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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 808 / 2015

11/02/2015 - 19:39:00

Justiçamento de governo

IRINEU TORRES Diretor do Sindifisco

Naquele tempo, diferente de hoje, não se levava desaforo para casa. O vice governador também pensava, fazia e acontecia deste modo. Ocorre que um seu conterrâneo e adversário político lhe fez uma grave desfeita. Assim, a morte de pelo menos um dos dois era tida como certa. O governador intercedeu, pediu particularmente para relevarem o problema e mais, pediu ao secretário de segurança, que era o próprio vice-governador, que fosse a cidade natal e assumisse o compromisso de garantir a vida e a honra do seu desafeto, pois ambos eram pessoas da sua estima pessoal.

Assim foi feito e, para a frustação da plebe ignara, ninguém foi assassinado. A paz venceu. Mas, tempos depois, doutra feita, outro governador convocou dois dos seus correligionários para apaziguar uma violenta desavença entre ambos. Advertiu que o primeiro que praticasse contra o outro mais algum ato de violência pagaria caro. Na mesma semana um vereador foi assassinado.

O correligionário tido como ofendido exigiu providências e o governo encaminhou uma volante militar sob o comando de um jovem e afoito oficial que, militarmente, fuzilou o provável assassino, um homem violento e com longo e notório histórico de crimes. Como tradicionalmente, a plebe ignara, refestelada, laureou em triunfo os “heróicos” justiceiros.

O jovem e afoito oficial acreditou, envaidecido gostou, recebeu promoções, honrarias e, como de outras tantas vezes passadas, em pouco tempo, o “homem de ouro da polícia” era apontado como o mais novo maior bandido da história do Estado. Para o governador sonso e truculento restou a eterna dúvida de não saber se não foi o correligionário tido como ofendido quem mandou matar o vereador.

Afinal, é mister para todo bandido, paisano ou fardado, agir à sorrelfa. Infelizmente, ontem como hoje, o Brasil e Alagoas, ao sabor dos boatos, adotam o justiçamento oficial, a mais infame, covarde e canalha das ações de governo. Moral da história: “A luta pela paz é para poucos. Exige grande coragem, competência, maturidade e, sobretudo, paciência, a ciência da Paz”.

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