Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 814 / 2015

08/04/2015 - 08:38:00

Comemoração dos 100 anos de cavalhada em Chã Preta

Neste sábado acontece mais uma batalha entre o cordão azul e o encarnado; missa e lançamento de livro também estão na pauta

Maria Salésia [email protected]

O ano era de 1915, quando o folclorista viçosense Coronel Joaquim Estevam dos Passos Vilela, a convite do primo coronel Pedro Teixeira de Vasconcelos, se deslocou até Chã Preta e foi ensinar os filhos do parente a se tornarem cavaleiros no antigo engenho Bonsucesso. Ali nascia uma das mais antigas e tradicionais cavalhadas do Brasil. Em ano de centenário, o povo chã-pretense e visitantes terão vasta programação para comemorar a tradição folclórica.

Qualquer pessoa pode participar da festa, é o que afirmam os organizadores Olegário Venceslau e Áureo Mazony- conhecido como Tó Teixeira.A comemoração acontece o ano inteiro, mas este sábado, 28, será voltado para mais um evento em homenagem ao centenário. Às 9 horas acontece missa solene na igreja deN.S da Conceição. Às 15 horas será a vez da apresentação da Cavalhada Centenária. O dia festivo se encerra às 19 horas com o lançamento do livro Duas Lanças, de autoria de Olegário Venceslau, na Câmara Municipal.E assim segue a batalha medieval sob o chão de terra empoeirada.

O espetáculo de efeitos e emoção é percebido pelo eco dos guizos atados aos peitorais dos cavalos e dos mais emocionantes e apaixonados aplausos quando cada argola é retirada do alto do poste. Os torcedores do cordão azul e do encarnado não se contêm de emoção. E a cada lança que o cavalheiro retira, a plateia vai à loucura e há até quem oferte “um corte” de panomulticolorido aos componentes de seu partido que adornam as cinturas dos cavaleiros e a lança que em riste percorre seu alvo. Cada cordão é composto por seis cavaleiros, sendo um matinador (o que puxa o cortejo) do azul e outro do encarnado. Os participantes têm oportunidades de correr seis vezes e tentar acertar o maior número de lanças.

E quando consegue o feito pela primeira vez, como prêmio, recebe uma fita da cor do seu cordão.  A comissão organizadora fica atenta a cada detalhe, pois tem a missão de premiar do 1° ao 12º lugar. São distribuídos ainda medalhas e troféus. Ganha, porém, o partido que conseguir maior número de medalhas.

A cada espetáculo em Chã Preta acontece um show à parte. É assim há cem anos. Montados em seus cavalos, com o punhal atado à sua cintura e uma faixa recaída por sobre o ombro na cor azul ou encarnada, passam em desfile numa demonstração de ostentação pelas ruas rumo à Matriz de Nossa Senhora da Conceição, para prestarem reverencias à mãe de Deus e dos homens. 

A encenação é acompanhada pelo público que segue a banda de pífano, que ao som da zabumba e da flauta do mestre conduz a tropae ao som dos foguetórios anuncia o majestoso cortejo dos doze pares, oriundos lá da França, e agora em terra alagoana.Questionado sobre qual cordão foi mais vencedor nestes 100 anos de encenação, o matinador do cordão encarnado, Áureo Teixeira, não quis se comprometer e apenas tratou de responder que na cavalhada de janeiro houve empate, mas na do último dia 10 de março o encarnando foi o vencedor.

Assim, na próxima exibição cavaleiros e torcida do azulterão a chance de mostrar sua força, ou não. E neste clima de disputa sadia e confraternização, Chã Preta consegue mais um feito cultural. São 100 anos interruptos de uma atração folclórica que vem a somar neste celeiro cultural.

Mas a programação não se encerra nesta próxima apresentação. O público terá a oportunidade de assistir ainda este ano mais dois espetáculos. Um em 20 de julho- Dia da Missa do padre Cícero - e outra em 8 de dezembro, em homenagem à padroeira da cidade.Segundo o escritor Olegário Venceslau da Silva, que também é chã-pretense e membro da Academia Alagoana de Cultura e Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, ao longo dos 100 anos diversos cavaleiros se consagraram nas pistas de cavalhada como verdadeiros Pares de França, nome dado em homenagem aos paladinos que combateram ao lado do imperador Carlos Magno contra os turcos no século VIIIDC. 


LANÇAMENTO DO LIVRO

A cavalhada de Chã Preta se apresenta sempre em festas de santos, quando ao som da banda de pífano desfila pelasruas da cidade, o que atrai olhares e aplausos de pessoas que ficam nas portas de suas casas observando o desfile dos cavaleiros.Este legado, que não se perdeu na poeira do tempo, está registrado no livro Duas Lanças - 100 Anos de cavalhada de Chã Preta, de Olegário Venceslau da Silva, que narra nesta obra a história do império carolíngio onde nasceu  o torneio, a sua relação com a religiosidade popular, a biografia dos doze pares de França, os primeiros registros de cavalhada no Brasil e em Alagoas e finalmente a sua chegada no município de Chã Preta em 1915.O livro será lançado na Câmara Municipal de Chã Preta.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia