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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 815 / 2015

08/04/2015 - 20:13:00

O dinheiro público

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

    O Brasil vive momentos de crise por causa do excesso de corrupção. Tornou-se tão fácil desviar dinheiro público que o resultado foi uma quebradeira total das empresas públicas e privadas.   

 Campanhas políticas no país todo são realizadas com muito dinheiro e marqueteiros contratados a peso de ouro para idealizar a tática da eleição do candidato. Até cantores eram convidados para servirem de isca e atrair eleitores. Felizmente isso foi proibido, mas os gastos são elevadíssimos. É impossível que uma pessoa,pretendendo exercer qualquer cargo político, gaste do seu próprio bolso o valor total de sua campanha.   

 Depois de eleito, se perder, o cidadão se enche de dívidas e vai ter que arcar sozinho com os compromissos, pois a maioria dos “amigos” foge da parada. Se ganhar, tudo é festa. Tomará posse e procurará meios de assumir as dívidas de campanha. Tudo será mais fácil, pois as oportunidades surgirão através de empresas públicas e particulares. Elas, por sua vez, precisarão do amigo para cobrir os buracos deixados pela luta travada durante as eleições.   

 Nessa brincadeira de gato e rato quem perdeu foi o Brasil. Apareceram mensalão, lava-jato, taturana. Estourou, então, a grande crise vivida por todos nós em 2015. Listas e mais listas cheias de nomes ilustres, de laranjas, de aproveitadores vêm à tona.     

Querem culpar somente o Partido dos Trabalhadores, o Lula, a Dilma e seus amigos. Mas, juntamente com todos eles, há centenas de aproveitadores acostumados a bajular os políticos e se beneficiarem com licitações, propinas, e outros artifícios extremamente sutis.   

 Em Alagoas, o caso é bem mais sério. No Legislativo, os escândalos se sucedem. Há 12 anos, o duodécimo só chega até novembro. Décimo terceiro salário e mês de dezembro são cobertos com suplementação concedida pelo Executivo. Todavia, não há preocupação em saber para onde foi o dinheiro e em que foi utilizado. No fim, os gastadores do dinheiro público viram conselheiros do Tribunal de Contas. É o samba do crioulo doido...   

 E ai daqueles que resolverem reclamar ou denunciar publicamente tudo que acontece no Legislativo. São perseguidos, têm seus salários cortados e ficam obrigados a provar o que é público e notório.   

 Não sei como o prédio da ALE ainda não foi vendido, empenhado ou hipotecado. Fui vítima de dois grandes golpes por parte da mesa diretora dirigida por Fernandinho. Através de processo, fiquei isenta do imposto de renda, mas os algozes passaram mais de três meses efetuando o desconto. Com a previdência, outro golpe: durante três anos descontei para a previdência mais do que deveria descontar. Moral da estória: o dinheiro desviado só é devolvido se formos à Justiça. Administrativamente, nada é resolvido. 

 Isso é um caso de exploração que é denunciado. Quantos não foram denunciados? Quantas pessoas ficam caladas temendo vingança pelos dirigentes?Graças a Deus, o Ministério Público resolveu apurar os desmandos do Legislativo, e com certeza, chegará a um resultado final, solicitando à Justiça que puna os verdadeiros culpados.


O Tribunal de Contas virou reduto de ex-deputados e de parentes de parlamentares. Também tem sido alvo, pelos jornais, de notícias nada agradáveis. Chegou por lá uma turma jovem que está se mexendo e cobrando o acerto de velhas contas.     

Como o Brasil pode crescer sendo administrado por pessoas sabidas demais? O novo governador de Alagoas tentou nomear assessores que não estivessem sendo processados. Não conseguiu. 

   É preciso repensar a política brasileira! Acabar com empresas públicas e privadas financiando campanhas ou cobrindo dívidas de candidatos. Precisamos voltar ao tempo em que o político era idealista e se elegia procurando o eleitor e expondo suas ideias.   

 Chega de usar o dinheiro público.

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