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22 de Novembro de 2018

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Edição nº 816 / 2015

15/04/2015 - 06:56:00

Governo perdulário

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

A princípio dei à crônica o título GOVERNO PRÓDIGO. O adjetivo levou-me à lembrança a parábola cristã, o que me permitiria um fecho bem com sabor de Semana Santa. Refletindo e pesando os prós e os contra, uma vez que a minha pretensão é a crítica resolvi ficar melhor o adjetivo PERDULÁRIO, como está posto. Por que isso?Ambos os termos têm significados similares, sendo um sinônimo do outro, mas apenas em certas colocações. Ambos dizem de pessoa muito gastadora, esbanjadora, dissipadora; todavia, a palavra “pródigo” tem também um outro significado mais nobre: “generoso”.

Assim, não ficaria exato usar esse último termo para um governo que nada tem de nobreza, muito menos a generosidade. Ao contrário, soube ser dissipador das riquezas nacionais, distribuindo-a entre seus membros, apaniguados e acólitos apoiadores, é razinza, rancoroso, inclemente com aqueles que se lhe opõem. Considerando isso, a qualificadora “perdulário” veste-o bem melhor. Vejamos a estroinice governamental.

Em passado recente, tão recente que parece não ter ainda passado, ampliando programas sociais herdados da era FHC, os governos petistas fizeram-no sem critérios: subsidiou combustível e energia, quando não podia fazê-lo sem sacrifício para empresas públicas e privadas, e desta forma comprometeu a excelência dos serviços; reduziu juros, estimulando o consumo, quando o cenário internacional sugeria maiores cuidados com a economia; mentiu até não mais poder sobre a escalada inflacionária. Foi de um esbanjar sem limites, agora se sabe, apenas por interesses eleitoreiros.  

Não ficou nas estroinices internas, pois ultrapassou os limites físicos do território nacional, financiando obras em países seus aliados – e comungantes da mesma natureza autoritária - como se o nosso tesouro estivesse com as burras abarrotadas de divisas. O castelo de ficção afinal ruiu, como é natural. Malgrado ainda apregoe, por si e por seus acólitos, ter transformado o País criando uma nova classe média da qual, segundo alega, a antiga teria inveja, parece não perceber que o atual conserto das mentiras anteriores está fazendo a nova classe média regredir no tempo, com dificuldade de manter seus carros, suas casas, sua economia doméstica, seus filhos nas universidades, seu lazer, etc.

Os insuspeitos índices de sua rejeição dizem isso eloquentemente. As manifestações populares não negam o desencanto, a percepção das mentiras e quejandas. Ainda mais, quando o perdulário Governo, enquanto aumenta impostos, retira benefícios, sob a mendaz desculpa da coalizão insiste em manter 39 ministérios, tão somente para satisfazer a própria gulodice dos seus, e apaziguar a ganância dos partidos que o apoiam. 

Infelizmente a estultice do governo federal faz escola. Em Alagoas, Estado pequeno e de poucos recursos, o governo deveria apartar-se das espúrias práticas de coalização federal e, como foi prometido em campanha, reduzir efetivamente o seu tamanho. Ao contrário disso, após um primeiro movimento aparentemente redutor, cria nova secretaria de Estado para atender aliados. Pratica, o governo estadual, o mesmo perdularismo federal. Infelizmente!

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