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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 808 / 2015

11/02/2015 - 20:16:00

Envolvido em corrupção, Arthur Lira deve assumir a CCJ da Câmara

Réu em vários processos, parlamentar alagoano também chegou a ser cotado para primeira vice-presidência da Casa

Carlos Victor Costa [email protected]

No filme Tropa de Elite 2, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Guaracy, larga o cargo para concorrer a uma vaga de deputado federal com o apoio dos milicianos; vence, toma posse e logo depois é indicado à presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Vale lembrar que o fictício Guaraci foi um dos réus de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que tinha como foco de investigação a corrupção em toda base do governo. Na vida real uma história bastante parecida está acontecendo e envolve o parlamentar alagoano Arthur Lira (PP) que foi indicado para assumir a presidência da CCJ, a mais importante comissão da Câmara dos Deputados.

 Em seu currículo, o filho do senador Benedito de Lira (PP) acumula diversos processos. Em 2013, Arthur Lira foi enquadrado na Lei Maria da Penha e denunciado pela Procuradoria da República, tornando-se réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado de agredir com “tapas, chutes e pancadas’’a ex- esposa, Jullyene Cristine Santos Lins. Os defensores do deputado alegaram no Supremo que a acusação feita contra ele é “inverossímil”, não se sustenta.

Acrescentaram que a própria agredida voltara atrás em seu relato, manifestando o desejo de retirar a queixa. Fato este não comprovado. O processo continua no STF, aguardando julgamento. Além disso, Arthur Lira responde a oito processos por esquema de fraudes e desvio de R$ 302 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas e a outros dois processos criminais penais por coação e ameaça.

O herdeiro de Biu de Lira era primeiro-secretário da Mesa Diretora e teria manipulado a folha de pagamento, fazendo descontos indevidos de cheques da Assembleia e obtendo, de forma fraudulenta, os empréstimos embutidos em sua conta bancária e de laranjas. Entre 2001 e 2006, o desvio teria atingido mais de R$ 13 milhões. Arthur Lira foi denunciado, preso, processado, julgado e condenado como um dos líderes do esquema das Taturanas, nome dado à operação da Polícia Federal. A ameaça se deu contra o então procurador-geral de Justiça de Alagoas, Coaracy Fonseca, responsável pela denúncia da “Taturana”, que disse ter sido ameaçado de morte por Arthur.

 
ENRIQUECIMENTO SUSPEITO

No ano passado, o EXTRA trouxe à tona uma denúncia feita pelo jornalista do O Globo, Chico de Góis, em seu livro “Os Ben$ que os políticos fazem”, relatando a evolução patrimonial do alagoano após 14 anos e três mandatos (dois de deputado estadual e um de federal). Segundo Góis, Arthur Lira tinha um patrimônio de R$ 79 mil, de acordo com sua declaração de Imposto de Renda de 1996, e após 10 anos esse valor havia pulado para R$ 695, 9 mil.

Em 2010, a fortuna ultrapassou os R$ 2 milhões.O que chama a atenção é que apesar de todo esse patrimônio, o deputado deixou de informar alguns bens à justiça, o que acaba se configurando em crime.Arthur Lira deixou de declarar, por exemplo, que tem um apartamento no edifício Dom Miguel de Cervantes, no bairro da Jatiúca, em Maceió. Junto com o pai, o senador Biu de Lira, deixou de informar que são sócios na empresa D’Lira Agropecuária e Eventos, criada em 22 de outubro de 2007. 

Deputado também teria ligação com doleiro Alberto Youssef

É também junto com o pai que o nome de Arthur aparece envolvido com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato acusado de lavagem dinheiro, de acordo com a revista Veja. A revista obteve os registros de entrada do prédio em que reside Alberto Youssef, numa área nobre da Zona Oeste de São Paulo, mostrando visitas frequentes de oito deputados federais. Arthur Lira está na lista. A Veja informou ainda que Youssef, inclusive, teria indicado o ex-presidente da CBTU, Francisco Colombo, e que coube ao senador Benedito de Lira apenas a chancela política da indicação. Colombo faleceu no ano passado, vítima de leucemia.


A INDICAÇÃO 
A indicação do parlamentar alagoano para a CCJ da Câmara surgiu depois que o PP integrou o bloco partidário que apoiou Eduardo Cunha na briga contra o petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Casa.Vitorioso, Cunha decidiu “presentear” o aliado com duas das poltronas mais vistosas do organograma da Casa: além da presidência da Comissão de Constituição e Justiça, a primeira vice-presidência da Câmara.O posto caberia a um peemedebista. Mas Cunha decidiu cedê-lo ao PP, sob a condição de que na CCJ o indicado  fosse Arthur Lira.

NOVA DERROTA PARA OS CALHEIROS
Após ser derrotado na última eleição de governador do estado para Renan Filho, o senador Benedito de Lira colecionou no último final de semana mais uma derrota para os Calheiros, desta vez para o senador Renan Calheiros que foi reeleito para a presidência do Senado.  Renan obteve 49 votos. O outro candidato, Luiz Henrique, teve 31 votos. Biu foi um dos coordenadores da campanha de Luiz Henrique.  Nos bastidores do Congresso, o que se discutia era o empenho por parte do pepista em conseguir derrotar Renan Calheiros, o que não veio a acontecer. 

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