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22 de Novembro de 2018

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Edição nº 811 / 2015

10/03/2015 - 09:32:00

E o tempo foi passando, passando, passando......!!!!!!.

José Arnaldo Lisboa - [email protected]

Papai casou-se ainda jovem e, desse casamento, nasceu o Monsenhor Aloísio e a professora Etelinda. Anos depois, ele ficou viúvo e casou-se com a minha querida mãe Lysette. Desse feliz casamento, nasceram Maria Cleone, Ana Cordélia, Clerivalda e Maria Clélia. Numa das madrugadas frias de Mata Grande-AL - no dia 18 de julho, mamãe contratou uma “competente parteira” para me trazer à luz.

Como ainda não existia televisão, o frio fez com que papai “providenciar” mais duas mulheres, a Clara Luíza e Cláudia Virginia. Como se vê, eu fiquei sendo o único filho homem de mamãe e nunca fui de brincar com bonecas. Juntamente às seis maravilhosas irmãs, eu cresci num lar feliz, católico, tomando banhos na chuva, mergulhando em barreiros das redondezas, andando à cavalo, descendo e subindo serras e indo dançar nos povoados do município.

Eu gostava das festinhas de aniversários organizadas por mamãe, gostava das companhias dos colegas do Grupo Escolar, das partidas de futebol e, sonhava com o dia que iria vestir uma calça comprida, pela primeira vez. O tempo passava devagar e eu ficava na ânsia de vestir e de calçar logo as roupas e sapatos novos do Natal.

Eu gostava dos namoricos no escurinho dos postes com lâmpadas queimadas, porém, eu queria que o tempo passasse logo, para que eu pudesse estudar latim, francês, espanhol, inglês e andar com livros estrangeiros, para que o povo me ouvisse dizendo “I love you” ou “mon amour”. O tempo passava, sem que eu notasse a rapidez com que os meus 18 anos se passaram. Os anos correram e meus aniversários pareciam mais próximos um do outro. Concluí o curso primário, o ginasial, o colegial e enfrentei o bicho-papão da Engenharia.

Numa certa noite festiva, minha mãe colocou um anel de safira no meu dedo, durante a formatura, testemunhada por papai. Que felicidade! Viajei por 10 países da Europa, trabalhei bastante, fui à vários congressos nacionais e com a família fiz passeios de carro, para vários estados  do Brasil.

Eu já não ligava muito para o tempo, até que, num certo dia, alguém me perguntou: Zé, você já viu isto? Sabe o que era? Era um fio de cabelo branco na minha cabeça. Desse dia em diante, eu vi que o tempo estava me avisando que, todos nós haveremos de morrer, embora, uns logo e outros depois.

Vi amigos desaparecerem sem que eu soubesse onde eles estavam, o que continuavam fazendo e como estavam. Aqui-acolá, é que fico sabendo que uns morreram. Às vezes notamos que pessoas boas já passaram por mim e eu não as valorizei como deveria ter feito. Já sorri e já chorei, como já aconteceu com todos vocês, mesmo poderosos, famosos, ricos, sendo reis ou imperadores.

Na vida, eu aprendi uma coisa muito importante: é que vivemos muito apressados e não tivemos tempo para Deus, pois, o tempo passou tão rápido, mas, tão rápido que, eu agora é que notei que ele passou. Em tempo – Fiquei sabendo que o meu amigo Nequito Fragoso é um dos meus leitores de “carteirinha”. Como vocês podem ver, só tenho leitores importantes. 

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