Acompanhe nas redes sociais:

24 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 813 / 2015

08/04/2015 - 07:56:00

Escândalo da Petrobras tira emprego de 500 metalúrgicos em Alagoas

Sindimetal revela que empresas que prestavam serviços à petrolífera no estado fazem fila para falir

José Martins Especial para o EXTRA

Publicações na imprensa sobre o escândalo do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras não faltam. Esta semana foi marcada pelo aniversário de um ano das investigações realizadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato e o presente foi mais uma lista de possíveis envolvidos: empresários, políticos e partidos. E sim, há nomes de alagoanos citados na tramoia que envolve desvios de verba milionários.Porém, o “efeito dominó” não atinge apenas a classe alta.

Trabalhadores diariamente são demitidos por empresas que, agora, se veem à beira da falência pós-escândalo nacional. Em terras alagoanas, por exemplo, mais de 500 metalúrgicos já foram afetados depois que a petrolífera brasileira virou motivo de piada mundo afora.Conforme o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Alagoas (Sindimetal), José Jobson Ferreira Torres, a Jaraguá Equipamentos, que tenta se reerguer por meio de recuperação judicial, gerava cerca de 600 empregos para o setor.

“Mas, do meio do ano passado para cá, com os problemas da Petrobras, a empresa demitiu mais de 300 funcionários sem nenhum reaproveitamento”, disse à reportagem do EXTRA Alagoas.Algumas vezes, os trabalhadores são reaproveitados por outras empresas que sucedem os contratos daquelas que vão falindo. Esse é o caso de 200 metalúrgicos que, embora empregados, estão com o futuro profissional incerto. A Argos Engenharia, segundo o sindicalista, já emitiu aviso prévio a outros 200 metalúrgicos.

Com filial em Alagoas, a Jaraguá Equipamentos Industriais entrou com um pedido de recuperação judicial em 17 de junho de 2014, em Sorocaba, interior de São Paulo. A companhia é especializada em equipamentos para a indústria de óleo e gás e para indústria de base e faz execução de obras.

Uns de seus principais clientes era a Petrobras. De acordo com material publicado pelo periódico Valor Econômico, a Jaraguá é alvo de diversos pedidos de falências de empresas, um deles, datado de junho e aberto pela Garra Terraplanagem, de São José dos Campos (SP), por uma dívida de R$ 982 mil. A Garra, contratada pela Jaraguá para uma obra da Petrobras, não recebeu o pagamento.  O pedido é uma maneira de essas empresas tentarem receber as dívidas. “Ficamos sabendo que o débito da Petrobras com a Jaraguá é imenso e dizem que chega aos R$ 700 milhões”, contou o sindicalista.

Em meio a tantas demissões sobrou ao Sindimetal recorrer à Justiça para sanar os problemas que afetam aos trabalhadores. “Isso é: o não pagamento dos direitos quando essas empresas ‘somem’. Temos em andamento processo contra a Nippon Engenharia, também atingida pela estatal, para o pagamento das rescisões dos trabalhadores. Certamente quem irá pagar é a Petrobras”, explicou.De acordo com Torres, a Nippon, depois de vários anos prestando serviços metalúrgicos à Petrobras Alagoas, encerrou no dia 17 de novembro os contratos com a estatal e demitiu os empregados.

A empresa ainda entregou documentos ao sindicato em que solicita à Petrobras “o bloqueio” dos valores “da medição” dos últimos serviços realizados, afirmando que “o objetivo” seria “quitar as rescisões”.“Ainda bem que essa bandalheira está sendo apurada e que sejam punidos todos os corruptos. No entanto, as empresas, mesmas aquelas que participaram da corrupção, não ‘são gente’. A empresa é um empreendimento que precisa funcionar para manter os empregos. Mesmo com a corrupção, isso não pode resultar no desemprego como vem acontecendo, fechando obras em diversos lugares”, desabafou Torres.


CASCATA

Nos anos anteriores, a Petrobras já vinha quebrando o contrato com várias empresas e causando prejuízo aos metalúrgicos. Segundo publicado pelo Sindimetal, a SDM Engenharia desapareceu e a justiça obrigou a Petrobras a pagar as rescisões. A Norcontrol Engenharia Ldta caiu em falência e, para evitar ter o mesmo final, a Montec Engenharia entregou o contrato.Em informativo, o Sindimetal levantou ainda que “a Proen Engenharia desapareceu e, por não ser metalúrgica, o Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu para a justiça condenar a Petrobraspagar os valores rescisórios; a Sertel também sumiu e a Petrobras está condenada a pagar parte dos  direitos trabalhistas; a Cemon pediu recuperação judicial; a TQM só durou 60 dias e, a pedido do sindicato, a justiça condenou novamente a Petrobras a pagar rescisões e salários”.“O Sindimetal entende que para defender a Petrobras e dizer que o petróleo é nosso, primeiro, é preciso aplicar um fortíssimo antibiótico no poderoso germe da corrupção, que há muito tempo corrói a estatal”, finalizou o presidente.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia