a contas bancárias no Brasil e no exterior. Esses sigilos só são quebrados por força judicial em parcerias com outros países, o que vem ocorrendo entre o Ministério Público brasileiro e similares lá fora.


Vigarice

A decisão de Eduardo Cunha pegou o presidente da CPI, Hugo Motta, de calças curtas. Para não passar por paspalhão ou de “marido traído” procurou justificar a contratação da Kroll alegando que ela vai tentar descobrir contas no exterior dos envolvidos no escândalo da Petrobras que eventualmente não foram reveladas pelos diretores. Caso isso aconteça, o dinheiro será repatriado.  Argumento fajuto: não se conhece na história das CPIs da Câmara dos Deputados alguma ação investigatória que tenha  levado corruptos a devolver dinheiro. Além disso, não é a função da CPI caçar dinheiro de corrupto lá fora, coisa difícil. A ela cabe concluir o relatório e enviar à Justiça que se encarrega de apurar com mais rigor tudo que foi investigado pelos parlamentares.


Escândalos

Como se pode ver, a Kroll foi empurrada goela a dentro da CPI. Como tudo isso não bastasse, os donos da empresa já estiveram envolvidos em vários escândalos no Brasil por interferência indevida em assuntos internos. A empresa esteve enrolada no caso do banqueiro Daniel Dantas, quando invadiu a privacidade dos seus adversários. Seus diretores responderam processo. Em 2004, no governo Lula,  interceptou mensagens digitais do então Ministro da Comunicação Social, Luiz Gushiken e gravou imagens do ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb num encontro reservado dele com representantes da Telecom Itália em Lisboa.


Collorido

Além disso, não se conhece até hoje qualquer tipo de contribuição que a Krool teria dado a CPI do PC Farias até porque os relatórios – se foram feitos à época – nunca foram divulgados. Ora, se Eduardo Cunha – que foi um dos homens do governo Collor no Rio de Janeiro – contratou a Krool por ingenuidade ou por influência de lobistas ligados à empresa, ainda está em tempo de quebrar o contrato. Afinal de contas, um pais que tem a sorte de ter um juiz como Sergio Moro e sua equipe à frente dessas investigações, não precisa de birô de detetives estrangeiros para descobrir o que esses homens, com coragem e civismo, estão revelando para o Brasil. O mais grave também é levar para dentro de uma CPI, que teria por princípio investigar delitos, uma empresa que já esteve na mira da Justiça por crimes de invasão de privacidade, entre outros.

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