Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 816 / 2015

15/04/2015 - 06:53:00

E o Impeachment?

Maurício Pitta Promotor de Justiça e professor da UFAL

O momento político no Brasil é preocupante e estamos diante de um desafio a mais para a nossa democracia. A ideia de impeachment pode ter tantas razões quanto possíveis já que seu fundamento é essencialmente político e sua motivação pode se fundar em uma salada de fatos.

Comece pelo achincalhamento e destruição da imagem de uma multinacional antes respeitada, com a consequente desvalorização do seu patrimônio; adicione uma economia em franca desaceleração, em vias de recessão, resultado da visão populista e inconsequente do desejo de ganhar uma eleição sem se preocupar com o dia seguinte;

some a isso a incapacidade de olhar como crimes os fatos ocorridos na Petrobras e em todas as situações em que a corrupção e o enriquecimento ilícito se fizeram e fazem presentes, chamando a tudo de “maus feitos”, como se falássemos de crianças que cometeram traquinagens e não de criminosos que merecem ser punidos;

junte agora a cegueira política que teima em não reconhecer a sua própria irresponsabilidade, pondo a culpa de tudo no cenário internacional e insista na paranoia de atribuir a causa de todos os seus males aos outros; agora some a incapacidade em perceber que todos os que são seus contrários não são burgueses golpistas, mas apenas cidadãos (ãs) e contribuintes que não aceitam roubalheira e corrupção generalizadas e como pitada final acrescente a incompetência política em negociar com o Congresso.

Pronto! Confúcio já advertia que o homem superior atribui a culpa a si próprio e o homem comum atribui aos outros. A massa de pessoas que foi e retornará às ruas não se guia pelo ódio que tanto se propala, à falta de argumentos. Ela se movimenta em razão da indignação frente aos desmandos e surrupio dos cofres públicos.

Nem mesmo a retórica de que milhões saíram da pobreza por obra e graça da bondade e competência do governo se sustenta mais, quando se observa que o mesmo fenômeno ocorreu, à mesma época, em vários outros países, o que desmonta a falácia da competência tupiniquim. O discurso faliu, caiu por terra e a realidade se impôs.Bom, e o impeachment? Três perguntas me assaltam:

1. Vamos promover o impedimento de todo presidente cujo governo seja incompetente e que nele haja corrupção?

2. Se sim, há alguma comprovação da participação direta e responsável da presidente nos crimes ocorridos em seu período de governo? 3. E por fim, a assunção do vice resolverá a questão? 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia