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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 814 / 2015

08/04/2015 - 09:54:00

De ponta-cabeça

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

O PT desde sua fundação, há trinta e cinco anos, parece ter como escopo pôr o país de ponta-cabeça. Um dos maiores movimentos da esquerda sul-americana, pregava a ética na política, quando ética e política eram coisas consideradas dessemelhantes ao status quo. Lutava pela democratização, em um período em que a democracia brasileira era a sufocada democracia dos militares no poder.

Intimorato e sem máscaras, afrontava ostablishment,denunciando corrupção, corruptos e corruptores. Crítico, via as ações reformistas da social-democracia inócuas à superação dos males causados pelo capitalismo imperialista. De viés socialista, abstinha-se - ao menos segundo informação do seu líder maior, o Lula, em debate eleitoral em 1989 –de professar credos marxistas.

Era o puro entre impuros; a vestal entre devassos; a mais virgem (se possível mais ou menos nessa questão) dentre as cinco afortunadas virgens da parábola cristã.A essa altura o leitor certamente percebeu o uso do verbo no passado. E realmente tudo hoje é passado. Digo isso até com saudosismo, embora jamais tenha perfilhado a doutrina petista, até porque abomino intelectualmente dogmas filosóficos e políticos, aceitando apenas os religiosos, por serem questões da fé e não da razão.

Se há nostalgia na crônica, isso se deve à admiração pela coragem dos petistas de então, e pela certeza de que havia pureza naqueles jovens, maniqueístas arrogantes ao ponto da chatice. Bem, talvez já então eu não acreditasse em tamanha pureza nessa coisa tão desvirtuada que é a prática política brasileira.

Uma coisa porém não mudou no petismo: o hábito de pôr tudo de ponta-cabeça. Só que desta feita ele é que se pôs de pernas-pro-ar. Se lutava pela democracia, atualmente pensa até em controle da mídia, repudia a imprensa que lhe é contrária; aplaude, ajuda e apoia governos totalitários, vizinhos ou distantes. Se pregava a ética na política, compra o apoio de partidos políticos, de deputados e de senadores, aqueles mesmos que acusava; mente descarada e impunemente nas campanhas políticas, praticando duas ideias marginais: (1) a mentira mil vezes repetida adquire aparência de verdade; e (2) para se ganhar eleições, vale tudo.

Se combatia corrupção, corruptos e corruptores, corrompeu-se e tornou-se um deles, a sua própria impureza aflorando em lodaçal. O mais incrível de tudo é que apesar das fortes evidências de seus delitos, ainda tem voz e fôlego para distorcer verdades. Como criança pega em flagrante, alega que a corrupção não existe neste governo, sendo criação dos seus adversários; ou, se existe, não é só dele, mas de todos os outros partidos e governos anteriores; ou ainda, a corrupção que existe sempre foi combatida pelos governos petistas que determinaram as apurações necessárias.

Nesse ponto, engendram nova enganação eleitoral, porquanto PT e governo foram surpreendidos pelas descobertas, sendo delas notáveis o “mensalão” e o “petrolão”. Afinal, quem não se lembra das declarações do Lula, então Presidente, de que o “mensalão” não existia, invenção que era de golpistas? Ou a cara de “sinhá, cadê minha calça” exibida pelo Ministro da Justiça quando estourou o “petrolão” graças à atuação do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do Juiz Sérgio Moro?Dizer que a limpeza em curso do País ocorreu devido à independência que os Governos petistas deram à PF e ao MPF é botar a verdade também de ponta-cabeça.

Afinal, de há muito que essas duas Instituições trilham republicanos caminhos, independentemente da vontade dos plantonistas donos do poder. Basta lembrarmos do Zé Dirceu, do Genoíno, do Delúbio, e de outros tantos petistas condenados da Justiça.

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