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Edição nº 816 / 2015

15/04/2015 - 18:57:00

Diretórios do PP querem afastar Executiva Nacional

Presidente da legenda em Alagoas, Biu de Lira e o filho Arthur estão entre os 32 políticos da sigla investigados na Lava Jato

José Martins Especial para o EXTRA

Diretórios do Partido Progressista (PP) de estados do Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país criaram uma corrente para defender a saída de políticos da legenda que são investigados por envolvimento em esquemas de corrupção nas operações Zelotes e Lava Jato, ambas instauradas pela Polícia Federal.

A repulsa veio a público em reportagem publicada no dia 3 deste mês no periódico O Estado de S. Paulo.Dos 32 políticos da sigla partidária que são alvo de apurações sobre desvios na Petrobras, 26 pertencem à Executiva Nacional do PP. Entre eles estão o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), e o 1º vice-presidente (licenciado), Mário Negromonte (BA). O presidente regional do partido em Alagoas, senador Benedito de Lira, não escapou da investigação que apura corrupção na petrolífera, assim como seu filho, o deputado federal Arthur Lira, primeiro vice-presidente da legenda.

Enquanto os diretórios de Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul se organizam contra os suspeitos dos cargos que comandam a legenda, parece que a insatisfação e a preocupação com o futuro da legenda ainda não chegaram às terras alagoanas. Questionado sobre a mobilização de outros estados, Benedito de Lira declarou, via assessoria de imprensa, que não debateria hipóteses.O senador também deu a mesma resposta quanto ao fato de ter sido citado pela investigação da Lava Jato, já que, conforme a assessoria, Benedito de Lira tem a garantia da presidência do PP, em Alagoas, até setembro deste ano. Se por um lado o diretório alagoano não omite opinião, no Sul do Brasil a história é diferente.

Celso Bernardi, presidente do PP gaúcho, afirmou que o partido se sente “desconfortável” com o envolvimento da cúpula da legenda nos principais esquemas de corrupção e diz ser contra a atual direção. De acordo com Bernardi, é a hora de separar “o joio do trigo” na sigla.“O partido está desconfortável com isso e quer novos caminhos e novos nomes para dirigir o partido em nível nacional”, disse. “A instituição não pode ser vítima do processo. Temos que lutar dentro do partido para separar o joio do trigo”, analisou o dirigente estadual. Os diretórios se rebelaram ainda contra decisão tomada pela direção partidária de adiar em até seis meses o próprio mandato que acaba no próximo dia 15.


CONVENÇÃO NACIONAL

A assessoria de Benedito de Lira informou que a Convenção Nacional do PP está convocada para o dia 14 deste mês, em Brasília. O edital foi publicado no dia 7 no Diário Oficial da União. Conforme o deputado federal Esperidião Amin (PP-SC), o adiamento só poderia acontecer para coincidir com calendário eleitoral. “O que não é o caso”, declarou.Para o parlamentar, a justificativa que a Executiva Nacional usou para prorrogar o mandato - a investigação de lideranças na Operação Lava Jato - também pode ser usada para se pedir a alteração da diretoria. “É inegável que os pedidos de investigação causaram mal-estar no partido”.Seguindo este raciocínio, Biu de Lira e o filho devem igualmente ser afastados do comando do partido em Alagoas.

Os mandatos do senador como presidente estadual do PP e de Arthur como primeiro vice-presidente se encerram no dia 31 de agosto próximo e é quase certo que eles não sejam mantidos na liderança da legenda face as investigações da Lava Jato. Além de ter uma coleção de suspeitos na operação Lava Jato, o Partido Progressista entrou também na mira da Operação Zelotes.

A força-tarefa da Polícia Federal apura eventuais malfeitos dentro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão que funciona como uma espécie de “tribunal” para julgar recursos de contribuintes em débito com a Receita.A polícia apura dívida tributária do PP da ordem de R$ 10,7 milhões. Pela lei, partidos têm imunidade tributária e não pagam impostos, mas há exceções, como no caso de rejeição de contas pela Justiça Eleitoral. Diretórios da legenda sofreram reprovação nos últimos anos. Um dos investigados na Zelotes é o conselheiro do Carf Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, pai do líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PE).


LISTA DE JANOT

Os nomes do senador Benedito de Lira e do deputado federal Arthur Lira foram mencionados no dia 6 de março na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O senador foi acusado de receber R$ 1 milhão para a campanha política de 2010. O valor teria saído da cota do PP e seria decorrente de sobrepreços em contratos da Petrobras. As despesas de campanha de Arthur Lira também seriam provenientes do mesmo esquema.

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