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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 811 / 2015

10/03/2015 - 10:05:00

Com as mãos na cabeça

JORGE MORAIS Jornalista

Em recente encontro tive o prazer de conversar por alguns minutos com o secretário de Comunicação do Governo do Estado de Alagoas, jornalista Ênio Lins. Após cumprimentá-lo, perguntei sobre as nomeações para os demais cargos de confiança no governo, que ainda estão vagos. A resposta do secretário veio carregada de preocupação e o principal motivo: a falta de dinheiro.Ênio Lins foi bem claro ao dizer quenovas nomeações sem uma análise mais profunda da real situação de caixa do estado, a quebradeira pode ser geral e todos terminam pagando a conta.

Não que a área econômica e financeira do governo, e o próprio governador Renan Filho, já não conheçam a realidade de Alagoas, que por sinal, é cruel e um fardo muito difícil para ser carregado, agora, em 2015.Em artigos anteriores comentei sobre um fato que ocorreu há oito anos, quando o governador Teotônio Vilela Filho, depois que rompeu com Ronaldo Lessa, que lhe deu total apoio, reclamou que tinha recebido o governo com uma dívida de 500 milhões de reais. Na época, uma dívida considerada “impagável” pelo governo, e que foi motivo para o arrocho inicial da gestão Téo Vilela. Na época, me recordo muito bem que, aumento salarial para o servidor, nem pensar. Não tinha dinheiro e a Lei de Responsabilidade Fiscal impedia.

Seria necessária uma reformulação geral na administração.Desde que me entendo de gente, e isso já faz um bom tempo, nunca um governo sucedeu a outra sem que não herdasse dívidas sobre dívidas. A história já retrata isso há dezenas e dezenas de anos. Só não deixa dívidas quem não fizer nada durante sua gestão.

Para cumprir as promessas de campanha, o governador eleito pede dinheiro emprestado a bancos nacionais e internacionais; precisa se comprometer com a contra partida do estado das obras com recursos federais; assume compromissos com prestadores de serviços e fornecedores; além da obrigação em pagar a folha salarial dos servidores; obrigações com a educação, a saúde e a segurança; e os repasses para Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Ministério Público Estadual, e o custeio dos diversos órgãos públicos. Pronto, só isso acaba o dinheiro.E, isso, é o mínimo que o governo pode fazer, para dizer que fez alguma coisa durante os seus quatros anos. Mesmo assim, vai viver assando e comendo e, ao sair, vai deixar dívidas e problemas para seu sucessor.

No caso atual, a imprensa divulga que a dívida herdade por Renan Filho ultrapassa os 9 bilhões de reais. Então: Como pensar em nomear assessores para cargos ainda vagos? Como conceder aumento ao servidor público que já começa a ensaiar paralisações em alguns setores? As cobranças já começaram para um governo de dois meses e pouquíssimos dias.

As nomeações de alguns auxiliares na estrutura da máquina administrativa do governo, em órgãos secundários, são necessárias, mas não acredito que sejam urgentes, de vida ou morte. Com certeza, muita gente está na bronca com esse comentário, porque a ansiedade é grande de quem está esperando essa oportunidade. São aqueles que chegaram juntos na campanha ou aqueles que já ocupavam os cargos e alimentam a esperança em relação a uma nova nomeação. O problema é que muita gente quer uma “boquinha”, independente da real situação do empregador, nesse caso, o governo.

Será que vale a pena assumir um estado como este? O que significa deixar os gabinetes refrigerados e as mordomias de Brasília, sem a obrigação de assumir compromissos financeiros, às vezes, de uma divida impagável. Por isso, desde o primeiro momento, nunca acreditei que o senador Renan Calheiros pudesse pensar em trocar o terceiro cargo mais importante do país, o de presidente do Congresso Nacional, com holofote nacional e internacional sobre sua cabeça, pelos problemas históricos de Alagoas. Força Renan Filho...    

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