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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 812 / 2015

17/03/2015 - 10:08:00

Que vergonha!

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Tive apenas uma experiência política, quando fui candidata à vice Prefeita de Maceió, na chapa de José Thomaz Nonô, em 2000. Fiquei horrorizada com o que vi e vivi durante 3 ou 4 meses. Não era o sonho que me perseguia durante minha juventude.     

Para começo de conversa, assustei-me com os eternos candidatos a vereadores, os “poca-urnas”. Sabiam da impossibilidade de serem eleitos, mas insistiam durante anos por causa das vantagens obtidas: o candidato fornecia gasolina, um pouco de dinheiro, falavam nos comícios e estavam sempre perto do possível eleito. Terminadas as eleições, não se elegiam, mas viveram bons momentos por um determinado tempo.   

 Depois vinham as doações financeiras recebidas pela figura principal da campanha. Só poucas pessoas ligadas ao pretenso futuro prefeito tinham acesso a certas informações. À vice cabia somente a parte frágil da campanha: lidar com os “poca-urnas”, administrar pequenos problemas. Até no rádio e na TV a pobre vice só apareceu uma vez. O artista principal era o futuro prefeito.   

 Passado o período eleitoral, restaram as dívidas e nem um pequeno jantar de agradecimento.   

 Admirada, via campanhas eleitorais caríssimas, montanhas de dinheiro sendo divididas entre figuras profissionais nas eleições alagoanas. Idealismo, que é bom, sumiu ou quase desapareceu.     

Os cabos eleitorais ficavam vendendo seus préstimos a peso de ouro. Ouvia estórias mirabolantes: um candidato a Deputado Federal contou-me que ao chegar num determinado lugar, procurou o cabo eleitoral antigo, e para sua surpresa, ouviu a resposta: Infelizmente doutor, o fulano de tal me ofereceu 300 mil reais pelos votos. Lamento!     

Outros, mais recentemente, ao chegar em suas antigas bases, já as encontrava “compradas” por outros candidatos ou pais de herdeiros políticos.   

 Fui entendendo, então, que as eleições em Alagoas, ou no Brasil, são alimentadas pelo dinheiro público. Um Deputado Estadual ganha 30, 40 mil reais por mês e gasta milhões durante a campanha eleitoral. De onde vem tanta grana? Onde fica a mina? Como receber a poderosa ajuda?   

 E vão falindo as empresas públicas! O exemplo mais gritante é a Petrobras! empresa brasileira que se tornou orgulho dos brasileiros. De repente, mais que de repente, vira manchete de jornais, vítima de corrupção, desviando grandes quantias para políticos e intermediários sabidos, vorazes e desonestos.   

 Alagoas tem três senadores e todos eles estão na célebre lista do “lava jato”. Gritam, esperneiam, desmentem, procuram ignorar os fatos, agridem os procuradores-auxiliares, mas as campanhas deles todos foram ricas, coloridas e chamativas.     

Tenho pena dos idealistas que ainda persistem atrás de votos honestos. O pior é que os eleitores estão acostumados a trocar votos por dinheiro, por material de construção, por camisas.     Quem sofre com tudo isso é o Brasil, que vai ficando mais pobre, mais desacreditado, mais desiludido!     

Meus pêsames aos Srs. senadores e deputados federais listados como corruptos da Petrobras. Que o castigo de Deus caia sobre os senhores!!!

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