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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 814 / 2015

08/04/2015 - 10:22:00

Monumentos das praças de Maceió pedem socorro

Nos 200 anos da capital alagoana, logradouros são abandonados e sofrem ação de vândalos

Maria Salésia [email protected]

“Nossas praças estão mortas”. “A terra dos Marechais é hoje uma terra dos generais sem espada”. “A Sinumbu virou gueto”. Essas são algumas das observações feitas pelo maceioense para mostrar a indignação com o poder público pelo estado de abandono das praças de Maceió. E no ano em que a capital alagoana completa dois séculos, as praças e monumentos pedem socorro para que sejam contempladas e reverenciadas fazendo jus a seu valor cultural e histórico.

As praças de Maceió foram por muito tempo ponto de encontro, de descanso, de jogar conversa fora e até de se aproveitar a sombra das árvores para tirar um cochilo. Mas hoje deram espaço à degradação, ao vandalismo e servem de ponto de prostituição e drogas. Houve até um tempo em que elas foram cercadas, na administração do prefeito Pedro Vieira. Mas nem as grades foram suficientes para evitar a degradação e, por conta da polêmica, foram retiradas.E o que dizer do antigo Largo das Princesas e agora, Praça Deodoro, no Centro de Maceió? Em um cenário deslumbrante, ela abriga a escultura de bronze do primeiro presidente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca.

Mas, mesmo diante de tanta riqueza cultural e histórica, nem mesmo o marechal foi poupado. A escultura de bronze de Deodoro em cima de um cavalo já não sustenta mais as rédeas e nem ostenta brasões e placas.Nas décadas de 60 e 70, a Praça dos Martírios (Floriano Peixoto), era uma atração, com sua fonte luminosa, construída no governo de Luiz Cavalcante. A estátua do marechal perdeu sua espada e várias peças de bronze. Hoje, abandonada e entregue a vândalos.

O descaso fica bem ao lado do Palácio do Governo e sob o olhar do senhor dos Martírios. A Praça Sinimbu tinha o “mijãozinho”- um garoto que fazia xixi sem qualquer pudor, o que chamava a atenção principalmente da criançada. Hoje, o cenário é de degradação e o chafariz não passa de metralha que abriga o mato. A pomposa estátua do visconde de Sinimbu é morada de pombo. O logradouro, em si, serve de abrigo para moradores de rua e acampamento para integrantes do Movimento Sem Terra (MST).A população já não dispõe de um espaço de lazer diferenciado.

O descaso tem sido marca registrada de vários gestores de Maceió. As praças pedem vida. Querem ser limpas, plantadas, podadas, iluminadas e habitadas de forma organizada.Outro retrato claro do abandono é a Praça da Faculdade (Afrânio Jorge), entre os bairros do Centro e Prado. Napoleão, representado em uma estátua, há tempo perdeu a guerra por lá.

A indignação é total e os poucos frequentadores do local se revoltam. Uma dona de casa, que não quis se identificar, disse que essa era para ser a praça mais bonita da cidade e que “tem que jogar as fotos na internet para o mundo inteiro ver o desrespeito.”O espaço passou a ser estacionamento de ônibus, vans, carros e caminhões. Sem fiscalização, o coreto é ponto de drogas e prostituição, além de se transformar em banheiro público. A fedentina, mato e o lixo se confundem e contribuem com o cenário devastador.

“A polícia passa de ano em ano e se a pessoa der bobeira é assaltada à luz do dia”, completou a dona de casa.A Praça do Pirulito, no Centro, foi engolida pela ferrovia e pontos de ônibus e já nem pode ostentar o nome. A Praça da Liberdade, no bairro de Jaraguá, construída na administração de João Baptista Acioly Júnior, em 1918, cedeu espaço para a duplicação da avenida. O pouco que restou é abrigo de entulho e lixo.

Até restos de colchões são vistos por lá. Apenas dois bancos continuam no local, um foi quebrado. A ferrugem consome a Estátua da Liberdade, peça de ferro fundido de autoria de Bartholde e com assinatura da fundição francesa Val d´Osner. Ela guarda a frase “Prosperidade- Alagoas, Brasil”. E como ironia, uma figura do pierrô nos fundos do Museu da Imagem e do Som olha pra ela com seu olhar triste e desolador.É bom não esquecer: De acordo com o artigo 163 do Código Penal Brasileiro, “destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia” acarreta em pena de detenção de um a seis meses ou multa.


Projeto para revitalizar as praças

O coordenador de Parques e Jardins de Maceió, José Rubens, garantiu que a prefeitura tem projeto para reitalização das praças de Maceió. São cerca de 200 logradouros. Segundo ele, já houve licitação e a equipe trabalha “em cima do orçamento”. Quanto à restauração dos monumentos, ele disse que será feito um contrato paralelo, pois devem receber tratamentos diferentes. Serão mais de R$ 4 milhões que serão investidos no projeto.

De acordo com Rubens, a cidade foi dividida em dois lotes. A parte baixa e a parte alta. Na baixa, está sendo concluído o orçamento e já há um projeto pronto do Corredor Vera Arruda e na alta será contemplada, a princípio, a Praça do Sanatório. Outra obra que segundo ele deve ter início nos próximos dias é a recuperação do canteiro próximo à Secretaria Municipal de Saúde, no Centro, até o cinturão verde da Braskem, no Trapiche.

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