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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 814 / 2015

08/04/2015 - 08:51:00

Metade de Alagoas está em situação de emergência

Se não chover nos próximos dias, situação pode se agravar, alerta a Associação dos Municípios

Carlos Victor Costa [email protected]

Na semana que marca a passagam do Dia Mundial da Água (22 de março), a falta dela é o que mais preocupa amaioria das famílias alagoanas que vivem no semiárido e agreste do estado. Alagoas vem vivendo a pior seca dos últimos 50 anos. Cidades como Minador do Negrão e Pariconha estão entre as mais castigadas e buscam alternativas como cisternas e carros-pipa para atnder a população, já que até o momento o governo federal não deu sinais de que o programa ‘Água Para Todos’ vai continuar. 

De acordo com o secretário- geral da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas (PSDB), cerca de 50 municípios alagoanos já estão em situação de emergência pela forte estiagem que deixa a região do semiárido cada vez mais seca. “O governo federal, em anos anteriores, enviava carros-pipa, mas neste ano não foi enviado nenhum. São quase 50 municípios em estado de emergência, 37 só do semiárido. Cidades como Junqueiro, Teotônio Vilela e Quebrangulo também estão na mesma situação”. 

Dantas explicou, ainda, que um plano de combate à seca elaborado pela Defesa Civil apontou que 415 mil alagoanos estão sofrendo com a estiagem prolongada. E para reverter a situação, é necessário contratar pipeiros enquanto a chuva não cai. No levantamento inicial, os técnicos apontam a necessidade de 200 pipeiros para atender todo o estado, ao custo de R$ 2,5 milhões mensais, perfazendo R$ 10 milhões ao longo dos próximos quatro meses. Sem respostas do governo federal em relação ao envio de carros-pipa, alguns prefeitos estiveram reunidos com o governador do Estado, Renan Filho (PMDB),que anunciou a liberação de R$ 1,5 mi do Fundo Estadual de Combate à Fome e Erradicação da Pobreza (Fecoep) de forma emergencial para os municípios que foram reconhecidos em situação de emergência por conta da estiagem.

A verba é apenas um auxílio enquanto os R$ 10 milhões do governo federal não são liberados, pois o processo tramita em Brasília e deve demorar pelo menos 30 dias para ser aprovado.Por conta dessa falta d’água, produtores rurais estão sem poder realizar a irrigação e alimentar seus animais. “As grandes adutoras necessitam do abastecimento da água do Rio São Francisco; se não chover muito nos próximos dias nas regiões mais necessitadas como o semiárido e agreste, a situação só tende a se agravar ainda mais. O problema não vem de agora, estamos há meses sem chuva aqui e desde 2011 que estamos passando por esse problema; os reservatórios estão secos, açudes e barragens também”, ressaltou Dantas. 

SOBRADINHO

A barragem de Sobradinho, localizada na Bahia e considerado o maior reservatório de água do Nordeste,já encolheu mais de 80% e está secando. A caatinga submersa reapareceu.  O Lago de Sobradinho tem 380 quilômetros de extensão e capacidade para armazenar 34 bilhões de metros cúbicos de água. Mas o volume atual do Lago é de apenas 17%. A régua com os números na parede da barragem comprovam que o nível está baixando cada vez mais. A barragem foi construída no Rio São Francisco para gerar energia elétrica e abastecer o Nordeste, o que agora não está acontecendo. “A situação mais preocupante é a do Rio São Francisco que está secando.

O Sobradinho só está com 17% de volume de água, quando o normal dele é 50%. Isso nos deixa bastante preocupados, pois o problema não é só aqui em Alagoas, é praticamente em todo o Nordeste e em outros estados de fora desse eixo”, revelou o prefeito de Pão de Açúcar. 

Rio São Francisco está secando

A quantidade de chuva na região do São Francisco está abaixo da média histórica há três anos. A bacia do Velho Chico tem 2.586 km de extensão e corta seis estados e o Distrito Federal. Para se ter uma ideia da gravidade, na cidade de Pirapora, em Minas Gerais, o vapor Benjamim Guimarães, famosa atração turística, está parado. O solo está tão seco que dá a impressão de deserto. 

De acordo com informações da Agência Nacional das Águas (ANA), o Rio São Francisco deveria estar com seu volume elevado ou pelo menos no seu leito normal nesta época do ano, mas a estiagem mantém o nível do manancial muito baixo e com consequências drásticas em quase todos os 16 municípios alagoanos que são banhados pelo rio. 

A paisagem do Rio São Francisco na orla de Penedo e de Piranhas não é a mesma há algum tempo, o que acaba até comprometendo o turismo nestas cidades. A redução da vazão do rio nas usinas hidrelétricas tem gerado grande prejuízo para os ribeirinhos, que retiram daquelas águas o sustento da família, além de gerar um grande impacto ambiental. O biólogo Gabriel Le Campionalertou no ano passado quea situação do Rio São Francisco é irreversível.  Segundo ele, o Velho Chico corre o risco de se tornar um rio temporário, que alterne entre ficar cheio por um período e por outro seco. 

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