Acompanhe nas redes sociais:

23 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 817 / 2015

21/04/2015 - 15:06:00

Quando la nave sta per sfondarsi...

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

Aprecio a Itália. Cativam-me sua história, suas comidas, seus vinhos, sua sonora língua. Esse apreço tenho-o desde a pré-adolescência, desde quando tive contato com o latim e com a história da Roma clássica. Por isso, perdoem-me os leitores o título. Não o produzi por esnobismo, mas por ter recordado o filme de Felline: E la nave va. Como ninguém é obrigado a conhecer a língua italiana, permito-me a livre tradução ou linguajar simbólico: QUANDO A NAVE ESTÁ PARA AFUNDAR.

Claro que poderia ter utilizado a nossa amada língua pátria. Mas, em italiano o título fica mais sonoro, adquire uma certa suavidade misteriosa, perde a crueza do desastre que anuncia.O navio que está para afundar, digo logo, na crônica não será a nave de Felline, mas a do governo Dilma, levando junto o PT e os aliados perenes, de ocasião, ou circunstanciais. Durante as eleições e até há pouco tempo tudo era euforia: “o projeto governista era o melhor para o povo”.

A presidente fora reeleita, e na sua esteira muitos foram os candidatos, nas eleições majoritárias ou proporcionais, também eleitos ou reeleitos. Ávidos por acostarem-se ao poder, políticos que tradicionalmente detestavam o PT, e despertavam recíproco sentimento nos petistas, já vinham acenando rapapés, e afinal a eles renderam-se, para o líder maior do petismo, o indefectível Lula, e para Dilma, a Presidente. Democrática festa da desfaçatez!O quadro em nossa Alagoas não foi diferente do resto do País.

Aqui como lá era estranho, e por isso mesmo incômodo, ver políticos outrora desprezados pelas esquerdas - o PT à frente sempre aguerrido e inconsútil, íntegro – agora considerados importantes para o projeto político do petismo. Quem fora, para os esquerdistas, retrógrados pais ou filhos do atraso, agora eram progressistas, líderes-acólitos (se é possível o paradoxo) de um novo tempo. E para esses, os antes achincalhados esquerdistas eram reconhecidos grandes patriotas de uma nova Pátria.  Afinal, para se ganhar uma eleição tudo é válido, no conceito de política apregoado pelos oportunistas. 

A lua-de-mel não resistiu à voz das ruas, essa voz ora rouca, ora altissonante, capaz de reconhecer os próprios erros, e de levar à catálise os que erraram. Essa voz, quando produz consequências, é sempre pressurosamente ouvida pelos insinceros, aqueles que vivem dos oportunismos, altamente sensíveis à maré do momento. A corrupção desenfreada, os desmandos do governo, o descalabro, as mentiras do poder, tudo isso já existia e era sabido por todos os pressurosos acólitos que se aproveitavam da onda petista. Muitos até de tudo participaram, sabe-se hoje. Mas, à época o povo ainda não despertara da modorra, não se manifestara no repúdio, os índices de aprovação do governo mantinham-se altos.

Uma beleza ilusória. Repentinamente tudo mudou. O povo acordou e foi às ruas, praças e avenidas; as cidades encheram-se de protestos. A governante e seu governo, atarantados, perderam apoio popular, os índices de desaprovação subiram às alturas. Percebe-se que a realidade agora é outra: os oportunistas usam as tribunas para as críticas ao Governo, cada vez mais contundentes, pisoteando um cadáver insepulto. Perfazem aquela previsão do dito popular: quando o navio afunda, os ratos são os primeiros a abandoná-lo. E la nave va a sfondarsi. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia