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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 815 / 2015

08/04/2015 - 11:08:00

Poços a preço de banana

Amsterdam, Holanda - A pergunta que mais se ouve por aqui é se o Brasil terá condição de sair da crise econômica e se os responsáveis pelo roubo da Petrobras serão presos. As opiniões estão divididas entre os europeus com os quais tenho conversado. Os mais otimistas dizem que todos serão penalizados, a exemplo do que ocorreu com o mensalão. Outros, mais céticos, desconfiam que o STF não vai andar com os processos e que tudo terminará em pizza. Estes, suspeitam que os ministros, nomeados no governo petista, vão empurrar os processos com a barriga até o esquecimento.

 

E que dificilmente aparecerá um “Joaquim Barbosa” para peitar os poderosos envolvidos no escândalo da Petrobras. Antes de deixar Portugal, fui envolvido numa discussão com jornalistas brasileiros e locais ávidos em saber como o PT conseguiu derreter os ativos da Petrobras ao acobertar uma quadrilha que agiu durante muito tempo nas licitações fraudulentas e no recebimento de propinas das empresas que prestavam serviços à estatal, tudo isso para alimentar os petistas no poder.

 

Nessa conversa fiquei surpreso com a informação que eles têm da negociata que envolveu a Petrobras e o Banco BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, amigo do peito de Lula. Confesso que fiquei horrorizado com o que ouvi dos jornalistas europeus. Na verdade, a palavra certa é envergonhado com a informação que eles dispõem de  que a Petrobras privatizou em 2013 a sua participação nos campos de petróleo de sete países africanos. À frente do negócio, o banqueiro André Esteves, que, por um momento, deixou de atuar no mercado de capitais para se apoderar de poços de petróleo na gestão da Graça Foster.

 

 Dois desses campos, na Nigéria,  produziam até 55 mil barris/dia, 60% de todo petróleo que o Brasil importa, ou 25% do que refina. O curioso de tudo isso é que pouca gente no Brasil atentou para essa privatização da Petrobras no exterior, enquanto Lula e a Dilma se esgoelavam para acusar a oposição na campanha da “venda” da Petrobras.Agora, veja que coisa fantástica, aliás, que negócio da China entre a Petrobras e o banqueiro André Esteves.

 

Especialistas da área petrolífera analisaram que esses ativos da Petrobras estavam avaliados em US$ 7 bilhões. Mas esses valores misteriosamente caíram para US$ 4,5 bilhões, US$ 3,16 bilhões até chegar aos US$ 1,5 bilhão oferecidos pelo BTG Pactual. Tudo ocorreu na surdina, sem que os acionistas soubessem que os ativos da empresa estavam sendo leiloados a preço de banana.

 

Cumplicidade

 

O que se sabe aqui na Europa é que houve um silêncio conveniente entre os políticos brasileiros, normalmente financiados por banqueiros, e os ministros do Tribunal de Contas da União. Vamos aos fatos: em 2014, o deputado tucano Antonio Imbassahy , líder do PSDB na Câmara, revestiu-se da mais alta envergadura cívica para apurar a negociata. Pediu informações ao Ministério das Minas e Energia, mas não as recebeu. Nem por isso desistiu. Entrou com um pedido de investigação no Tribunal de Contas da União que abriu processo para analisar a operação. Se você disser que nada aconteceu até hoje, garanto-lhe: acertou na mosca.

 


Distorção

 

Os jornalistas europeus, que até então publicavam informações distorcidas de que as manifestações de rua contra a Dilma e o PT são coisa da direita, agora começam a entender que os brasileiros estão indo para as passeatas para, no mínimo, tentar salvar o que resta do seu patrimônio vandalizado pela quadrilha petista que se instalou no país.

 


E aí Imbassahy?

 

Depois de quase um ano dessa nebulosa operação, espera-se que o deputado Antonio Imbassahy responda aos brasileiros e, principalmente aos seus eleitores baianos, porque parou de pressionar o Ministério das Minas e Energia por uma resposta convincente sobre as vendas do ativos da Petrobras na África. E por que o Tribunal de Contas da União esqueceu na gaveta as investigações que iriam desvendar esse misterioso negócio do banqueiro?Com a palavra Lula, Dilma, Graça Foster, Imbassahy, o PSDB e o TCU.

 


Volta do Lula

 

Se a Dilma se submeter aos caprichos do Lula e afastar o ministro Aloizio Mercadante está definitivamente comprovado que ela não governa sem a sua interferência. Se isso de fato ocorrer, o ex-presidente manda um recado claríssimo à oposição e aos aliados de quem manda de verdade no país. Essa história do Lula espalhar que o Mercadante é incompetente, arrogante e não tem diálogo com os parlamentares da base aliada e com a oposição é uma falácia, um lobby forte para derrubá-lo da Casa Civil, de onde a Dilma saiu direto para a presidência da República.

 


Freio

 

Lula sabe muito bem que a Casa Civil é um trampolim para a presidência e que o Mercadante está de olho em 2018 com o apoio da Dilma se até lá ela resistir às pressões da rua e recuperar a popularidade em baixa. O ex-presidente precisa desde já pavimentar o caminho que o levaria de volta ao poder porque ainda se considera um líder carismático e populista. Lembraria na campanha, por exemplo, que no seu governo o Brasil se estabilizou economicamente e expandiu a riqueza do país para os mais pobres, temas apelativos numa eleição no Brasil onde o povo acostumou-se a votar em candidato corrupto.

 

Ele manda

 

A atrapalhar as pretensões de Lula apenas o trabalho do Mercadante no Planalto, já que a Marta Suplicy, outra expoente do PT, preferiu entregar os pontos depois de constatar tardiamente que no partido manda o Lula, somente ele. Com exceção dessas duas figuras proeminentes, ninguém mais no PT voa alto para não atrapalhar seus planos para 2018. Fritar amigos, Lula sabe como ninguém. Fez isso com categoria quando entregou o Zé Dirceu às feras para livrar sua cara no escândalo do mensalão. Como o PT continua no poder, ninguém no partido, mesmo os mensaleiros condenados, ousam contrariar o líder petista para não perder as sinecuras de que ainda dependem no governo para sobreviver.

 


Incompetência?

 

Nesse momento, Lula aponta sua artilharia contra Mercadante. Inventa coisas que são repassadas aos jornalistas por políticos aliados para minar o ministro. Por exemplo: Mercadante teria incentivado a criação do PL de Kassab para diminuir o poder de fogo do PMDB; que a Dilma está indo para o espaço porque o Mercadante não tem diálogo com as lideranças políticas;  que Mercadante é responsável pelas manifestações de ruas porque não conversa com a sociedade; e que o Mercadante “sequestrou o governo da Dilma”, numa alusão à força que ele tem hoje para manipular as ações políticas dentro do governo.

 


Loucura

 

A ingratidão de Lula com seus antigos companheiros beira à esquizofrenia pelo poder. Mercadante conhece como ninguém como funciona o Congresso Nacional. Muitos do que estão hoje no Senado foram seus parceiros de agonia durante o mensalão e o acompanharam na defesa do governo Lula quando esteve envolvido em toda espécie de falcatrua desde os primeiros dias do mandato. Mercadante esteve na linha de frente de todas as CPIs que foram instaladas para apurar escândalos do PT. Como tudo isso não bastasse, sempre se mostrou partidário fiel e brigou para apagar as nódoas petistas até ele mesmo se envolver com os “aloprados do Lula” quando se  candidatou a governador de São Paulo.

 


Defesa

 

O ministro é um dos poucos que conhecem os bastidores do PT. Está na agremiação desde a fundação do partido e nunca ameaçou deixá-lo, mesmo nas piores crises morais e econômicas dos últimos doze anos. Mas Lula, no afã de chegar ao seu terceiro mandato, como não bastassem os dois da Dilma, quer voltar ao poder a todo custo nem que para isso passe como um trator por cima dos amigos que ajudaram a esconder todos os seus malfeitos nos últimos vinte anos.

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