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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 814 / 2015

08/04/2015 - 09:53:00

Divaldo Suruagy

Ricardinho Santa Rita

Muito me honra poder expressar um testemunho de homenagem a um dos maiores homens da história de Alagoas. Fiquei feliz ao ver e ouvir inúmeras citações a Suruagy, mesmo após duas décadas fora da vida pública. Cresci na década de 90 no meio da classe política de meu estado, por conta das relações pessoais do meu pai.

E quem me conhece sabe; se tem duas coisas que me fascinam são histórias de Alagoas e política, necessariamente nesta ordem. E na figura do Divaldo sempre percebi de longe como um dos maiores protagonistas do Estado, da boa política e da mistura que dá em política alagoana.Filho mais ilustre de São Luís do Quitunde - terra também da minha mãe - Suruagy foi personagem marcante quando da minha infância e adolescência.

Em 1994 eu era criança e adorava cantar sua música de campanha ao Governo, que era “bate bate coração, é a vontade do povo. Teotônio e Renan para o Senado. Suruagy governador de novo”. E lá se foi um arrastão; ele teve mais de 80% dos votos, era a esperança de retomada social e econômica do povo do nosso estado. Até hoje o governador mais bem votado de um estado, era de Alagoas.

O terceiro mandato de governador o fez por erro de cálculo, não por racionalidade, mas por passionalidade. Poucos homens que já foram de tudo na vida abririam mão do vôo em cruzeiro num mandato senatorial para assumir riscos num Estado à beira da falência, e ele ouviu mais ao coração do que aos amigos, e se jogou numa missão que parecia ser impossível. O resultado é conhecido por todos. Melhor errar por amor que acertar por falta de compaixão, por Alagoas, poucos fariam o mesmo.

Mas eu ouvi, durante toda minha vida, que o primeiro e segundo Governos do Divaldo haviam sido a melhor era de desenvolvimento do estado. Pujança econômica, criação de pólo industrial, desenvolvimento social, avanço na habitação, abertura de novas estradas, bom modernização do poder público, relações institucionais de plena harmonia, muitos empresários alagoanos se destacaram em nível nacional, tivemos crescimento da produção no campo e ao título que deram ao nosso estado de “filé do Nordeste”.O passado se foi.

Eu cresci. Suruagy experimentou da época de ouro ao ostracismo político. Mas não me esquecerei jamais de certas passagens. Como a da Nilda, dona de um bar na Avenida Jatiúca, onde até hoje conserva na parede em um quadro, meio que como obra de arte, uma carta escrita de próprio punho pelo então governador.

Nunca fui de beber, mas ia ao bar me deleitar sobre um homem público que diante de tantos compromissos arrumava seu próprio tempo para responder carta de seus conterrâneos e admiradores.Já na adolescência, minha geração experimentou o hábito de toda sexta-feira se encontrar no Iguatemi, então o único shopping da cidade. E eu toda sexta, almoçava e ia ao cinema com amigos. E tinha bastante orgulho em apontar para o “senadinho” que era a reunião semanal de senhores de terceira idade que tomavam café juntos e batiam papo sobre história, política, filosofia, economia e arte. Dentre eles o Suruagy sempre estava presente. Camisa de linho, calça social, sapato social. A elegância dos homens de antigamente.

Dava-me orgulho apontar para ele no meio daqueles, e dizer aos meus amigos que aquele homem foi o melhor governador que Alagoas já teve. Jovens da minha idade não sabiam de sua história. Erro de nossa terra não reconhecer nossa história.Muitas vezes apenas o apontei, apenas o olhei de longe. Mas lembro de uma vez, bastou apenas uma única vez, que os olhos claros dele me olharam e sua voz inconfundível: “Tudo bem?”.

Eu não esqueci aquele dia. Cumprimentei-o, me apresentei e ele ao ouvir o meu sobrenome logo perguntou pelos meus pais. Na despedida eu brinquei e perguntei se o chamava de “governador, prefeito ou senador?” e de imediato ele respondeu: “professor”- não sei se de brincadeira. Ali eu tive um dos bons ensinamentos da vida, valorizar a humildade. Era professor mesmo. E lá se foi o professor.Que a memória dos homens jamais seja esquecida. Que a história eternize as ações feitas em vida.Aqui uma singela homenagem, não em carta, tampouco a próprio punho. Mas de um jovem que num encontro de gerações aprendeu a cultuar os grandes homens de sua terra.

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