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Edição nº 808 / 2015

11/02/2015 - 19:40:00

Tito e Timóteo

Mario Eugenio Saturno*

As Epístolas de Paulo a Timóteo e a Tito são muito interessantes por conterem mensagens semelhantes, principalmente de conteúdo pastoral. Duas delas possivelmente foram escritas na Macedônia, uma a Timóteo que se estava em Éfeso (1Tm 1,3) onde Paulo espera encontrá-lo em breve (3,14; 4,13), e outra a Tito, que havia ficado Creta (Tt 1,5) e o apostolo tencionava passar o inverno em Nicópolis (do Epiro) e onde Tito deveria encontrar-se com ele (Tt 3,12)

.Quando escreve a segunda epístola a Timóteo, Paulo está preso em Roma (1,8 e 16ss, 2,9), depois de passar por Trôade (4,13) e Mileto (4,20). Sua situação é grave (4,16), sente-se próximo do fim (4,5-8 e 18), está só e insiste para que Timóteo venha o mais depressa possível (4,9-16 e 21). Apesar de parecer, essas circunstâncias não correspondem nem ao cativeiro romano de 61-63, nem à viagem que o precedeu. Daí muitos críticos concluírem que essas cartas não seriam de Paulo.

Mas essa hipótese não é de modo algum necessária. Não existe prova de que Paulo tenha morrido no seu primeiro cativeiro, vemos que Atos (28,30) sugere o contrário, que ele foi libertado.Portanto, pode empreender novas viagens, primeiro talvez à Espanha como planejara (Rm 15,24 e 28), e 1ª. Timóteo e Tito situam-se perfeitamente bem, talvez cerca do ano 65, ao decurso de uma tal viagem através de Creta, da Ásia Menor, Macedônia e Grécia.

A situação que a 2ª. Timóteo reflete é a de um novo cativeiro, que desta vez se encerraria com a morte, e esta carta, que é como que o testamento de Paulo, deve ter precedido de pouco o seu martírio no ano 67.Dirigidas a dois de seus mais fieis discípulos (At 16,1; 2Cor 2,13), estas epístolas lhes dão diretrizes para a organização e direção das comunidades cristão que Paulo lhes confiou.

É por isso que desde o séc. XVIII, são chamadas de “pastorais”. Nelas o título de “epíscopo” aparece ainda como praticamente sinônimo de “presbítero” (Tt 1,5-7), como outrora (At 20,17 e 28), segundo a fórmula primitiva das comunidades dirigidas por colégios de anciãos (Tt 1,5).

Não existe ainda nenhum vestígio do “bispo” monárquico tal como aparecerá com Santo Inácio de Antioquia. No entanto, esta evolução está se preparando, embora encarregados de diversas comunidades sem estarem ligados a nenhuma em particular (Tt 1,5).

Os delegados de Paulo, que são Timóteo e Tito, representam esta autoridade apostólica que está em vias de se transmitir para suprir o próximo desaparecimento dos apóstolos, e que em breve se fixará em cada comunidade num chefe do colégio presbiteral, que será o bispo.

Esta etapa intermediária de organização, que nenhum falsário tinha interesse em inventar, é um precioso indicio de autenticidade. Também se notará que os epíscopos-presbiteros não são apenas administradores do temporal, mas ensinar e governar (1Tm 3,2 e 5; 5,17; Tt 1,7 e 9), são realmente os antepassados de nossos bispos e sacerdotes.


*Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e congregado mariano

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