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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 815 / 2015

08/04/2015 - 20:42:00

Dono da Águas do Agreste é preso pela Operação Lava Jato

Concessionária abastece dez cidades de Alagoas; empresa diz que cumprirá contrato

José Martins Especial para o EXTRA

A cada semana aumenta a lista de investigados e detidos pela Polícia Federal por meio da Operação Lava Jato. Um dos alvos da vez é a empresa Galvão Engenharia e Galvão Participações, cujo presidente, Dario de Queiroz Galvão Filho, foi preso na última sexta-feira, dia 27 de março.Suspeito de participar do esquema de corrupção na Petrobras, o empresário é dono de 66,58% das ações da CAB Ambiental, concessionária que presta serviços de abastecimento de água em dez cidades do interior de Alagoas.

 

O restante do capital da empresa vem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (BNDESPar), que, ao se tornar sócio em 2012, assumiu parcela de 33,42% do negócio.As empresas Galvão Engenharia e Galvão Participações, vinculadas ao Grupo Galvão, apresentaram em março à Justiça do Rio de Janeiro o pedido de recuperação judicial.

 

Em nota, informaram que serão tomadas “todas as medidas necessárias ao restabelecimento das condições operacionais e financeiras” das empresas e, no tempo mais breve possível, o grupo retornará “plenamente” às atividades.A CAB Ambiental informou à reportagem do EXTRA Alagoas que, apesar da prisão do sócio majoritário do grupo, o serviço de abastecimento não ficará comprometido em terras alagoanas.“Como publicado no site do Grupo Galvão, o pedido de Recuperação Judicial não inclui a CAB Ambiental, subsidiária com gestão independente que atua em 18 operações de cinco estados e que continuam a funcionar normalmente, prestando serviços à população e cumprindo os compromissos contratuais”, destacou via assessoria.

 


O CONTRATO

 

A CAB Ambiental entrou com a promessa de implantar e operar sistema de abastecimento de água para resolver problemas de falta d’água em 10 municípios do Agreste alagoano. São eles: Arapiraca, São Brás, Campo Grande, Olho d’Água Grande, Feira Grande, Girau do Ponciano, Lagoa da Canoa, Coité do Nóia, Craíbas e Igaci. No total, as cidades representam uma população de 250 mil pessoas

 

.O contrato para a concessão de 30 anos foi assinado em 2012, na época, pelo governador Teotonio Vilela Filho. Após a assinatura, a empresa ficou denominada como CAB Águas do Agreste. Conforme a Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas), a concessão administrativa com a Águas do Agreste tem três metas específicas.

 

A concessionária deve construir, gerir e operar o Novo Sistema Adutor do Agreste, planejado para iniciar no município de Traipu e terminar no município de Arapiraca, manter o Sistema Coletivo do Agreste existente e realizar serviços complementares relativos à leitura de hidrômetros, fiscalização e cobrança dos municípios.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Alagoas (Urbanitários), Nestor Silva, o prejuízo da CAB Ambiental a Alagoas já foi feito desde o momento da assinatura do contrato com o Governo do Estado. “Nem precisamos nos pronunciar sobre esse envolvimento. Lembro que na época fizemos campanha contra a concessão. A CAB Ambiental assumiu propondo uma meta que não poderia cumprir”, destacou.

A CAB tem também uma parceria público-privada (PPP) de esgoto com o município paulista de Guaratinguetá, além de contratos de concessão nos Estados de São Paulo (Palestina, Mirassol, Castilho, Andradina e Piquete), no Mato Grosso (Cuiabá, Alta Floresta, Canarana, Colíder, Comodoro e Pontes e Lacerda), em Santa Catarina (Itapoá e Tubarão), e Paraná (Paranaguá).


LAVA JATO

Dario foi preso em casa, em São Paulo. Além da prisão ordenada pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava jato, os agentes da Polícia Federal ainda cumpriram mandados de busca e apreensão no local da prisão. A prisão preventiva foi requerida pelo Ministério Público Federal (MPF) por causa de depoimentos colhidos em outras etapas da investigação.

O juiz da 13ª Vara Federal, em Curitiba (PR), esclareceu que seria “estranho” manter a prisão preventiva de Erton Fonseca, presidente da Divisão Industrial da Galvão Engenharia, e deixar livre “aquele a quem as provas em cognição sumária apontam como mandante”.Moro citou depoimento do engenheiro civil Shinko Nakandakari, suspeito de ser um dos operadores do esquema de corrupção. Nakandakari disse que Galvão Filho tinha conhecimento do pagamento de propinas e que Erton Fonseca era subordinado a ele.

“Apesar da presunção de inocência e da excepcionalidade da prisão cautelar, a medida se justifica diante dos indícios supervenientes de que era Dario Galvão, como mandante, o principal responsável pelos crimes no âmbito da Galvão Engenharia”, argumentou o magistrado

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