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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 818 / 2015

29/04/2015 - 14:42:00

JORGE OLIVEIRA

Brasil acordou mais honesto

Paris, França – O depoimento cínico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, à CPI que apura a corrupção na Petrobras, a sua permanência na função e as provas de que ele era o intermediário do dinheiro roubado da empresa pesaram na hora do juiz Sergio Moro decidir sobre a sua prisão.

Pelo menos é isso que se pode deduzir da entrevista do magistrado para explicar o recolhimento do tesoureiro ao xadrez da Polícia Federal: “Não se trata aqui de exigir seu afastamento voluntário ou o afastamento pela agremiação partidária, presumindo a culpa antes do julgamento, mas constatar que, mesmo diante de acusações graves, persistiu ele, sem abalo, na referida posição de poder e que lhe confere grande influência política.

” Amparado por uma liminar do ministro do STF, Teori Zavascki, que o desobrigava de falar a verdade, Vaccari debochou dos parlamentares quando negou todas as acusações das propinas que teria recebido ao longo dos últimos anos para financiar as duas campanhas da Dilma, segundo confessaram à Justiça os diretores da empresa na delação premiada.

Preso, Vaccari já foi entregue às traças pelos companheiros que o destituíram da tesouraria do partido.Mas a cúpula do PT está preocupada quanto as revelações do tesoureiro no processo que apura o desvio do dinheiro roubado da Petrobras para a campanha da presidente.  

Fragilizado com a prisão que envolveu também a sua mulher e a cunhada acusadas de enriquecimento ilícito, não se pode prever até onde vai a lealdade de Vaccari ao partido já que agora está sozinho. Se não suportar a pressão do MP e da PF e resolver abrir o bico, suas revelações podem alcançar a Dilma e engordar as provas de que o dinheiro roubado foi parar realmente nas contas da campanha da presidente, indícios que ainda faltam para provocar o início do processo do impeachment. Ao contrário do que ocorreu com Delúbio Soares, o primeiro tesoureiro do PT condenado por corrupção, dessa vez o caso é mais sério.

Vaccari envolveu a família – a mulher, a filha e a cunhada – nas suas trapaças. Para proteger os familiares, pode facilitar o trabalho do Ministério Público confessando o que todo mundo já sabe: o dinheiro roubado da Petrobras foi parar na campanha eleitoral da Dilma. Delúbio segurou o tranco porque recebeu a garantia dos companheiros de que voltaria ao PT, mas aos poucos se afasta definitivamente do partido que o deixou a pão e água dentro do presídio, a exemplo do que faz com todos os outros que caem em desgraça.

Mafiosos

Os petistas flagrados com a mão na botija, têm agido como verdadeiros mafiosos. Em troca do silêncio recebem benefícios indiretos dos companheiros que ocupam cargos no governo. Assim, os chefes da organização criminosa podem gozar de liberdade e da impunidade enquanto a configuração atual do STF lhes for favorável. Isso, porém, pode acabar. O juiz Sergio Moro aproxima-se estrategicamente dos cabeças da máfia, apertando o cerco de todos os lados. A prisão de Vaccari deixa os chefes nervosos e apreensivos. A qualquer momento a Polícia Federal pode bater à porta deles, inclusive na de alguns que já foram condenados no mensalão, como o Zé Dirceu, por exemplo.

CPI de araque

A prisão do tesoureiro do PT deixa outra certeza: a CPI instalada para apurar o desvio bilionário do dinheiro da Petrobras até agora não contribuiu em nada para abrir a caixa preta dos subornos. O trabalho que está passando o Brasil a limpo é o do juiz Sergio Moro e da sua equipe, homens públicos, desassombrados, que pretendem chegar ao fim da linha salvaguardando os interesses do povo brasileiro que viu uma quadrilha ocupar o governo e dilapidar o patrimônio público para se perpetuar no poder. As CPIs, como já disse aqui, servem apenas para alguns manipularem o governo em troca das benesses que o poder oferece. O resto é conto da carochinha. A verdade é que com a prisão do tesoureiro do PT, o Brasil acordou mais honesto.


Destaque nas TVs

A imprensa europeia não gasta muito espaço com a crise brasileira. Uma vez ou outra faz menções à crise econômica ou à corrupção que derreteu os ativos da Petrobras sob o comando do PT. Mas no último final de semana as TVs francesas deram um bom destaque às manifestações de ruas que pediam o impeachment da Dilma com imagens do Rio e de São Paulo. Pela primeira vez, os comentaristas políticos e os correspondentes dos jornais não acusaram a direita pelo “Fora Dilma”, certamente convencidos de que os movimentos contra o governo do PT – que já alcançaram os 3,5 milhões de pessoas -  têm sido espontâneos.


Mais um petista

A notícia que mais repercutiu por aqui foi a prisão do ex-secretário de Comunicação do PT, o ex-deputado cassado André Vargas, que teve seus cinco minutos de fama quando ergueu os punhos para afrontar o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, que participava de uma solenidade quando Vargas era vice-presidente da Câmara dos Deputados. Ele pretendia constranger o ministro, responsável pelo processo que levou os mensaleiros para a cadeia.

Arrogância

A exemplo dos mensaleiros, que se achavam acima do bem e do mal quando estavam aboletados em cargos no governo ou no parlamento, Vargas é mais um dos quadros petistas que é arrancado de casa pela Polícia Federal para a residência provisória da cadeia no Paraná. Antes, porém, foi humilhado pelos companheiros que o jogaram na sarjeta cassando-lhe o mandato de deputado. O ex-deputado que lutou pelo “volta Lula”, contrariando o desejo de Dilma, agora precisa esclarecer à Polícia Federal suas relações com as agências de publicidade, o marketing da Caixa Econômica e outros órgãos do governo de onde ele e seu irmão recebiam as propinas.


Guerreiro

André Vargas é mais um exemplo de como o PT administra o país e como escolhe seus integrantes para ocupar funções dentro do partido. O ex-deputado sempre esteve à frente da comunicação petista com o apoio de Lula. Aguerrido, defendeu com unhas e dentes todas as ações do PT dentro e fora do parlamento até cair em desgraça e se sentir sozinho. Quando a guilhotina foi armada para decepar seu pescoço, ainda tentou uma reação ameaçando botar pra fora os podres que conhecia dentro do partido, quando foi silenciado pelo golpe mortal da cassação que o deixou vulnerável às garras da Justiça.


PT acabou

É assim que funciona o PT sob a orientação de Lula. Se não fizer a coisa bem feita, vai para o pelourinho. Pouca gente prestou atenção às declarações do presidiário João Paulo Cunha, mensaleiro, ex-presidente da Câmara dos Deputados, ao ser beneficiado com a prisão albergue – aquela que o preso trabalha de dia e volta para dormir no presídio. Ele disse com todas as letras que o “PT acabou, precisa ser reinventado”. Isso mesmo, um dos principais quadros do partido anuncia a sua extinção por considerar a sua agremiação um risco à estabilidade política do país. João Paulo sabe o que fala. Foi condenado como um dos homens que articulava a corrupção com o empresário Marcos Valério que curte uma condenação de 40 anos.


Na cadeia

Esses petistas, que até então gozavam de imenso prestígio dentro do partido, a exemplo de João Paulo Cunha e Zé Dirceu, só foram para a cadeia porque o Ministério Público não se acovardou, como vem fazendo também com a Lava Jato prendendo políticos e empresários até então intocáveis.  Se os brasileiros dependessem das CPIs instaladas pelos parlamentares para ver esses senhores na cadeia, jamais assistiriam tal cena. Essas comissões, na verdade, servem para os aliados chantagearem o governo.  Sempre foi assim e assim será desde que existe parlamento, não é Cunha? 

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