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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 816 / 2015

15/04/2015 - 08:51:00

Smartphones se transformam em vilões para o aprendizado

Tramitam na Assembleia Legislativa e Câmara de Maceió projetos de lei que proíbem o uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula

João Mousinho [email protected]

As variantes comportamentais do uso de aparelhos eletrônicos começam a interferir radicalmente na vida de cada cidadão. É inegável que os smartphones e seus aplicativos revolucionaram a forma de se comunicar e trabalhar em diversos setores da sociedade. Mas toda essa tecnologia e acesso a diversas informações instantâneas multimídias começam a dar sinais negativos em sala de aula.

Diversos professores alagoanos que encabeçam o Movimento Renovação e Luta e a campanha “Sou Professor com orgulho e exijo respeito”, liderados pelo professor Eduardo Vasconcelos, vice-presidente do Sindicato dos Professores de Alagoas (Sinpro/AL), apresentaram ao deputado Ronaldo Medeiros (PT) e ao vereador Wilson Júnior (PDT) o projeto que proíbe o uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula.

Os projetos de lei estão tramitando na Assembleia Legislativa e na Câmara de Maceió, que já possui um PL no mesmo sentido de autoria do pastor João Luiz (DEM), atualmente deputado estadual, mas que restringe o uso total dos aparelhos.O uso desregrado de smartphones, tablets e ipads os mais utilizados por estudantes, tanto de ensino médio, fundamental e alguns casos até infantil, em sala de aula, vem prejudicando a capacidade de aprendizado e concentração.

“Os aparelhos eletrônicos são importantes de forma orientada pelo educador no processo ensino-aprendizagem; ao contrário disso gera conflitos no ambiente de ensino”, destacou Eduardo Vasconcelos.Eduardo acrescenta que a campanha “Sou professor com orgulho e exijo respeito” não é contra a proibição das tecnologias, mas sim a favor da utilização consciente e moderada. “Proibir o uso para fins não didáticos não é retrocesso, mas limitar todo uso sim.

Pesquisas em site de buscas, consultas a dicionários, vídeos no Youtube no contexto do conteúdo, ensino da criação e utilização de ferramentas como blogs são alguns dos exemplos bons que a tecnologia nos proporciona”.Alguns professores contaram que há 10 anos os alunos que geravam problemas eram aqueles que mantinha conversas paralelas na sala de aula, faziam algazarras em ambiente escolar; hoje as conversas acontecem silenciosamente através do aplicativo para smartphones whatsapp, conhecido por muitos como zap-zap. Diálogos escritos, sonoros, fotos e vídeos formam o quarteto da distração e do infortúnio causado quase sempre entre professor e aluno.

A estudante do 2º ano do ensino médio Camila de Aguiar Calheiros conversou com a reportagem do jornal EXTRA sobre as questões da proibição da tecnologia e seu comportamento em sala de aula. “Levo a minha vida educacional de forma disciplinada, pois almejo passar no vestibular de medicina, um dos mais concorridos do país. Faço o uso do meu smartphone na hora do intervalo e no momento da saída, quando me comunico com meus pais.

Acho que é uma questão muito mais de educação do que de proibição”.A mãe da estudante, Rosa Aguiar, também se posicionou sobre o tema: “Nem todos os jovens possuem a mesma formação e a oportunidade na vida. Acredito que a limitação desses eletrônicos em sala de aula seja salutar. As crianças e os adolescentes, muitas vezes, não sabem lidar com a liberdade que lhes é dada. Acredito que esses projetos de leis sejam úteis nos dias atuais”.


Realidade perversa

“Chamo a atenção quando é necessário, digo que é importante que prestem atenção, mas não me dão ouvidos. Me xingam e permanecem no uso do  smartphone.  Parece que alguns alunos entram em transe com o celular,  ficam em um mundo completamente distante. É um cenário preocupante”, destacou uma professora de rede pública de ensino.A mesma professora, que preferiu não se identificar por temer represálias, revelou que a realidade da falta de compromisso e da falta de educação entre alunos das redes pública e privada é a mesma. “Dou aula em escola estadual, onde já fui agredida verbalmente inúmeras vezes por problemas de uso de telefone; a mesma situação ocorreu por outras oportunidades em duas escolas privadas em que também dou aula.

Mas quando o caso é levado à direção nada é feito, pois os responsáveis pelo aluno pagam o colégio em dia, além de muitos pais irem até a coordenação da instituição amenizar o deplorável comportamento do seu filho”, desabafou a educadora.O professor Eduardo Vasconcelos disse que a campanha “Sou professor com orgulho e exijo respeito” será ampliada e adiantou que outros temas polêmicos devem ser debatidos entre a categoria e a sociedade de uma forma geral. “Os professores estão perdendo a saúde e tendo problemas psicológicos por várias variantes e complicações em sala de aula. É hora de medidas práticas para mudar a realidade da educação em Alagoas”, finalizou.

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