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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 811 / 2015

10/03/2015 - 09:21:00

JORGE OLIVEIRA

Apague a luz, por favor

Paris - Quando os políticos da base desafiam o governo é porque estamos à beira de um desastre anunciado. Aliás, diga-se de passagem, a tragédia política foi prevista por um expert em política, agora fora do cenário: José Sarney quando se deixou fotografar votando em Aécio Neves no Amapá, por onde exercia o mandato de senador. Dilma perdeu o controle político e econômico do país porque não está e nunca esteve preparada para o cargo. Foi e é massa de manobra de Lula que exerce, de fato, o mandato de presidente pela quarta vez.Com a popularidade em baixa e tentando recuperá-la inaugurando casas populares inacabadas e precárias, a presidente entregou de vez o comando do país.

Deixou a cargo de Aloísio Mercadante o controle de uma parte política do governo, e de Lula a outra parte, o comando do seu exército vermelho e de todos os militantes arruaceiros do partido. Sem liderança, o Brasil está de quatro. As empreiteiras já mandaram embora mais de 500 mil empregados (só em Macaé 40 mil) e estão pendurados nos bancos públicos com mais de 200 bilhões de reais. Como seus donos estão presos, a administração está à deriva e muitas deverão entrar com pedido de falência. 

Outro sintoma de que o país está se desmilinguido pode ser medido pelas ações de Renan Calheiros, presidente do Senado nos últimos dias: chamou de capengas os articuladores da Dilma, renunciou a um jantar do PMDB com ela e agora mandou de volta uma Medida Provisória que aumentava os impostos das empresas, muitas delas em mais de 150%, atitude que mereceu elogios até da oposição mas que contrariou frontalmente o Palácio do Planalto.

Com a economia descendo ladeira abaixo, a corrupção campeando dentro do governo e a Petrobras agora vendendo os seus ativos de mais de 13 bilhões de dólares para fazer caixa, uma forma discreta de privatizar a empresa, o governo da Dilma é criticado até por seus ministros novatos.

Caso de Joaquim Levy, da Fazenda, que acusou Guido Mantega, ex-ministro, de grosseria no comando da economia, fato que lhe valeu um pito público da Dilma. O banqueiro, a quem está entregue a economia do país, botou a viola no saco e recolheu-se. Se tivesse respondido estaria no olho da rua. Aliás, é para onde a presidente quer mandá-lo depois das suas medidas desastrosas que estão levando o trabalhador brasileiro a inanição.

Para evitar maiores transtornos sociais e uma insurgência da população contra o seu governo, Dilma usa a caneta para tomar decisões paliativas que só fazem adiar o problema como um efeito bumerangue. São medidas tão irresponsáveis que permitem aos caminhoneiros transitar pelas estradas com volume de carga 10% maior do que o permitido. Estamos nos aproximando da anarquia, onde vale tudo. Vale inclusive fechar os olhos para a corrupção que se generalizou no governo e assumir um segundo mandato com um dos ministérios mais medíocres da história do país.

Até decisões presidenciais como a tomada por Lula de manter no Brasil o terrorista Cesare Battisti foi revogada por uma juíza federal que atendeu pedido do Ministério Público.Mas o povo não é bobo, engana-se quem pensa que  é. A queda da popularidade da Dilma é um recado do eleitor à sua administração.

Ele deu a ela um voto de confiança aterrorizado pela propaganda eleitoral de que perderia os seus benefícios sociais. Agora, o eleitor sabe que foi enganado e se prepara para cobrar a fatura, cujos ensaios começam nas manifestações do próximo dia 15 pelo impeachment da Dilma. O último a sair, apague a luz, por favor.

O terror

Quando eu era pequeno – e já faz muito tempo isso – vibrava na cadeira e gritava no cine Lux, em Maceió, quando o general Custer (George Armstrong  Custer), que cultuava um bigode a la Dom Quixote, aparecia com o seu regimento de cavalaria para salvar os brancos indefesos cercados pelos índios do Touro Sentado e do Cavalo Louco. As cenas eram  produzidas para que a gente tivesse ódio dos índios do início ao final do filme. Ao som da corneta, a cavalaria surgia do nada para alívio dos adolescentes que enchiam a sala do cinema. Pois é, ali, naquela sessão, éramos evados à cumplicidade daquela carnificina .  

Os índios

Os poucos índios que restaram nos EUA, hoje, estão confinados em suas reservas.  O general Custer era nosso ídolo na infância, o homem que enfrentava com coragem e valentia os comanches assassinos em seus próprios territórios, até morrer em um confronto com esses “selvagens”. Grave bem, neste artigo, a palavra “selvagem”.  

A crueldade

O filme Sniper Americano começa com uma cena cruel: um atirador de precisão (Chris Kyle) mira seu fuzil para uma criança que recebe da mãe uma granada e corre em direção a um tanque que invade uma ruela de Bagdá em busca de insurgentes. A cena é tensa e impactante pelo desfecho: a criança é brutalizadapor uma balacerteira do fuzil. A mãe corre em seu socorro e, agora, com a granada que retoma do filho, vai em direção aos marines que protegem o tanque. É fulminada com outro balaço. Não houve nenhum tiro de advertência que certamente salvaria mãe e filho. “Você conhece as regras, você decide”, é o que recomenda o comando ao atiradorquando é informado do que ocorre no local.  

A guerra

A plateia no cinema não reage, não se indigna. No chão, ensanguentados, os corpos dos dois, que vão se somaraos outros 160 que o atirador fuziloucom a mesma precisão e frieza na guerra do Iraque. É a versão moderna do general Custer. Há dois séculos, nas vastas planícies do Arizona e do Texas o que estava em jogo era aexploração do ouro nas terras indígenas. Agora, o jogo é outro: é o petroleo. E por ele, os EstadosUnidos devastam os países do Oriente Médio de um canto a outro, em ações sanguinárias e intervencionistas que começaram pra valer com a família Bush – o pai e o filho.

Os animais

Durante mais de duas horas do Sniper Americano o expectador vai se acostumando a conviver com a violênciades medida. Depois das primeiras mortes, o atirador é exaltado por seus companheiros como a  “Lenda”. E suas vítimas, chamadas de animais terroristas por defenderem seu país dos truculentos invasores. A exemplo dos “selvagens” cheyennes, os rebeldes iraquianos são tratados como seres desprezíveis, sub-raça. Torce-se, no cinema, pelo matador profissional. E a plateia, silenciosa, assiste passivamente o fuzil do atirador cuspir fogo sem desperdiçar uma balatal a precisão do tiro, dilacerando corpos de homens, mulheres e crianças.  

O herói

Em outra cena, os seals  estão cercados em um bairro de Bagdá, depois de Kyle matar um atirador de elite iraquiano. O cinema se agita quando dezenas de iraquianosvãosurgindo de seuscasebres para atacar a patrulhaamericana. Mas a reação da plateia é de alívioquandochega o reforço para resgatar os soldadosconfinados. Tudo que o espectador não quer é que o atirador, o nossoherói, a versão moderna do general Custer, corrarisco de vida. Afinal de contas, filme bom é aquele que o mocinho não morre no final.  

A mensagem

O diálogo do filme do diretor Clint Eastwood tenta nos convencer da justeza dos atos do atirador quando o mostra diante da televisão, antes de se alistar,  assistindo horrorizado o ataque terrorista às torres de Nova Iorque. É uma forma cruel de nos levar a torcer pelo atirador de Bagdá. O expectador deixa o cinema sem saber realmente que mensagem Eastwood quer deixar ao mundo com o  seu filme. A julgar por sua entrevista a Isabela Boscov, de Veja, o recado é americanófilo, sem arrodeios:

A justificativa

“Eu não fui a favor dessa guerra. Mas, a partir do momento em que os soldados são enviados à batalha, meu desejo é que possam cumprir sua missão e voltar vivos para casa”.  

A mãe

Em tempo: Como Sniper Americano, baseado em fatos reais, o “Pequeno grande homem”, interpretado por Dustin Hoffman, tambémcontou a história do general Custer. Nos Estados Unidos  lucra-se com tudo. Parece até que as guerras são feitas para virar filmes. Eles são capazes de matar a mãe e nos convencer de que foi em legítima defesa.

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