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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 808 / 2015

11/02/2015 - 19:19:00

Olhando sem antolhos

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

“Se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição dos direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”. 

As palavras poderiam ser de um oposicionista, fosse ele o candidato vencido nas eleições recentes, ou um dos seus simpatizantes, ao que os acólitos dilmistas estariam impondo a pecha de despeito pela derrota. Mas foram grafadas em artigo na Folha de São Paulo (27/01/2015) da autoria da senadora Marta Suplicy, do PT.

Não se pode dizer que ela não saiba das coisas, afinal, foi ministra do Turismo no segundo governo Lula; e da Cultura, no primeiro mandato da presidente reconduzida. Sem papas na língua, a ex-ministra insiste nas críticas à presidente, acrescentando ser “óbvio que ela sabe das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição”. 

O PT, partido da articulista, também não fica imune às críticas da senadora. A instituição, que já foi respeitada até pelos adversários, teria embarcado “no circo de malabarismos econômicos” que resultou na promessa de campanha de um “futuro sem agruras” para o povo, havendo se omitido “na apresentação de um projeto (de governo) para a Nação”.

A pá-de-cal vem na sequência: a “total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer”, tem levado a um povo atônito a falta de credibilidade e confiança.Perdoem-me os leitores, mas as longas citações foram necessárias por dois motivos.

O primeiro, obviamente para assentar que as críticas não veem sendo feitas por uma oposição que pretendeu, segundo petistas e acólitos, um terceiro turno das eleições. Nem simpatizantes peessedebistas, descontentes porque seu voto no candidato à Presidência da República não foi vitorioso.

Nas próprias hostes petistas há críticas contundentes, não só à política dilmista (se é que há uma política assim adjetivada),mas, também e principalmente, à atitude da presidente, descompromissada com suas próprias promessas de campanha; afinal, adota ela aquelas mesmas medidas sugeridas pelo candidato Aécio Neves, por ela demonizado ao vivo e a cores.

A segunda razão pela qual o cronista entendeu autorizado reproduzir as palavras da senadora articulista é aquilo que já vem sendo dito neste espaço: não se critica e repudia as medidas adotadas pelo atual ministro da Fazenda, mas, tão só aquela desfaçatez com que a sra. Dilma Rousseff e seus acólitos veem se explicando à Nação, tentando impingir à Nação a crença de que não há tarifaço, nem diminuição dos direitos dos trabalhadores, ou aumento dos impostos e quejandas, mas e tão somente reordenamento da política econômica e que é hora de acabar com a brincadeira (?).

Critica-se também o fato de que o descalabro foi por eles mesmos criado com objetivos eleitoreiros, inclusive sonegando ao povo brasileiro a real situação da política sócio-econômica do seu governo.Esses são definitivamente os pontos.Eis então que a senadora, substituindo uma oposição tímida que apenas ameaça, pôs o dedo exatamente sobre a ferida. Assim, constata-se, com a atitude da sra. Marta Suplicy, que mesmo no petismo há gente que, sem antolhos, olha e vê.

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