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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 808 / 2015

11/02/2015 - 19:42:00

PEDRO OLIVEIRA

Dormindo com o inimigo

Na festa do novo presidente da Câmara dominaram as críticas ao governo e até se falou em um possível impeachment de Dilma

Brasília ainda hoje comenta a tônica dominante no jantar de comemoração da vitória de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, derrotando o “rolo compressor” do Palácio do Planalto.Logo depois de confirmada a vitória do adversário do governo, a presidente da República se apressou em telefonar para cumprimenta-lo como bem manda a liturgia do cargo que ocupa. É evidente que não o fez de boa vontade e tampouco o vitorioso se sentiu satisfeito com o telefonema. Quem assistiu registrou a sua cara de insatisfação ao desligar o telefone.

Foi uma festa que se arrastou pela madrugada e na qual foram incontáveis os impropérios proferidos contra a presidente Dilma Rousseff, seus agentes de governo e o PT.  “Ela vai ter de arrumar um bom articulador político, porque não gosta disso (de política)”, disse um deputado do PMDB. “Eduardo amenizou no discurso a questão das sequelas. Mas Dilma tem que fazer a parte dela”, completou esse parlamentar, em referência à ameaça feita pelo então candidato por causa da interferência do Palácio do Planalto na campanha em favor do derrotado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

O ex-candidato à Presidência Levy Fidelix (PRTB) soltava pérolas para quem quisesse ouvir. “A vida de Dilma vai ser um inferno. Ela vai sofrer um impeachment e quem vai assumir é o Temer, em nove meses”, profetizava.Durante o jantar o novo presidente da Câmara recebeu um telefonema do vice-presidente Michel Temer. Retirou-se para conversar no banheiro com mais “privacidade”,Na oportunidade provocado por colegas, Eduardo Cunha deu um recado: “Acho que fica uma lição de que não se pode construir a harmonia entre os poderes com a tentativa de interferir um poder no outro.

Então, foi ruim, foi errado, mas agora temos de passar uma borracha nisso e tocarmos a vida do país. Então, é fazermos o nosso papel para que a gente possa fazer o trabalho que a gente se propôs a fazer”. “Vamos exercer [o mandato] com serenidade, sem nenhum tipo de retaliação por qualquer tipo de circunstância passada. Não haverá nenhuma intenção de buscar retaliação por nada”, disse.Uma coisa é certa: a presidente Dilma vai ter uma vida difícil em sua convivência com a Câmara dos Deputados.

Uma proposta imbecil 

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7849/14, do deputado João Rodrigues (PSD-SC), que inclui entre os pré-requisitos para receber o Bolsa Família a ausência de condenação criminal. Pela proposta, a família beneficiada não poderá ter entre seus membros pessoa condenada a cumprir pena por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado. Em outra vertente em uma total incoerência se choca com a lei que criou o “bolsa bandido”, que remunera famílias de condenados que estejam presos. É ou não uma proposta imbecil. 


Uma bancada melhor

Alguma coisa de boa acontece na política alagoana na atualidade. Em sua maioria a bancada federal que nos representa é bem melhor que a anterior. Com raras exceções de figuras isoladas carimbadas pela “podridão” e outras com nível de consciência política abaixo de zero, dá para se enxergar parlamentares ativos, preparados e que poderão fazer a diferença para a imagem de Alagoas, nada admirada ou respeitada em Brasília. Há enfim um sopro de esperança em nossa representatividade.


Teremos uma nova Assembleia?

A legislatura não começou bem para a Assembleia Legislativa que teve um fim de ano bastante tumultuado por irresponsabilidade de alguns cujos respingos de imoralidade com a coisa pública se estenderam pelo mês de janeiro e adentraram fevereiro. Deixaram um caos nas mãos do deputado Antônio Albuquerque que não tinha como fazer muito e mesmo assim conseguiu transpor o período de sua transição tentando reparar o irreparável na Casa destroçada. A Assembleia ganha um novo folego com a posse do deputado Luiz Dantas no comando. Tem sido um parlamentar austero e sua vida política não tem distorções morais. Vai ter dificuldade, pois o poder não mudou muitoe os vícios danosos vão teimar em subsistir. Vai ter que ter coragem de fazer e precisa do apoio dos que acreditam na restauração da moralidade a um alto custo. Vai ser muito difícil, mas não é impossível. 


Descaso e arrogância

No deplorável episódio quando o descaso da prefeitura de Maceió colocou na rua da amargura as famílias de dependentes químicos, não repassando por meses as verbas devidas a entidades que cuidam de jovens e adolescentes, obrigando essas instituições os devolveram para suas casas, podem ser registrados fatos que desabonam uma administração que se diz séria a comprometida com o interesse público. A secretária Municipal de Saúde se mostrou insensível com o problema e arrogante com as famílias dos dependentes químicos. O prefeito , como sempre lhe convém, fez de conta que o problema não era com ele. E todos mentiram dizendo que a falta de pagamento ocorreu por conta da não aprovação da LDO de 2015. O presidente da Câmara, vereador Kelmann Vieira deu a devida resposta desvendando a farsa: “A verba para o pagamento referente aos meses do ano passado foram aprovadas no Orçamento no início de 2014. Se eles não foram efetuados é porque a secretaria não soube administrar o dinheiro”. Não era essa a Maceió que a gente queria.

Sair uma “mova”

Alguns que se auto intitulam de “paladinos da cultura” sem nem ao menos saber do que estão falando insistem na chatice medíocre de pedir a saída da secretária de Cultura Mellina Freitas. Fizeram várias tentativas para que fossem recebidos pelo governador Renan Calheiros que tem mais o que fazer que ouvir “abobrinhas” e reclamos recheados de recalques descabidos. Mostram uma relação assinada por vários “grupos culturais” a maioria sem nenhuma representatividade, com uma “carta de repúdio” que não merece ser levada a sério. Se intitulam de MOVA – Movimento Cultural Alagoano e “misturam alhos com bugalhos”  em suas fracassadas intenções de tumultuar a gestão que se inicia. Insistem em ser recebidos pelo governador que com certeza não vai perder seu tempo com baboseiras. De um integrante influente do governo ouvia a frase que serve de recado para os revoltosos: “O governador não está nem aí para esse protesto absurdo e descabido. Mellina vai sair uma “mova”!


Sinais de decepção

O prefeito Rui Palmeira teve um excelente desempenho nos mandatos de deputado estadual e federal, fato que o credenciou a disputar a prefeitura de Maceió obtendo expressivos 230.129 votos. Em sua campanha prometeu mudanças na maneira de governar e garantiu melhorias na saúde, educação e ações sociais, itens muito criticados nas gestões de seu antecessor.  Dois anos são passados e as únicas mudanças efetivas notadas são as constantes trocas no seu secretariado equivocadamente escolhido.A população começa e se inquietar e já há muita gente pondo em dúvida as mudanças prometidas.A cada dia se aproximam mais as eleições que vão decidir a continuidade ou não de Rui Palmeira na Prefeitura. E ele vai enfrentar pesos pesados com chances de “roubar-lhe o trono.”


Vem aí a CPI do “Petrolão”

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, disse que vai cumprir o Regimento Interno e instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras protocolada pela oposição esta semana. “Vou cumprir o regimento. As cinco primeiras CPIs serão instaladas”. Ai faz tremer o Palácio do Planalto.O regimento da Câmara permite o funcionamento simultâneo de apenas cinco CPIs. Para que a sexta seja instalada, é necessário o encerramento de uma comissão ou a aprovação de um projeto de resolução pelo Plenário.De acordo com o líder da Minoria, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), o pedido protocolado pela oposição foi o terceiro apresentado nesta legislatura – o que dá garantia de instalação. O partido ainda vai insistir na criação de uma CPI mista para investigar a Petrobras. Já foram conferidas e atestadas 186 assinaturas – eram necessárias 171. Da bancada alagoana apenas os deputados Ronaldo Lessa (PDT), Marx Beltrão (PMDB) e Pedro Vilela (PSDB) tiveram a coragem de assinar. Até o fechamento desta coluna, embora tendo anunciado sua assinatura, o nome do deputado JHC (Solidariedade) não aparecia em nenhuma lista oficial.

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