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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 813 / 2015

08/04/2015 - 08:08:00

Quem parte e reparte...II

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras.

A semana brasileira passada foi pródiga em fatos políticos que demonstram, cada qual de per si, sintomas políticos que só aos néscios nada dizem, mas devem preocupar toda a Nação. Já ao início da semana era sabida a convocação, para o domingo 15, de manifestação em favor do impeachment da Presidente da República.

Tal convocação não teve, até onde se saiba, cunho partidário e, conforme se viu no dia, de tão espontânea não tinha lideranças, e ainda assim o povo se comportou de ordeira e pacífica,Antes do domingo, porém, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, em demonstração arrogante de sua liderança, graças a Deus cada vez mais localizada, impunemente convocou o que chamou de exército de Stédile, um dos seus aloprados sequazes, para marchar em defesa do governo, da Presidente, do PT e aliados, enfim, do status quo vigente, ao qual se agarram como cães em suculento osso. Ao ouvir o despautério no noticiário nacional, ocorreu-me lembrar outra convocação para o povo vestir-se de verde e amarelo que resultou, graças ao PT e outros, em manifestação de luto nacional. Se naquela quadra resumiu-se em fenomenal inabilidade, essa agora, pensei, é pura estultice.

E foi! Os gatos-pingados que saíram às ruas na sexta-feira não se limitaram a apoiar a Senhora Dilma, aproveitando para protestar contra o governo, a corrupção nele endêmica, e quejandas, em insuspeita demonstração de que a insatisfação ronda até os companheiros do governo.Houve também ruidoso “panelaço” anti-Dilma, exatamente quando a Presidente ocupava redes nacionais de rádio e televisão para produzir a costumeira enganação.

Diferentemente dos soldados de Stédile, essa manifestação, como seria a de domingo 15, foi absolutamente espontânea e apartidária. Mesmo assim, vozes de acólitos petistas apressaram-se em (des)qualificá-la como ato de fascistas insatisfeitos com a derrota nas últimas eleições. Interessante notar como a memória dos políticos, não só a do povo, é tão curta: em passado recente esses tipos de movimentos contra o governo eram patrocinados e comandados pelo PT. Seriam eles fascistas, então?Bem, deixemos a reflexão a cada um, pois coisas mais importantes têm-se a ponderar.

O fato é que, talvez devido a provocação do Lula, a manifestação do domingo, anti-Dilma, foi inegável sucesso, conferível visualmente. Na esteira desse sucesso, o governo, em inequívoca demonstração de que só “pega no tranco”, apressou-se a elaborar o que chama de pacote anti-corrupção.

Será que desse mato sai mesmo coelho? Se os corruptos e suspeitos estão no seio e adjacências do governo, pode-se esperar que tal “pacote” seja algo mais do que patranha?A mesma estranheza se deve tributar à atitude do PMDB que, também incomodado por suspeitas de corrupção praticada por seus líderes, agora se apresenta à Nação como salvador da Pátria, trazendo-nos uma reforma política, dizendo-se suprir a inércia do Governo, do qual é (ou era) aliado. Patriotismo ou mero pular fora do navio que afunda? Ademais, o que se pode esperar de reforma política proposta pelos mesmos políticos que dela se beneficiarão? A quem interessa a extensão de mandatos, senão aos mandatários, isto é, eles mesmos? Outra patranha, então?

Quando, pela televisão, ouviam-se os gritos de FORA DILMA, refletia cá com os meus botões, que não só ela merece a defenestração, mas a grande maioria dos políticos, reinventando-se esse País. E a reinvenção do Brasil passa, ao meu ver, por uma reforma política séria que deveria ser elaborada e promulgada por uma Assembleia Nacional Constituinte originária, exclusiva para isso, a ser convocada de imediato e com prazo de vigência dos trabalhos. Talvez até com impedimento de constituintes candidatarem-se a mandato subsequente. Quem sabe assim o Povo afinal ficasse com a melhor parte?

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