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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 815 / 2015

08/04/2015 - 20:14:00

“Larguem o osso”!

Irineu Torres Diretor do Sindifisco Conselheiro Emérito da Fenafisco

Lava Jato. Agora o povo brasileiro tem certeza de que grande parte dos recursos roubados das estatais brasileiras ingressou no caixa 1 (um) de alguns partidos políticos. O mínimo que a decência e o ordenamento jurídico exigem é a devolução dos recursos alheios. Devolução do dinheiro roubado.

Honrar o suor e o sangue do povo trabalhador do Brasil. Além do mais, ainda que as “contribuições” das empreiteiras envolvidas na Lava Jato fossem espontâneas e com dinheiro limpo, o certo é que, direta, indireta ou transversalmente é vetado aos partidos políticos receberem contribuições oriundas de entidades estatais, a exemplo de autarquias, fundações, empresas públicas, concessionárias de serviços públicos, sociedades de economia mista e, salvo a única exceção - o obeso e suculento fundo partidário – são também vetadas quaisquer contribuições oriundas do próprio tesouro nacional. No entanto, a base aliada, a oposição e, naturalmente, o insaciável PT, as receberam, contabilizaram e passaram recibos.

Constata-se, formal e expressamente, nas barras dos tribunais, a cada escândalo financeiro, os acusados confessarem que entupiram os caixas partidários com o produto do roubo realizado nas estatais brasileiras. No Mensalão, o notório tesoureiro Delúbio e outros ladrões transitados em julgado confessaram copiosamente a prática e foram condenados pelo STF. Nem um centavo do dinheiro receptado foi devolvido! No Petrolão, o tesoureiro Vaccari, atolado até as orelhas, só a ponta do focinho ainda de fora, alega, com comovente ingenuidade, que desconhecia a origem das generosas “contribuições” servidas ao PT pelas empreiteiras teúdas e manteúdas da Petrobras, da Eletrobrás, do BNDES, do Banco do Brasil e de outras estatais.

 Fato é que, de modo reincidente, em série, o dinheiro roubado das estatais brasileiras vem sendo receptado, ingressa, transbordante e comprovadamente, no caixa 1 (um) do finório Partido dos Trabalhadores e de outros partidos ou, quiçá, também nos demais caixas  - 2, 3 ...  – Entretanto, moral e legalmente, no mínimo, a devolução é devida. Obrigação, não só do PT, mas de todos os partidos políticos beneficiários das doações de empresas envolvidas na Lava Jato.

 No entanto, só os partidos – OCRIM’s - envolvidos com os chamados “operadores” da Lava Jato retribuíram as “contribuições”  com dinheiro público, alheio, vale repetir, dinheiro roubado das estatais do Brasil. Até as pedras já sabem que, no mínimo, é devida a imediata compensação com os recursos do fundo partidário. Em contrário, o registro eleitoral deve ser cassado. Ainda que o dinheiro não tivesse sido produto de roubo. É fato ilícito legalmente previsto. Verdade contábil que dispensa demonstração de culpa. Não há mais como tapar o Sol sem sequer uma peneira rasgada. Resta arrebatar o dinheiro roubado. Legítima empreitada patriótica. Combater esse crime continuado.

Nem no inferno se vê isso. Pilhados com o produto do roubo na mão, teimam a fim de não devolver!! Tudo quanto é de salafrário vem devolvendo. Mas, faltam comparecer ao guichê da Justiça os dirigentes dos partidos políticos, hipócritas, santos putos. Felizmente, restam vigentes e previstas penalidades, preceitos claros e objetivos na Lei Orgânica dos Partidos Políticos, Códigos Eleitoral e Penal. O procurador geral eleitoral deve agir de ofício. Os demais partidos políticos podem representar, mas, talvez, sintam “remorso”.

O obsequioso silêncio das insuspeitas OAB, ABI, CNBB começa a incomodar às consciências honestas. Enfim, registrar roubo em caixa de partido político, por duas vezes, no caso do PT, para, no passo seguinte, “iter criminis”, lavar o dinheiro público roubado através do processo eleitoral, na cara do Superior Tribunal Eleitoral, é um inominável desaforo. “Larguem o osso”. Gulodice engasga e dá diarreia. Todo mundo está vendo. É, sobretudo, imprudente abusar das cumplicidades.

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